Sabrina Noivas 136 - His Runaway Bride
 
Pare o casamento! Willow e Mike no sabem dizer quem est mais aliviado quando os dois deixam de comparecer  igreja! Recuando diante do casamento, decidiram realizar seus sonhos profissionais em vez de se unirem... Mas, deparando acidentalmente com Willow algum tempo depois, Mike descobre que ainda se amam... e que deveriam enfrentar seus problemas em vez de fugir deles. De algum modo, ele precisa recapturar a noiva fujona, convenc-la de que devem ficar juntos e... dessa vez lev-la ao altar!
Quase no altar... ser que esses quase-casados se tornaro recm-casados?

Digitalizao e correo: Nina
Dados da Edio: Editora Nova Cultural 2002
Publicao original: 2001
Gnero: Romance contemporneo
 Estado da Obra: Corrigida

   

Srie Nearlyweds
Autor	Ttulo	Ebooks	Data
Michaels, Leigh
The Bridal Swap
	Jan-2001

Fielding, Liz
His Runaway Bride
Sabrina Noivas 136 -
A Noiva Fugiu! 	Mar-2001

Denison, Janelle
The Wedding Secret
	May-2001

Roszel, Renee
To Catch a Bride
	Jul-2001

Anderson, Caroline
The Impetuous Bride
	Nov-2001





PRLOGO

	No v...  Mike a abraava com fora, aconchegando.  Adoro acordar e ver voc.
Willow tambm adorava despertar e sentir o rosto junto ao trax viril, segura pelo brao forte, contemplar Mike com os cabelos loiros sobre a testa. Adorava-o. Era maravilhoso aninhar-se junto dele no escuro e se deixar beijar at esquecer tudo.
Sair daquela cama quentinha e voltar para casa tarde da noite em um domingo no era a melhor pedida, para nenhum dos dois. Por isso mesmo, era sempre ela quem ia  casa dele. Com seu carro estacionado em frente, no podia prolongar a visita alm do planejado.
	Lamento, querido.  Willow desvencilhou-se, beijou Mike e deixou a cama.  Se ficar, terei de ir para casa de madrugada para poder trocar de roupa e ir trabalhar. Segunda-feira j  um dia estressante sem esse agravante.
	Devia trazer uma muda de roupa  resmungou Mike, inconformado.  Ou deixar algumas aqui. Assim, teramos mais tempo juntos...
No era a primeira vez que Mike dava aquela sugesto, mas Willow recusava-se. J tinha estojo de viagem com escova dental dobrvel, que carregava para todo lado com um par de chinelos e duas blusas de malha justas, sempre pronta para uma viagem inesperada, pois era jornalista, mas deixar roupas na casa do namorado era algo muito mais srio. Os limites do relacionamento ficariam imprecisos. Ela se tornaria acessvel demais. Antes que percebesse, estaria l com mais frequncia do que em sua prpria casa, e ele acharia bom. Acabara assumindo todas as tarefas domsticas. Porque era mulher. No seria a primeira vez.
	No adiantaria. Tenho de dar comida a Rasputin e Fang. 	Pegou emprestado o roupo dele e foi para o chuveiro. Os dois peixinhos dourados, que Mike ganhara em uma feira, consumiam seu peso em rao.
	Traga os peixes tambm  solucionou ele.  Posso construir um artexo para abrigar sua coleo de bichinhos de pelcia, se quiser.
	Quando estou aqui, amor, voc  meu bichinho de pelcia. 	No banheiro, ao abrir o registro do chuveiro, deu-se conta de que era impossvel construir um anexo em um apartamento no segundo andar de um prdio.
Mike levantou-se e foi ao banheiro tambm. Entrou no boxe e testou a temperatura da gua.
	A inteno  que vale.
	Ah, ?
	Deixo voc trazer aqueles sinos de vento com tubos que parecem rgo de igreja tambm. Venha, ou j se esqueceu da campanha de uso racional da gua que voc mesma publica no jornal?
Willow acatou meio a contragosto, querendo evitar contato fsico.
	O que mais posso dizer?  Mike despejou gel na mo e comeou a esfregar as costas dela.
Muito mais, pensou ela. Mike a massageava, enfraquecendo sua determinao, ao ponto de reprimir um gemido de puro prazer.
	Traga tudo. Venha morar comigo.
Willow reteve o flego, aguardando o restante, mas, aparentemente, ele j terminara. Ficou de frente para ele.
	Por que eu faria isso?
O namorado riu.
	Porque sou irresistvel? Porque voc detesta dirigir at a sua casa no meio da noite, mas  gentil e carinhosa demais para me fazer sair da cama e levar voc?
Era sedutora a viso da gua quente escorrendo sobre a pele dele.
	Tem razo.
	Vamos, vai ser divertido. Poderemos fazer isto o tempo
Ele a puxou contra si sob o jato de gua e iniciou um profundo e demorado beijo.
Sim, Mike era irresistvel. Mas ela era suspeita para opinar. Ele interrompeu o beijo e ergueu o sobrolho malicioso, pronto para mais uma sesso de amor. Mas ela s suspirou e pegou a toalha. No passariam  etapa seguinte antes que ele trabalhasse mais aquela sugesto de "morar juntos".
	Ei!  reclamou ele, quando ela saiu boxe.  Quando lembrei o racionamento de gua, no pensava em banho a seco.
	Mike, preste ateno!
Ele fechou o registro e a fitou. Poderia ao menos prender uma toalha ao redor da cintura, para facilitar sua vida.
	Lembra-se de minha prima...
	Crysse? Claro, bela garota. No chega nem perto de voc, mas...
	Crysse mora com o namorado, Sean.
	Isso  muito comum, hoje em dia.  Mike pousou as mos em seus ombros delicados, srio. Era cada vez mais difcil para ela se concentrar...  Venha morar comigo. Prometo que ningum vai lhe atirar pedras na rua...  Beijou-a novamente, conduzindo-a de volta  cama.
Seria to fcil dizer sim. Ela queria dizer sim... Mike sorriu, os olhos cinzentos fulgurando  iminncia da vitria. Era evidente que considerava sua proposta irrecusvel. Mas Willow resistiu.
	No! Antes de decidirem morar juntos, Sean cobria Crysse de atenes. Toda sexta-feira, iam ao cinema ou teatro. Passavam o sbado juntos, jantavam em um bom restaurante. No domingo, ele preparava o caf da manh e a servia na cama. Planejavam o casamento, quantos filhos teriam. Sonhavam, entende?
Mike deu de ombros.
	No  o que fazemos? Talvez no tenhamos acertado o nmero de filhos, mas caf da manh na cama  um bom comeo. A comear de amanh...
Willow nem o ouvia.
	Ento, ele sugeriu que morassem juntos.
	Prometo lhe servir o desjejum na cama pelo resto da sua vida.
	Sean tambm prometeu isso. Crysse ficou to empolgada que vendeu o apartamento, redecorou o dele...
	Comeo a desconfiar que essa histria no tem final feliz.
	Depende do ponto de vista  replicou Willow.  Sean est feliz da vida. Sai com os amigos na sexta-feira enquanto Crysse, aps uma semana difcil tentando ensinar os rudimentos da matemtica a crianas, faz a faxina no apartamento "deles".  Reproduziu as aspas com os dedos.  No sbado, ela vai ao supermercado, enquanto ele joga futebol, crquete, ou o que quer que esteja empolgando a rapaziada na temporada. E, no domingo, ela serve o desjejum na cama, quase na hora do almoo, quando ele acorda em frangalhos aps tanto exerccio.
	E Crysse?
	Passa a ferro uma tonelada de roupas. De ambos.
	, no me parece justo. Ela devia deix-lo na mo por uns tempos, hospedar-se com voc, enquanto...
	No  assim, Mike. Assim que Crysse se afastar na esperana de que Sean perceba o quanto ela  indispensvel, alguma outra garota vai aparecer # ficar com d daquele pobre sofredor que no tem quem lhe passe as camisas. Cedendo ao instinto
maternal, ela comea a cozinhar e passar a roupa para ele, e Sean, escaldado pelo desenlace infeliz com Crysse, ir se empenhar para tornar a relao permanente.
Mike a fitava inexpressivo enquanto absorvia a mensagem.
	 um "no" definitivo, ento?
	No  nada pessoal. Se estivesse disposta a morar com algum, teria de ser com voc. Mas gosto da minha vida como est e...
	E se eu levar a nvel pessoal?
	Por favor, Mike.  Ela comeou a recolher suas roupas largadas, mas ele a impediu.  Est tarde.
	E se eu levar a nvel pessoal?  repetiu ele.
O clima no apartamento mudou. De repente, a tenso aumentou, e Willow sentiu-se na beira de um precipcio, que, cinco minutos, antes no existia. No queria perder Mike. Amava-o. Entretanto, antes de abrir mo de sua prezada independncia precisava se ele a amava tambm. O bastante para se entregar completamente.
	Ou eu me mudo para c, ou rompemos? E o que est dizendo?
	No anjo.  Ele estendeu a mo e lhe acarinhou o rosto. Afastou os fios de cabelos aloirados.  O que estou dizendo... O que estou pedindo...  Hesitava, procurando as palavras certas  Quero que venha morar comigo, Willow Blake, para eu ver voc ao meu lado na cama todas as manhs ao despertar. Para abra-la  noite antes de dormir. O que quero dizer ... bem, no estou disposto a me arriscar, a cometer o mesmo erro de Sean com Crysse. Bom, quando podemos nos casar?


CAPTULO I

	Preciso de uma resposta hoje, srta. Blake, ou no posso garantir...
 Ter uma!  Willow desligou j arrependida da impacincia. No era culpa do decorador o fato de ela no conseguir se decidir quanto aos armrios da cozinha. Porque no ligava para a cozinha nova. S de pensar em preparar trs refeies ao dia. Como sua me...
Por que aceitara se casar com Mike? Por que simplesmente no se mudara para o apartamento dele, adaptando-se a uma domesticidade descomplicada, como sua prima? Crysse era feliz, no era? Passar algumas camisas seria bem mais simples do que concretizar a ideia cie casamento perfeito de sua me e a ideia de casa perfeita do futuro sogro.
Era como se aliengenas se apoderassem de suas vidas.
Aliengenas amigveis, certamente, mas aliengenas que, em seu entusiasmo e desejo de ajudar, simplesmente no ouviam. E aparentemente jamais haviam aprendido o significado da palavra "simples".
Para Willow, casamento simples significava cerimnia singela em uma capela rural, com a noiva em vestido despretensioso comprado pronto, os homens em terno cinza padro, e duas damas de honra. Damas de honra adultas e serenas, que no se emocionariam s lgrimas. Seguida de recepo para poucos convidados.
A verso simples de sua me envolvia a Catedral de Melchester, coral de meninos em sobrepeliz branca engomada, grupo de sineiros e corpo de damas de honra e pajens. Flores e fitas suficientes para manter um floricultor ocupado por um ano...
Sem falar na recepo.
No. J estava  beira de um ataque de nervos e no pensaria na recepo. Nem no verdadeiro edifcio que a confeiteira construiria a ttulo de bolo de noiva. E a simplicidade que tanto prezava? Francamente, quanto mais insistia em singeleza, mais atraa complicaes, tal qual im nas proximidades de limalhas de ferro.
Casamento equivalia a uma enorme placa com a inscrio "complicado", mas at que era suportvel. As complicaes de verdade vinham em pacotes menores, menos bvios. Em envelopes com o logotipo de um grande jornal de circulao nacional.
Se a vida fosse simples, telefonaria para o editor e, sorridente, responderia: "Obrigada, mas no posso aceitar". No se encontrava mais disponvel. Haviam demorado demais para lhe oferecer o emprego de seus sonhos. Ia se casar no sbado. Em cinco minutos, tudo acabado. Entretanto, continuava adiando a tarefa. A vida era complicada.
	Voc est bem, Willow?
	Como?  Sobressaltada, olhou para Emily Wootton.  Oh, no  nada.  que vou me casar no sbado.
	Mesmo?  A entrevistada sorriu.  Que timo.
Willow tinha suas dvidas.
	Tenho certeza de que todos vo se divertir. S estou ansiosa pela semana que vem, quando estarei em uma praia em
Santa Lcia. Estas ltimas semanas que passaram em um piscar de olhos.  Forou um sorriso.  Mas... o que tm os chals que os Kavanagh cederam?  indagou, antes que se descontrolasse e desabafasse com uma quase desconhecida, j que no
tinha em quem se apoiar. S algum que conhecesse Mike e tivesse visto a casa seria capaz de entender... ela mesma no entendia. Se pudesse voltar no tempo,  noite em que ele a pedira em casamento, e ouvir a proposta novamente... talvez se convencesse de que ele falava a srio. Mike parecia to distante ultimamente...  Precisa de dinheiro para transform-las em um local de frias para crianas necessitadas,  isso?
	No, est tudo arranjado. S falta o acabamento e voluntrios para ajudar.  Emily Wootton riu.  No gostaria de adiar sua lua-de-mel, certo? Vo mesmo para as ndias Ocidentais?  Viu uma lgrima no rosto da reprter.  Willow? Willow, querida, posso fazer algo por voc?
 No.  Willow tirou um leno de papel no bolso.  S estou nervosa com o casamento...  Nervosa e estressada porque odiara a casa que os pais de Mike lhes haviam dado de presente. A construo enorme de tijolos vermelhos tinha cinco quartos, trs banheiros e dois mil metros de jardins que lhe tomariam cada minuto livre, aps cozinhar e fazer a faxina para manter o local habitvel.
A princpio, ela e Mike haviam decidido morar no apartamento dele ou no dela. Ambos ficavam na cidade e eram fceis de manter, perfeitos para um casal atarefado. Ento, a bomba dos sogros, na forma de inocente convite para almoar em um restaurante na rea rural, sendo que no meio do caminho havia o desvio para a maldita casa. Era o tipo de moradia que escravizava a mulher, que impedia uma profissional de levar a srio sua carreira. No estaria enfrentando esse problema se no fosse se casar.
Era evidente que, como esposa de Mike, no teria mais vida prpria.	
Seria a sra. Michael Armstrong, esposa de Michael Arms-trong, dono do jornal. Em alguns anos, segundo as estatsticas, seria me de duas crianas, benemrita patrocinadora das boas causas e pilar da comunidade. Em dez anos, estaria transformada naquilo que mais abominava: uma cpia perfeita de sua me!
Naturalmente, continuaria a exercer sua profisso... redigindo colunas femininas, noticiando reunies de senhoras, as ati-vidades do clube de jardinagem, os eventos sociais locais. At os bebs chegarem. A casa imensa convidava  gerao de crianas para preencher tanto espao ocioso. O pai de Mike j se referia ao quarto nmero dois como "berrio". Como se a decorao infantil j no denunciasse o destino.
Quanto a Mike... no fazia ideia do que ele pensava. De repente, seu noivo tornara-se mais distante do que a passagem Khyber, no Paquisto.
Por isso a carta, lia e relia a carta com a oferta do emprego de seus sonhos,  qual ainda no respondera. Talvez fosse sua salvao.
	... uma casa bem grande, Mike. No faz o seu estilo. Bem diferente do celeiro  observou Cal, apreensivo.
	Depende do que se considera grande.  Michael Armstrong no apreciava aquela conversa fiada sobre seu estilo. Cal era seu amigo de infncia, seu padrinho, e o conhecia bem demais para se deixar enganar.  Willow foi criada em uma manso de dez cmodos.
Mike planejara levar Willow a Maybridge, ver como reagia  ideia de um estilo de vida alternativo, mas ante seu entusiasmo pela casa, desistira.
	Bem, se ambos esto contentes com a casa ento,  s o que importa.  Cal no parecia convencido, porm no pressionaria.  Quando vo se mudar?
Com custo, Mike despertou do sonho no qual no teria de habitar a monstruosidade de casa que seu pai dera a ele e Willow como presente de casamento. A velha raposa nem sequer o consultora, transferindo  futura nora o "trabalho sujo". Ao v-la to encantada com a ampla construo, restara-lhe murmurar um "muito obrigado". No havia como recusar.
O amigo Cal o fitava perspicaz, e ele disfarou:
	A casa deve estar pronta quando voltarmos da lua-de-mel.
	Voc no parece... animado.  Como Mike se recusava a desabafar, Cal deu o assunto por encerrado.  Tenho certeza de que voc e Willow sobrevivem sem carpete por uma semana ou duas. E no h pressa em mobiliar o berrio  acrescentou,
na tentativa de descontrair o ambiente.  A menos que estejam me escondendo algo? Com certeza, algo assim explicaria a volta inesperada do filho prdigo ao rebanho...
	Voltei porque meu pai estava na UTI  justificou Mike.  Mas nunca pensei em ficar em Melchester.
	At que conheceu Willow  completou Cal.
At que conhecera Willow.
	Ela sabe o que voc pensa a respeito de assumir o lugar de seu pai? Pergunto porque, quando tomamos aquela cerveja na semana passada, deu a entender que esperava ver voc arrebatar o ttulo de empresrio do ano.  Cal fez pausa.  Como se voc fosse contador nato. Ela no sabe sobre Maybridge, acertei? No contou a ela.
	Cuide da sua vida, Cal.
	Sou seu padrinho. Eu me preocupo.
	Voc a conheceu. Willow vem de uma famlia tradicional, so sculos de bero.  Mike suspirou.  Esse emprego no jornal  s distrao, at que encontre o homem ideal, com quem ter os filhos ideais.
	J leu algum artigo que ela escreveu?
	S tenho de engolir o jornal, Cal. Mas no estou preparado para dormir com ele.  Mike ergueu a mo.  Est bem, est bem. Se houvesse um prmio para o melhor articulista de jardinagem, tenho certeza de que ela o conquistaria. Entende porque no a convidei para se mudar para o meu galpo em May bridge, para vivermos do que produzo com as minhas mos?
	O que no faria por seu pai, faria por amor? No seu lugar, admito que faria o mesmo.  Cal contemplou o papel de parede infantil do cmodo.  Talvez o berrio seja prioridade, afinal.
	Meu pai sempre foi sutil. Poderia lecionar a matria s pauladas.
	Ele no diminuiu o riljmo aps o enfarte?
	Que enfarte? Comeo a desconfiar que ele teve s uma indigesto.  De qualquer forma, a velha raposa conseguira. O filho prdigo retornara, cheio de culpa, para assumir o jornal e a revista, enquanto os pais partiam em frias. Longas frias.
 No sei. Talvez esteja sendo cnico, mas parece que o ataque cardaco o lembrou de que  mortal.  Apontou para as figuras no papel de parede.  Da os coelhinhos.
	 s isso mesmo?  questionou Cal.
Mike passou a mo nos cabelos.
	Bem, tenho de cortar os cabelos antes de sbado  co mentou, tentando aplacar a sensao de condenao.
Amava Willow. Ela fora sua luz na escurido' ao se ver forado a voltar para casa e tomar as rdeas do negcio da famlia, enquanto o pai convalescia.
Adentrava a redao naquela primeira manh, o humor to negro quanto as manchetes do jornal, quando trombara com Willow e seus pertences se esparramaram no cho. Ela ainda testara o telefone celular, para se certificar de que no se danificara, antes de repreend-lo:
 Por que no olha por onde anda?
Mike quase a colocou em seu devido lugar, quando o tempo pareceu parar, descompassando seu corao. Ento, ela o reconheceu.
	Mas voc  Michael Armstrong. Tem uma fotografia sua na mesa do seu pai...
	Mike  corrigiu ele.  Eu vou substitu-lo por algumas semanas.
	Bem, ol, Mike.  Ela estendeu a mo.  Willow Blake.  A seguir, alvoroou-se.  Estou atrasada.
Ele a observou correr para o carro.
Nunca pretendera mais do que um flerte com ela. Um breve namorico, talvez. Nada forte, nada srio. Willow mostrara-se difcil, rechaara-o por mais tempo do que ele teria apreciado, considerando a excitao da conquista. Aps a caada divertida, foi como se casse em uma armadilha... como se encontrasse algo que nunca imaginara estar faltando. O problema era que, na ocasio, encarnava Michael Armstrong, presidente da empresa em que ela trabalhava. Sendo Willow uma representante da elite, ele precisara lanar mo de todos os trunfos para impression-la.
Quando finalmente se entenderam, ele no vira necessidade de explicar prontamente que Michael Armstrong, o presidente da empresa, era s um personagem que ele representava temporariamente. Logo em seguida, ele a pedira em casamento.
E a srio.
Ao ouvir o "sim" hesitante, quase ordenara: "Parem as prensas... refaam a primeira pgina... tenho um furo!". Mas conti-vera-se. Willow aceitara desposar o herdeiro de um imprio editorial, no um homem que, na vida real, morava em um galpo reformado que j fora estbulo...
No fundo, temia que Willow no aceitasse o verdadeiro Michael Armstrong? Por isso, ainda no lhe revelara os fatos?
Bem, quando seu pai lhe mostrou a casa e entregou a escritura embrulhada em papel de presente, percebeu que adiara demais.
	S se vive uma vez, Mike  filosofou Cal, lendo seus pensamentos sombrios com grande acuidade.  Voc tem de realizar seu sonho.  Franzindo o cenho, observou:  E  a noiva que fica nervosa antes do casamento.
	Quero ver quando chegar a sua hora de casar!
	E impresso minha, ou est em dvida?
O amigo convidava ao desabafo, mas tudo j fora longe demais, e Mike meneou a cabea.
	Pensei que fosse coisa simples. Para me casar, bastaria aparecer na igreja na hora e no esquecer as alianas.
	Deixe as alianas comigo. Quanto ao resto...  Cal olhou o relgio.  Est quase na hora do almoo. Por que no pega sua noiva e tiram a tarde de folga para se lembrarem do porqu disso tudo?
	No tenho tempo.
Cal ergueu o sobrolho.
	E que vou ficar longe dos negcios por quase um ms  explicou Mike. Com o detalhe de que no seria mais o negcio,  mas seu negcio. Seu pai lhe passaria as rdeas assim que a tinta na certido de casamento secasse.
	Mike?  Na ltima hora, enquanto aguardava o noivo, Willow terminara de redigir o artigo sobre os chals de frias para crianas carentes e'agora editava o texto. Alm de pensar em uma maneira de contar a ele sobre a oferta de emprego em Londres.
Demitir-se j seria pssimo, uma afronta a Mike e seu pai, mas ficaria ainda pior quando comeasse a trabalhar na capital. Haveria dias em que nem poderia voltar para casa. Se o editor do jornal londrino soubesse que a candidata  vaga estava para se casar, talvez nem a levasse em considerao...
Mike rascunhou um lembrete  margem de uma folha coberta de nmeros e ergueu o olhar.
	Sim, Willow?
Ela sorriu sem graa e fez um gesto vo:
	Nada. Era bobagem.
Willow saiu rpido do prdio. Como seu carro estava na oficina, Mike lhe oferecera uma carona at a casa de Crysse. Mas, evidentemente, ele se esquecera do combinado, e ela preferia ir a p a interromper o namoro dele com a calculadora. Eis o que ganhava apaixonando-se por um contador.
Durante o passeio, aproveitaria para espairecer e esquecer aquele pssimo dia gasto em explicaes a pedreiros e respostas s interminveis perguntas da me sobre detalhes, detalhes e mais detalhes. J no se importava mais com a cor das fitas nas laterais dos bancos da igreja, ou se haveria botes de rosa suficientes no jardim. Em um mundo onde havia crianas que nunca passavam frias em um lugar diferente, que nunca passeavam, a menos que pessoas como Emily Wootton tomasse alguma iniciativa, tais preocupaes pareciam frvolas.
S se esquecera de um detalhe. Estava de sapatos novos e, ao final dos primeiros quinhentos metros de caminhada, j sentia uma bolha no calcanhar. Se entrasse mancando na igreja, cada passo seu ficaria registrado em vdeo para a posteridade, e a me a mataria em fria. O que resolveria todos os seus problemas em um golpe s. A opo era tomar um nibus. Ao chegar a um ponto, pegou a fila, aliviou o peso do p machucado e aguardou.
	Quer uma carona, moa?
Era Mike, com a mecha de cabelos aloirados caindo sobre a testa, abrindo a porta da caminhonete com trao nas quatro rodas.
	Minha me me disse para nunca aceitar carona de estranhos  replicou Willow, ciente da inveja das outras mulheres com sacolas de compras pesadas.  Pensei que estivesse muito ocupado.
	Estava. Estou. Mas foi a dor de cabea que me fez esquecer da carona at a casa de Crysse.
	Espero que sua noite no clube do bolinha tenha justificado essa ressaca.
	Nada vale tamanha dor...  Nem todo o lcool, nenhuma das brincadeiras organizadas por Cal o fizeram se conformar com a enrascada em que se metera. Reparou na fila de gente que parara de esticar o pescoo atento ao nibus para assistir ao pequeno drama.  Por favor, entre, Willow.
	Como sabe se no chamei um txi?  Ela pensava em sacar o celular e fazer exatamente isso.
Mike no a culpava.
	Est zangada. No seu lugar, eu tambm teria ido a p.
Willow obtinha mais ateno do que desejava. E chamar um txi seria impertinente. Respirou fundo e apoiou-se no noivo.
	Estou com uma bolha no calcanhar.
	Oh, cus. Venha c.  Mike esqueceu-se das pessoas na fila e a segurou pela cintura, ao que ela se aninhou junto dele como gatinha em um cobertor aquecido.  Lamento...  Fitou-a, recebeu o impacto dos olhos muito azuis e percebeu que devia ter aceito o conselho de Cal, tirado a tarde e ficado na cama com ela.  Tem de ir  casa de Crysse hoje?
	Receio que sim. Precisamos acabar de marcar os lugares dos convidados na recepo, resolver um problema com o vestido de uma daminha, escrever o nome dos convidados nos car
tes...  Willow contava nos dedos as tarefas.
Mike lhe agarrou a mo.
	Quer saber?
	O qu?
	Se tivesse adivinhado, nunca a teria pedido em casamento.
	E eu, se tivesse adivinhado, teria dito "no"  rebateu Willow, com um brilho estranho no olhar, como se falando a
srio. Ento, estremeceu.  Mas vou enfrentar como quem vai ao dentista. Agonia najiora, mas depois...
"Alvio", completou o noivo, em pensamento.
	Boa comparao.  Soltou-a.  Trave o cinto de segurana.  Engatou a primeira marcha e se preparou para entrar no trnsito.
	Recebi uma oferta de emprego,-Crysse.
	Emprego? Que tipo de emprego?  A prima refazia a barra do vestido que uma das daminhas conseguira descosturar enfiando o p no lugar errado.  O jornal concorrente no est tentando contrat-la, est? Que audcia!  Inseriu mais um alfinete.  Embora, pensando bem, talvez no seja uma boa ideia trabalhar com o marido. Vinte e quatro horas de felicidade  mais do que uma mulher comum pode agiientar. No que eu esteja em posio de julgar...
	Mal vejo Mike na redao. Alm disso, a oferta no  da concorrncia local, ou eu no aceitaria.  Crysse ergueu o olhar do trabalho de costura.  Lembra-se de que me candidatei a uma vaga naquele jornal de Londres?
	Mas foi no ano passado, antes de conhecer Mike. Pensei que tivessem dito que no estavam interessados.
	No exatamente. Disseram que avisariam. Bem, avisaram. Parece que houve mudanas, esto com um editor novo, que decidiu publicar um suplemento feminino na sexta-feira, e querem que eu integre a equipe.
Crysse enfiou a agulha na seda creme.
	Aposto que o seu po nunca cai com a manteiga para baixo, hein?
	Como?
	Nada.  A prima continuou fazendo a barra, com pontos bem pequenos.  Esquea o que eu disse. Parabns.
	Crysse?  Ela meneou a cabea.  O que foi?
	Nada.  Ela deu de ombros.  Tudo. Estou verde de inveja, se quer saber.
	Inveja?
	Sei que  horrvel, mas no posso evitar.  Crysse enrubesceu.  Voc tem tudo. Um homem por quem qualquer mulher morreria... um homem que acredita de verdade em casamento, um casamento que vai sair nas colunas sociais, uma casa nova fabulosa, cortesia do futuro sogro, e voc ainda reclama por ter de escolher fitas e flores, alm de tomar todas as decises tediosas que cabem a uma noiva. Parece at que no quer se casar...
Bem, talvez houvesse de fato emitido sinais, na esperana de que a prima deturpasse tudo e a fizesse rir, vendo o lado engraado daquilo tudo, apresentando o problema sob outro ngulo, como geralmente fazia.
	Ando reclamando muito?
	Demais. E, como se a cobertura na sua fatia de bolo no fosse generosa o bastante, ainda recebe a oferta de emprego dos seus sonhos.  Para horror de Willow, Crysse deixou duas lgrimas despencar sobre o vestidinho de seda.  E eu, o que tenho? Estou com Sean h cinco anos... cinco anos, e ele permanece to distante do casamento quanto sempre esteve. Estou com quase trinta anos e quero estabilidade, Willow. Uma casa com jardim, bebs...
	Oh, Crysse!  Willow largou a caneta e abraou a prima, confortando-a.  Conversou com Sean? No pode continuar assim, precisa contar a ele como se sente.
Lembrava a coluna de aconselhamento sentimental do jornal. "Converse com seu parceiro. Exponha suas preocupaes quanto ao relacionamento...".
	Para qu? Por que ele tomaria a iniciativa, seja tem tudo o que quer? Eu devia ter agido como voc, Willow. Voc sabia o que queria e fincou p. Sempre foi esperta e nunca se contentaria com menos.
Willow quase revelou  prima que agora lamentava no ter aceito o convite de Mike para simplesmente morarem juntos, mas Crysse, frgil como estava, concluiria que ela estava apenas sendo condescendente. Deveria soar positiva.
	Est bem. Se no quer o que tem, talvez esteja na hora de indagar a si mesma o que quer.
Crysse passou a mo no rosto.
	Achava que queria isso. Busquei essa situao. Mas agora vejo que no basta.
	Ento, pare de bancar a infeliz. J desperdiou bastante tempo lavando meias para um camarada para quem compro
misso  apoiar o time quando joga em casa. Faa algo que realmente queira, antes que seja tarde demais.
	 preciso coragem para romper um relacionamento de cinco anos, Willow. Equivale a divrcio. Nada de advogados,
nada de papelada, mas ainda assim  desestruturar a vida e recomear, cinco anos mais velha e j no to animada.  Crysse aceitou o leno de papel oferecido e assoou o nariz.  E quanto a voc? O que Mike achou dessa oferta de emprego?
Crysse mudara de assunto porque no queria discutir sua vida. Na verdade, no queria nenhuma mudana radical, mas s que Sean mudasse um pouco de atitude.
	Ainda no contei a ele  esclareceu Willow.  Ningum sabe ainda, exceto voc.
A prima ergueu o sobrolho.
	Por que o vacilo?
	Esperava algumas palavras de sabedoria da minha prima favorita.
	Quer que eu diga que pode ter as duas coisas?
	No mea palavras, querida. Diga exatamente o que acha.
	O que eu acho, prima,  que a vida de Mike est aqui, em Melchester. E a casa em que vo morar exige uma esposa em tempo integral com nada na cabea para o futuro imediato, a no ser planejamento familiar. Vai se casar no sbado, lembra-se?  Crysse apertou-lhe a mo.  Quer se casar de verdade, no quer?
Queria? Queria de verdade se casar? A casa e os bebs... Amava Mike, mas a perspectiva de passar a se declarar "dona de casa e me" nos formulrios da vida no suplantava seu outro sonho: o de publicar matrias suas em um jornal de circulao nacional antes de completar trinta anos.
A carta do jornal de Londres lhe oferecia isso. Quando estivesse estabelecida, poderia ser free lance, mas, primeiro, precisava consolidar seu nome.
Com certeza, Mike entenderia.
Claro que entenderia.
O noivo a olhou do outro lado da mesa no escritrio dele. Ela pousou os cotovelos no tampo.
	Posso lhe pagar um almoo, chefe?
Ele se recostou e sorriu.
	Quer mesmo almoar?
	Voc escolhe, tenho meia hora antes da cabeleireira. Podemos pedir sanduches na lanchonete, ou trancar a porta, fechar as venezianas...
	O primeiro. Mal sa desta sala esta semana.
	Est optando pelo sanduche?
Mike levantou-se, contornou a mesa e tomou-lhe a mo.
	Pode me chamar de idiota, mas no me atrai a ideia de fazer amor com voc sabendo que a equipe toda est trocando olhares alm dessa porta.
Saram da redao e atravessaram a rua rumo  lanchonete.
	Voc no se diverte, agora que  o chefe, sabia?
	Acha mesmo? Bem, no  oficial at voltarmos de Santa Lcia. Talvez deva pedir demisso j.
	Essa  a minha fala  declarou Willow, aproveitando a deixa.  Recebi uma oferta de emprego e, a menos que me promova a reprter nmero um, talvez aceite...  Pronto, dissera. No fora to difcil. Mas mantinha o olhar fixo na placa acima da lanchonete.  Salada e suco de tomate, por favor, George  pediu ao garom. S ento encarou o noivo, mudo e plido.
	Que emprego  esse?  questionou ele, finalmente.
	Traga dois, George.  Willow pagou o almoo e procurou uma mesa perto da janela.
	Que emprego?  repetiu o noivo, irritado.
Pronto. No tinha volta. Tarde demais para se arrepender.
	Em um jornal de Londres.
	De Londres?  Mike parecia cruzar informaes no crebro.  Um tablide? No  um popular demais para voc?
O que ele queria dizer com isso?
	E um jornal de circulao nacional.  Willow aguardou, mas Mike no se manifestou.  Devia estar impressionado.
	Est bem. Estou impressionado  afirmou ele.  Mas teria aceito?
Willow irritou-se com a suposio dele de que ela nem cogitara aceitar a oferta.
	Acha que no?
	No, a menos que pensasse em se mudar para Londres e deixar a vida de casada para os finais de semana.
	Poderia ir e voltar todos os dias.  Ela analisou a expresso do noivo. Nula.  No?  Nada ainda. Deciso dela. Nenhuma ajuda, nenhum incentivo.  Bem, vou telefonar para Toby Townsend esta tarde e conversar com ele.
	Quando se candidatou a esse emprego?
	Faz tempo. Cheguei a comparecer a uma entrevista, mas no aconteceu nada.  Willow deu de ombros.  Ento, na segunda-feira, chegou a carta de Toby...
O garom trouxe o almoo e comentou sobre as novas restries quanto a estacionamento, prejudiciais ao negcio, e indagou se o jornal no se manifestaria. Depois disso, no tocaram mais no assunto da oferta de emprego.
Mais tarde, no escritrio, Willow convehceu-se de que Mike estava certo. No podia aceitar a oferta. Era impossvel. Estpido at imaginar... Telefonaria para informar ao editor do jornal londrino que no estava mais disponvel. Amava Mike e iam se casar. Mas uma voz interna atormentava, lembrando que, se no tivesse pressionado Mike a pedi-la em casamento, teria conseguido tudo. Uma carreira durante a semana, Mike nos finais de semana. Aceitava-se tal mobilidade de uma namorada, mas, de uma esposa, esperava-se dedicao. Ser esposa equivalia a um emprego em tempo integral.
Willow pegou o telefone e teclou o nmero antes que se arrependesse, mas foi informada de que Toby Townsend no estava na redao. Deveria ligar na segunda-feira. Decidiu escrever uma carta. Redigiu o texto mentalmente enquanto a cabeleireira executava o teste do penteado com grinalda que usaria no casamento. Prepararia a missiva assim que chegasse em casa e, em seguida, a despacharia pelo correio. Ento, procuraria o noivo e reafirmaria a deciso de se casar.
Na redao, a secretria informou que Mike sara, porm voltaria ainda naquele dia.
Willow pegou o telefone celular e teclou uma pequena mensagem eletrnica: "Onde voc est? Podemos nos encontrar?" Mike lhe enviara dezenas de recados semelhantes, no incio do namoro. Quando ela estava em campo, cobrindo algum evento, respondia mais ou menos assim: "Se conseguir me encontrar, pode me pagar um jantar". Ele s precisava verificar a agenda de reportagens, sempre disponvel, e esperar por ela. Tudo parecia ter acontecido havia um sculo. Em uma outra vida. Releu a mensagem. Cancelou-a.
Mike abriu a grande porta de duas folhas de sua oficina, deixando a luz entrar. Contemplou os esquemas pendurados na parede oposta, as pranchas de madeiras nobres estocadas. Uma pequena mesa pronta sem polimento jazia na bancada. Abandonara tudo ao receber o telefonema avisando sobre a enfermidade do pai.
Acordara pensando na tarefa inacabada. Era algo que precisava completar antes de finalmente dar por encerrada aquela fase de sua vida. Antes de chamar o corretor e devolver o imvel.
Despiu a jaqueta, a gravata e a camisa social j vincada aps meio dia de trabalho. Havia um velho avental pendurado em um gancho e, ao vesti-lo, sentiu-se  vontade.
Rodeou a pea simples de moblia, lembrando-se do que imaginara na poca, da satisfao de transformar uma ideia em realidade.
Daria a mesinha a Willow. No lhe contaria que a fabricara com as prprias mos, mas, sempre que a visse, iria se lembrar da poca em que fizera mais do que analisar nmeros de balancetes financeiros.
Mike aguardava no estacionamento do prdio quando Willow chegou em casa.
	Mais presentes?  indagou ele, ao v-la abrir o porta-malas.
	Minha me ligou, por isso estou to atrasada. Onde esteve?  Ela reparou no noivo.  Parece que andou abraando rvores.
	Quase  retrucou Mike, enigmtico.  Comprei um presente tambm. Um mvel.  De dentro da caminhonete, tirou algo embrulhado em um lenol e o carregou at o apartamento.
 Pronto. Pode abrir.
Willow afastou as abas do lenol e reteve o flego. Era uma mesinha de linhas retas, simples, muito contempornea.
	Oh, Mike! Que beleza!  Passou a mo na superfcie, deleitada.  Parece seda. Que madeira ?
	Cerejeira.
	E...  Willow deu de ombros, incapaz de encontrar uma palavra que traduzisse^a satisfao.  No sei explicar.  Fitou o noivo.  Podia estar em um museu de arte. Tolice?
Mike sentiu a superfcie polida. Algumas de suas primeiras peas tornaram-se itens de colecionadores, vendidas e mostradas em exposies, preciosas demais para ser usadas. Sempre detestara isso.  Foi feita para ser usada.  Queria que o mvel criasse patina com o uso dirio, e ganhasse marcas, absorvendo histria.
	Onde comprou?
	Eu... um conhecido a executou.
	Verdade? Ele vir ao casamento? Talvez possa cit-lo em um artigo para a revista...
	No, Willow. Esta  a ltima pea. Ele fechou a oficina. No  trabalho para um homem de famlia.
	Que pena...
	 a vida  conformou-se Mike.  O que tem a?  Pegou uma das caixas.  Um espremedor de laranjas? Isso significa que teremos suco todas as manhs?
Willow engoliu em seco. Teriam? Aquele seria o ponto alto de seu dia a partir do casamento? Preparar suco de laranja para o marido?
	 um processador de alimentos  explicou, esquivando-se de responder.  Foi Josie quem deu. Fomos  escola juntas. Ela  ligada em sade, faz os sucos mais estranhos, de cenoura, salso. Pode escolher, ela toma.
Mike disfarou a azia.
	Bem. Parece... timo.
timo? Ou simplesmente conformava-se com o casamento, em vez de cancel-lo? Era mais fcil aceitar o processador do que confessar: "Lamento, no  para mim". A exemplo da prima Crysse, mantinha a situao porque a alternativa era dolorosa demais para se contemplar?
Willow mostrava-se eficaz em dizer aos outros o que era bom para eles, mas e quanto a ela? E Mike?
Apreciou o prprio reflexo na janela do carro. Por fora, estava tudo perfeito. O vestido, os cabelos, a maquiagem.
	Quase l, Willow. Tudo pronto?
Voltou-se para o pai, distinto em seu fraque, com o chapu no colo, enquanto o carro adornado de fitas percorria as vias tranquilas rumo  igreja cheia de amigos e parentes, todos reunidos para o grande dia. Como reagiriam se a noiva desistisse?
	No dia em que se casou com mame, imaginou se no estaria cometendo um erro terrvel?
	 um grande passo. O nervosismo  compreensvel.  O pai franziu o cenho.  Ou h algo mais?
	No sei. Talvez. Se no tivessem me oferecido aquele emprego em Londres...
Sua carta para Toby Townsend continuava no aparador do vestbulo. Adiava o envio. Quase a despachara na noite anterior, com as cartas de agradecimento pelos presentes de casamento, como o processador de alimentos e o relgio que contaria as horas que passaria limpando a casa imensa.
Forou um sorriso, guardando as dvidas para si mesma. No podia magoar o futuro sogro nem Mike, que perdera a fala ante o presente to generoso do pai. S no entendia porque ainda no colocara a carta na caixa do correio.
	Diga-me, Willow, se Mike tivesse telefonado ontem e proposto: "Vamos desistir do casamento?", como teria se sentido?
	Aliviada  respondeu ela, sem hesitar, e ficou chocada.
Mesmo assim, repetiu:  Aliviada.  Sim, era verdade. No se tratava de no amar Mike. Simplesmente, no queria aquela vida de casada. Quando o carro se aproximou da igreja e comeou a desacelerar, ordenou ao motorista:  No pare!
O homem riu.
	Toda noiva gosta de fazer o noivo sofrer. Mais uma volta no quarteiro?
	Sim, mais uma volta. Pai, no posso fazer isso com Mike. Posso? Ele j est a dentro, esperando por mim...
	Se est to insegura assim, acho que deve.
	Mame nunca vai me perdoar.
	Isto no tem a ver com sua me. Trata-se da sua vida.
	Mas a recepo...
	No ser desperdiada. As pessoas ainda tero de se alimentar.
Era s por isso que insistia na farsa? Preocupao com o desperdcio de comida, com o aborrecimento da me?
	Diga a Mike...  Willow fez pausa. Que o amava? Que o amava, mas no podiase casar com ele? Seria melhor no dizer nada...
	Deixe comigo, querida.  O pai lhe acariciou a mo.  Deixe-me na esquina, motorista, e depois leve minha filha para casa.  Ao saltar, segurou a porta aberta por um segundo.  Willow, quanto a sua me... talvez seja uma boa ideia voc desaparecer por alguns dias.
Era por isso que prosseguia com a farsa? Que assumia a direo do jornal e da revista? Para no decepcionar o pai e o resto do mundo? Uma vida, dissera Cal. S se tinha uma chance de viv-la direito. No havia tempo a desperdiar, vivendo o sonho de terceiros.
E Willow? O que seria dela? Amava-a. Willow era a melhor coisa que lhe acontecera em anos, mas ela queria se dedicar  carreira. No era burro. O maior desejo dela era que ele a incentivasse a aceitar aquele emprego no jornal londrino.
Sim, captara a mensagem muda e quase a liberara: "V em frente, no desperdice um minuto da sua vida". Contudo, tinha em mente que ela insistira no casamento. Bem, conseguira. No se podia ter tudo.
Que comeo era aquele? Quanto tempo levaria para desejar estar em outro lugar?
Escondido do pblico, algum tocava rgo, uma msica incidental tranquila, um contraponto  movimentao dos convidados tomando seus lugares, ajeitando o chapu, cochichando.
O sol brilhava e invadia a nave pelos vitrais, lanando sobre o piso de mrmore tons vermelhos, azuis e dourados. Mike sentia frio no altar, e enjoo com o perfume das flores ricamente arranjadas nas laterais dos bancos junto ao tapete vermelho no corredor central.
Quanto tempo mais? Consultou o relgio. Willow estava atrasada. Nervosismo de ltima hora? E se ela no aparecesse. Como se sentiria? Arrasado ou apenas aliviado?
	No se preocupe, Mike, no perdi as alianas.
Aliviado.
	Cal, o que diria se eu lhe dissesse que no quero nada disto?
O amigo reagiu sereno.
	Fala a srio?  No teve dvida ao avaliar o semblante do noivo.  Nesta ltima semana, yoc parecia um homem a caminho da forca. Pensei que fosse o jornal...
	Era... E tambm o processador de Josie.
	O que um processador tem a ver com isso?  Cal esperou, mas no teve explicao, e respirou fundo.   melhor decidir o que quer, Mike. Quando Willow entrar por aquela porta, j estar comprometido.
	No posso!
	Cus, se tem mesmo tantas dvidas,  melhor sair daqui. Agora.
	Diga a ela...  O qu? O que poderia dizer? Que a amava, mas que no era aquela a vida que queria para si?  Diga ao pai dela que ressarcirei todas as despesas...
	Direi. Agora, v. Tenho de tomar providncias.

CAPITULO II

Mike dirigia sem rumo, afastando-se de Melchester, mergulhando no trnsito pesado sem ver os carros e caminhes, sem ver nada, exceto Willow, chegando  igreja em um automvel todo enfeitado, crente em que o noivo a aguardava no altar, para unirem suas vidas. Ela abrira mo do emprego de seus sonhos por ele. E ele no estava l.
Passou a mo no rosto, enjoado, atnito com a infelicidade que causava a tanta gente, em especial aos pais, simplesmente por no poder viver a vida conforme a planejaram desde seu nascimento.
Pelo menos, desse'fardo estava livre. Seu pai devia estar execrando-o no altar, deserdando-o publicamente. Se voltasse a Melchester em menos de dez anos, seria linchado.
Escreveria uma carta para Willow. Tentaria explicar. O qu? Que no era o homem que ela imaginara? Que seu pai aproveitara o casamento para prend-lo, tornar o filho um espelho de si mesmo?
Como esperar que Willow entendesse que a simples perspectiva de ceder lhe sugava a vida? Devia ter contado a ela, j de incio. Mas como teria adivinhado que um inocente jogo de flerte e beijos roubados se transformaria em compromisso para uma vida inteira? No esperara ser arrebatado pelo amor.
Tarde demais para explicaes. Restava-lhe fugir. Que Willow o odiasse, em vez de tentar se explicar a ela. Arriscava-se a culp-la, quando o que acontecera era culpa s sua.
Tudo acabado. Fim. Deveria permanecer sumido at a poeira baixar. Mas precisava de um caf, um lanche, ou desmaiaria ao volante.
O trfego era intenso pela rodovia, caminhonetes e peruas lotavam-se de bagagens. Veranistas voltando a Londres. Willow tentou no pensar nas malas prontas para a lua-de-mel, aguardando no hotel onde dariam a recepo e passariam a noite de npcias. Maios, vestidos de vero lindos, lingerie sexy que ela e Crysse haviam escolhido alegremente em lojas londrinas logo aps Mike lhe oferecer o anel de diamante, logo aps posarem para a foto publicada na coluna social da revista que editavam anunciando o casamento.
Fitou a mo esquerda sobre o volante. Parecia carecer de algo.
Ao avistar um anncio luminoso com cones de xcara, garfo e faca, suspirou aliviada, ligou a seta do veculo e entrou no estacionamento. Partia para uma carreira brilhante no jornalismo. No era hora de sofrer um acidente devido  viso prejudicada pelas lgrimas.
Muitos carros de veranistas no estacionamento, tambm. O que menos queria no momento era se acotovelar no restaurante e brigar para ser servida, mas precisava se alimentar. Consumira somente uma pequena poro de cereais pela manh, e no almoara... bem, faltara  festa de seu prprio casamento, com direito a discursos, brindes e muitas fotos para perpetuar as imagens, que apareceriam na publicao de propriedade da famlia. Engoliu em seco e procurou a caixa de lenos de papel que mantinha no carro.
Preparara apenas uma bolsa de mo com cala jeans, camisetas, roupas ntimas ao deixar Melchester, s pressas. No era o que planejara para aquele dia.
Lenos de papel no estavam na lista, tampouco.
Com um gemido, apoiou a testa no volante e pensou no que fizera. Imaginou Mike no altar, esperando por ela. Como teria reagido ao ver seu pai adentrando a igreja sozinho?
Como pudera agir assim com o homem que amava? Como pudera exp-lo  humilhao pblica?
O que ele diria? Cal o tiraria da igreja...
A igreja. Todas aquelas pessoas. O burburinho dos comentrios excitados. Gemeu de novo. O pai no emitira uma palavra de reprovao, mas a me no aceitaria to resignada.
O que fariam com o bolo de trs andares que ela e Mike deveriam estar cortando quela hora, com faca de prata com seus nomes e data gravados?
	Est se sentindo bem, senhorita?
Willow ergueu o olhar. Era um homem uniformizado da empresa que administrava o posto de servios. Infelizmente, precisava de mais que uma chave de fenda para resolver seu problema.
	Estou bem. S preciso de um caf.
	 bom se alimentar tambm. E descanse, se estiver com sono. Nada vale o risco de se acidentar na estrada.
	Tudo bem. Verdade. No estou com pressa.  Willow no precisava se apressar, ningum a esperava. Ento, para convencer o homem, afirmou:  Vou pedir um sanduche, prometo.
Assim que o guarda se afastou de volta  guarita, Willow saltou do carro e cruzou o estacionamento amplo. Pegou a fila de senhoras nos sanitrios, lavou o rosto, tirou a maquiagem elaborada que no combinava nem um pouco com trajes esportivos e desgrenhou um pouco os cabelos duros de gel. No queria lembrar em nada a noiva que representara at pouco antes.
Como sobreviveria s quatro semanas seguintes, at assumir o novo cargo no jornal em Londres? No podia enfrentar a me. Nem Crysse, que no, entenderia sua atitude nem em um milho de anos.
Na porta da loja de revistas, viu o jornal dos Armstrong, com a matria que produzira sobre os chals de frias para crianas carentes. Lembrou-se do convite de Emily Wootton para ser voluntria e ajudar a executar o acabamento das instalaes.
Por que no? Por que no passar algumas semanas longe de tudo e de todos, ao mesmo tempo que realizava algo til? A atividade a manteria ocupada e deixaria fisicamente cansada, de modo a no passar noites insones imaginando onde Mike estaria, em que ele estaria pensando.
Preferia no saber.
Comprou um exemplar do jornal e uma barra de chocolate enorme para se consolar nas horas em que o trabalho pesado no fosse suficiente. Dobrou a publicao de modo a destacar o telefone para contato com Emily. Equilibrando desajeitadamente o telefone celular, mais o chocolate e o jornal, tomou o rumo do restaurante.
Mike viu a fila enorme de pessoas diante do bufe e mudou de ideia rpido. Compraria uma lata de refrigerante, um sanduche, e faria o lanche no carro. Recuou de costas, voltou-se bruscamente e colidiu com algum. A pessoa deixou cair o telefone celular, um jornal e uma bolsa de couro preta grande. Por um instante, no se mexeu, certo de j ter vivido aquela cena. Ento, fitou aqueles olhos azuis.
Tratamento de choque.
Com a lngua presa no cu da boca, esperou que Willow lhe desse um tapa no rosto, que despejasse sobre ele termos impensveis, a ponto de serem ambos expulsos do recinto.
Mas ela permanecia boquiaberta, incapaz de emitir qualquer som. Ento, pareceu desistir, engolindo em seco, desolada. Ele sabia exatamente como ela se sentia.
Algum os empurrou, resmungando que estavam bloqueando a passagem, e ele se abaixou para recolher os pertences dela. Ao endireitar-se, viu-a ainda imvel no mesmo lugar.
	Willow...
	Mike...
Atnitos e paralisados, ambos tentaram novamente:
	Eu devia...
	Eu no queria...
	Sabe, devamos parar de nos encontrar assim  observou Mike.
Willow enrubesceu, e ele sentiu um aperto no corao, como se voltasse a bater aps horas.
	Eu... eu ia fazer um lanche.
	A fila est grande. Acho que  uma festa em grupo.
	Hum...
Ao v-la recuar um passo, ele ergueu a mo para det-la, mas desistiu antes de toc-la. Lembrou-se do toque sedoso daquela pele, do que sentiria...
	Acho que no vai demorar muito para esvaziar.  Mike empurrou a porta e a segurou aberta para ela. No queria que ela fosse embora. Ele fugira do casamento e de tudo o que isso simbolizava, mas no de Willow.  Vamos pegar a fila? Eu gostaria...
	De uma explicao.  Willow queria fugir. Queria ficar. Queria morrer. Desistir do casamento quando o noivo j estava no altar era ruim, mas encontr-lo na estrada durante a fuga era castigo digno das antigas professoras de escolas dominicais. "Seja boa, ou seus pecados a encontraro." Mike merecia uma explicao. No palavras escolhidas com cuidado em uma carta, mas frente a frente. Seria mais difcil assim. Mas, depois, com certeza iria se sentir um pouco... melhor. Nada aliviaria seu remorso pelo que fizera.  Vamos  concordou.
Abriu a bolsa e guardou seus pertences, exceto o jornal, que no cabia. Ento, passou pela porta que ele mantinha aberta e pegou uma bandeja da pilha. Qualquer coisa para manter as mos ocupadas e no se atirar nos braos do ex-noivo, jurando lamentar ao extremo a terrvel sequncia de erros. Jurando que o amava.
	Est com muita fome?  indagou, idiota... mas precisava travar conversa enquanto percorriam o bufe.
	No. S preciso de caf e algum carboidrato para no desmaiar na estrada. No tomei o desjejum.
	Nem eu.  Willow criou coragem e o encarou.  Voc no...  Almoou com os convidados? Seria engraado...
	Pensei que estivesse em casa...
	Com minha m.e? Consigo pensar em locais mais agradveis, como a Monglia...  Cale-se, Willow. Impertinncia no vai ajudar em nada.  Vai querer massa?
	Qualquer coisa.  Ele fitou a mulher que aguardava para servi-los.  Massa para duas pessoas.
Willow escolheu alguns itens de salada e passou s bebidas. Desprezou o suco de laranja e pegou uma garrafinha de gua mineral. Mike optou por refrigerante.
	Vou pegar o caf depois.  Willow pousou a bandeja para pegar a carteira na bolsa. No permitiria que o ex-noivo pagasse sua despesa. Mas Mike pagou a conta enquanto ela revirava a bolsa, afirmando que no era nada de mais.
	Para onde est indo?  indagou Willow,  mesa, aps empurrarem a massa pelo prato durante algum tempo.
Mike aproveitou a pergunta para desistir da refeio e recostou-se na cadeira.
	O mais longe que conseguir chegar at o anoitecer. Imagino que esteja indo para Londres?
	Na verdade, no. S queria fugir da minha famlia.
	Dos olhares compadecidos.
	No sei se seriam compadecidos...
	Do silncio constrangedor toda vez que entrasse em um lugar.  Mike fechou os olhos e refletiu sobre o mal que fizera a ela.  Foi imperdovel.
	Sinto muito, Mike...
	Eu tambm, Willow...
Haviam falado ao mesmo tempo, as palavras chegando juntas, devagar e dolorosas. Ento, fizeram pausa e se fitaram. Willow recomeou:
	No espero que entenda...
	No sei como comear a explicar... como esperar que voc...
Willow franziu o cenho.
	Por que est pedindo desculpas, Mike? Fui eu que fugi no grande dia. Abandonei voc no altar.  No suportava olhar para ele.  Foi aquele horrvel processador de alimentos... Minha prpria imagem de pesadelo naquela cozinha enorme, com
avental de babadinho e sorriso estampado no rosto toda manh at o fim de meus dias... Espremendo laranjas. - Encarou o ex-noivo.  Sei que  o que voc queria, pensei que fosse o que eu queria, mas no . No ainda. No em muitos anos...
	Willow...
	Na verdade, espero nunca estar pronta para aquilo.  Ela se recostou.  E uma confisso to terrvel? Admitir que quero fazer carreira profissional mais do que... 
	Que eu?
	No foi assim!
	Como foi?
Willow meneou a cabea. Como explicar?
	Percebi que o casamento seria o fim da minha vida, no o comeo, ou seja, estava errado, concorda?  Ante o espanto do ex-noivo, sem querer, pegou a mo dele.  Sinto muito, Mike. Sei que o pressionei a me pedir em casamento, mas nunca
devia ter dito "sim".
	Por que disse "sim"?
	Porque... porque, naquele momento, tinha certeza. Agora, sabia que o amava, mas no podia fazer tal declarao agora. Se o amasse, no estaria sozinha na estrada. Estaria tomando champanhe com ele, feliz da vida...
	Ento, a oferta de emprego a fez perceber que havia opes mais excitantes.
Willow recolheu a mo, mas ele a agarrou.
	Desculpe-me, Mike. Sei que no justifica, mas  a verdade. No o magoaria por nada neste mundo. Mas... no percebe?
Casar-me com voc sentindo-me daquele jeito teria sido muito pior.  Recuperou a mo, constrangida.  Como foi l?  quis
saber.  Minha me ficou histrica?
	Imagino que sim.  Surgiu um brilho de... divertimento nos olhos de Mike?
	Quer dizer que no ficou para ver? No o culpo. Seus pais... foram to amveis, to generosos. Nunca entendero, no ?
	Nem em um milho de anos.
	Devem estar me odiando.
	Eu no me preocuparia com isso. Voc viria em segundo lugar, muito atrs, como alvo para as repreenses.
	Est dizendo que o culpam? Mas por qu?
	Sou a maior decepo da vida deles.
	Mas voc no fez nada, Mike.
Ele lhe buscou a mo.
	Fiz, sim. No gfei se sua me ficou histrica, no sei o que meu pai disse. No sei... porque no estava l.  Percebeu que
machucava o pulso delicado, e o soltou.  Eu no estava l.
	No entendo...
	No espero que entenda. Nem que me perdoe. No saberia nem comear a explicar.  Mike meneou a cabea.  Pareceu uma eternidade, ficar sentado l, esperando voc chegar. Pensando.  Fitou a mesa, tentando encontrar as palavras certas.
 Voc me deu tempo demais para pensar. Se tivesse sido menos convencional e chegado  igreja na hora certa... bem, talvez estivssemos danando na nossa festa de casamento agora. Mas, quanto mais tempo se passava, mais eu me convencia de que estava para cometer um grande erro. Na minha vida, quero dizer. Imaginei o que sentiria se voc no aparecesse...
	Aliviado  adiantou Willow.
Mike ergueu o rosto.
	Voc, tambm?
	Como?  Ela ficou ofegante ao entender o que ele tentava explicar.  Oh, cus. Voc fugiu tambm, no foi? No ltimo minuto.  Estava quase tonta de alvio.  Ns dois fugimos do nosso casamento!  Com vontade de rir, levou a mo  boca para se controlar.  Eu quase entrei na igreja, Mike, mas no consegui. Pedi ao motorista que desse mais uma volta no quarteiro e...
	Se no tivesse feito isso, provavelmente teria me encontrado l.
	O que voc teria feito?
Mike deu de ombros.
	Quando voc entrasse na igreja, no haveria mais nada a fazer, exceto dizer "sim", e enfrentar as consequncias.
	Chegamos to perto...  Willow tentou indicar a distncia com os dedos, mas estava trmula demais. Mike tomou-lhe a mo, e ela o encarou.  To perto de cometer um erro colossal.
	Pelo menos, nossos parentes e amigos no vo ficar se alfinetando durante o almoo. Com um assunto em comum, vo se divertir como nunca. E sem discursos chatos para estragar a festa.
Willow suspirou.
	Ento, est tudo bem?
	Acho que sim.
	Quer voltar e enfrentar o pessoal?  Ela riu ao imaginar a comoo que causariam.  Acho que no  uma boa ideia.
Mike sorriu, de acordo.
	Podamos telefonar para Cal e pedir que trouxesse nossas passagens areas e nossa bagagem, para irmos s ndias Ocidentais, mesmo assim.
Willow pensou no sol, nas praias de areia branca, nos mergulhos em guas cristalinas. Imaginou ambos fazendo amor.
	A tentao  grande...
	Mas?
	Voc tinha de perguntar?
	Acho que aproveitar a lua-de-mel aps fugir do casamento suscitaria algumas condenaes.
	Mais que algumas.  Willow suspirou.  Decepcionamos muitas pessoas, mas elas vo entender. Talvez, mais tarde, nos admirem por termos tido coragem de recuar no ltimo instante. Mas nunca nos perdoariam por ainda usufruir algumas semanas de vida boa, aps o que fizemos.  Deu de ombros.  Seria uma pena desperdiar as passagens, entretanto. No h motivo para voc no ir.
	Sozinho?
	Isso  com voc. No estou em posio de reclamar, caso...
	No! Quero dizer... Bem, no estava pensando em ligar para ex-namoradas para ver quem est livre. Por que voc no
vai? Leve Crysse. No vai comear a trabalhar j, vai?
Willow meneou a cabea.
	S daqui a um ms. No conversei com Toby ainda, mas talvez exijam aviso prvio no emprego atual?  Como Mike no respondia, prosseguiu:  Acabo de deixar para trs tudo o que Crysse sempre quis. Pedir a ela que seja minha acompa
nhante seria jogar sal na ferida.
	Sean no se empolgou ao saber do nosso casamento?
	Nem um pouco. Abominou todas as providncias para a cerimnia. Outro motivo para Crysse no estar contente comigo. 
Mike deu de ombros.
	Bem, imagino que o seguro cubra um no-casamento.
	Que tal um no-casamento duplo? Ganha-se bnus?  Willow parecia impertinente, mas na verdade lutava contra as
lgrimas que ameaavam brotar. Por que chorar, se estava feliz? Quando tudo acabara to bem? Podia ser uma noiva fujona, mas o noivo tambm fugira. Sendo assim, estava tudo em ordem. No estava?  Ou voc ter de pagar multa?
Ele se levantou.
	Vou pegar caf.
	No para mim. Preciso ir.  Willow levantou-se. Os dois permaneceram ali, parados, sem saber o que fazer. Um beijo parecia inadequado. Um aperto de mo, ridculo.
	Vou procurar suas matrias naquele jornal de Londres, Willow.
A separao parecia to definitiva. Ela no queria que acabasse. Se pudesse retroceder  noite em que ele a convidara para morarem juntos... Se tivesse aceitado...
	Tomou a deciso certa  garantiu Mike.  A gente deve sempre buscar os sonhos. Meu erro foi ter me esquecido disso.
	Nunca conversamos muito sobre nossos sonhos, no ?  observou Willow, triste. Ele deu de ombros.  Se no estivssemos com tanta pressa para nos casarmos...  Que adiantava conjecturar agora? guas passadas no moviam moinhos.  Para onde voc vai?
	Qualquer lugar. Vou sumir por uns dias. E voc?
	Trabalhar como voluntria, para variar. Conheo algum que precisa de ajuda nos acabamentos de umas construes.  Willow sabia que desataria a chorar se desse um beijo no ex-noivo, por isso, apenas estendeu a mo. Mike apertou-a, mas ela logo a recolheu.  Adeus, Mike. Seja feliz.
Willow deu meia-volta e rumou  sada. Tarde demais para arrependimento.
Busque os seus sonhos, dissera ele, e talvez tivesse razo. O problema era que a vida parecia ter espao s para um sonho de cada vez. Agora, esperava que seu sonho fosse grande o bastante para compensar o vazio e a dor que dominavam seu no corao. 
Ao observar a ex-noiva se afastar, Mike entendeu que vivia o momento mais difcil de sua vida. Quase a chamou de volta. Quase foi atrs dela. Queria lhe dizer o quanto a queria, o quanto precisava dela, o quanto a amava ainda. Mas e depois?
Largou-se na cadeira, dando a Willow tempo para deixar o estacionamento. No suportaria os sorrisos constrangidos e a nova despedida ao se encaminharem a seus veculos respectivos. O silncio que perdurava entre pessoas que j haviam se despedido, mas pareciam no querer se distanciar.
Pegou o jornal que ela largara na mesa, dobrado na reportagem sobre chals em reforma para receber crianas carentes nas frias. Crianas que no tinham nada. Era um contraste e tanto com o problema dele: o de ter muito.
Willow ligou o telefone celular, ignorou o cone piscante referente a mensagem no lida e percebeu que esquecera o jornal na mesa. Teria de comprar outro, pois voltar seria se arriscar a topar com Mike novamente. Deix-lo pela terceira vez no mesmo dia seria intolervel.
Fora fcil recusar a viagem de lua-de-mel. No fugira de Mike, mas da vida que teria ao lado dele. O dilema a assaltara aps receber a oferta de emprego do jornal londrino. Mas o evento lhe dera a escapatria, no fora o motivo. Ainda amava Mike, sempre o amaria.
Pensando bem, no precisava do jornal. Tinha o nmero do telefone de Emily anotado na agenda.
	Willow? Pensei que estivesse se casando hoje.
	Desistimos na ltima hora. Foi mtuo, mas um tanto pblico, e preciso de um esconderijo por alguns dias. Ser que tem vaga de aprendiz de pintor de paredes...
	Nos chals? Pode apostar. E uma pssima poca do ano para conseguir voluntrios. Os homens esto ocupados com os jardins, ou pintando suas prprias casas, enquanto o sol brilha. As mulheres tambm esto muito ocupadas resmungando deles.
	Bem, estou me oferecendo... para perodo integral, se quiser. Que me diz?
	Por mim, tudo bem. Mas as casas no tm moblia, embora disponham de gua e eletricidade. E ficaria sozinha  noite... Talvez arranje vaga na pousada da vila. Posso dar um telefo nema...
	Obrigada, mas prefiro ficar no chal mesmo, por enquanto.
	Est bem. A gente se encontra l, ento. Vou levar um saco de dormir e mantimeptos para voc passar o fim de semana...
	Diante do jornal aberto, Mike no lia o texto impresso, impressionado com a atitude tensa de Willow ao deixar o restaurante, saindo de sua vida. Pensou no que dissera ao pedi-la em casamento, sobre quer-la a seu lado todas as manhs.
Isso no mudara. Nem um pouco. De jeito nenhum. Dois sonhos. Tinha de haver um modo de fundi-los. Balanando a mesa, levantou-se e correu para o estacionamento. Nem sinal do carro compacto amarelo dela. Sentiu o corao virar chumbo. Ento, o brilho em um pra-brisa chamou-lhe a ateno.
Era Willow. No a caminho de Londres, mas na direo oposta. Voltava para casa? Com certeza, no'... Ento, lembrou-se do comentrio dela e da reportagem no jornal. Fazia sentido. Reforma. Ajudar algum como voluntria.
De volta ao restaurante, recuperou o jornal das mos da faxineira. Releu a pgina novamente e absorveu cada detalhe. Tratava-se de uma oportunidade imperdvei de recomear. Desta vez, mostraria a Willow quem era Michael Armstrong de verdade.
Assim que Emily partiu, Willow comeou a trabalhar. No estava com fome e, apesar da fadiga, resultado dos eventos daquele dia, sabia que no conseguiria dormir logo.
Abriu uma lata de tinta. Azul-claro, para a sala de jogos. Um lugar no qual as crianas brincariam, ouviriam histrias, cantariam. Misturou a tinta, pegou o pincel e comeou a pintar a parede.
Trabalhava havia uma hora quando ouviu um veculo estacionando em frente ao chal. Devia ser Emily de volta, preocupada, com alguma desculpa esfarrapada, s para verificar se estava tudo bem.
Willow relaxou os ombros e largou o pincel. No repreenderia Emily pelo excesso de zelo, se ela tivesse trazido vinho e uma boa refeio quente.
Desceu da escada, passou as costas da mo no rosto e foi abrir a porta. Ao ver quem era, tentou tranc-la novamente.
Mas no foi rpida o bastante. Mike enfiou o p na fresta e entrou. Ela queria mand-lo embora, mas permanecia muda e estupefata, em choque.
Michael Armstrong estava de cala jeans esfarrapada e camiseta preta desbotada sem mangas. Com um saco de dormir debaixo do brao.
CAPTULO III

Mike largou o saco de dormir, estendeu a mo .e passou o polegar no rosto de Willow. O dedo voltou azul-claro.
	Bela cor, combina com voc. Mas a tinta no devia ir na parede?  Ele a fitou da cabea aos ps e sorriu.  Diga-me, querida, j fez isso antes?
Willow tentava controlar o corao acelerado. No havia motivo para se alterar daquele jeito. Ele a teria deixado no altar, se ela no tivesse fugido antes. Imaginou a desolao que teria experimentado e cruzou os braos para no se atirar a ele.
	Isso  injusto, Mike. O que pensa que est fazendo aqui?
	O mesmo que voc, acho. Com tempo de sobra e vontade de fazer o bem.
	E escolheu o mesmo lugar que eu?
 Algum problema?  Ele expressou inocncia. Willow sabia que armava algum plano.  Pediram voluntrios. Estou me oferecendo. At trouxe meu prprio saco de dormir.
	Pois pegue seu saco de dormir e suas boas intenes e encontre outro lugar para se esconder!
 E minha garrafa de vinho branco gelado. No garanto a qualidade, mas o rapaz no bar ali na estrada disse que  tragvel.
	No tenho saca-rolhas.
	E comida chinesa  prosseguia Mike.  Achei que estaria com fome.
	Pois errou.  Mas o cheiro da comida a alcanou, e seu estmago rebelou-se, roncando alto.
Mike interpretou o fato como mudana de ideia e olhou ao redor.
	Onde est o microondas?
	Mike, foi tudo um grande erro!  Com o ex-noivo ali em sua frente, Willow tinha certeza disso agora. Haviam errado ao fugir dos problemas em vez de encar-los, mas era tarde demais para mudar a situao.  Concordamos com o desfecho, despedimo-nos. Por favor, no torne as coisas mais difceis...  Fez pausa. Difceis, no, ela optara por aquilo.
Mike no pareceu notar seu deslize.
	Acha que quero estar aqui? E difcil para mim tambm, querida. Mas vai precisar de ajuda, se quiser este local pronto a tempo. Parece que no h muitos voluntrios.  Alojou as caixas de comida chinesa no microondas e ligou o aparelho. 
O fato de termos desistido do casamento no implica que no podemos nos comportar como adultos civilizados, Willow. Ainda
podemos ser amigos.
	Amigos!  Ela revoltou-se. No queria ser amiga do ex-noivo.
	Por que no? Gosto de voc. Gosto muito.  Mike notou sua expresso desconfiada.  O que foi? Com certeza, no acre
dita que eu tenha me envolvido s porque voc era boa de cama...  Ela no respondeu.  Vamos, Willow. Precisamos nos esconder por algum tempo. Vamos nos ajudar. Em nome dos velhos tempos.
	No temos velhos tempos. Conhecemo-nos h poucos meses.
	Cinco meses, duas semanas, quatro dias. S porque cometemos o erro de quase nos casarmos... no significa que te
mos de atravessar a rua para nos evitarmos, no ?  Ele estendeu a mo.  Paz?
	Paz?  repetiu ela. Mike parecia inocente demais para ser confivel. Com o detalhe de que ela confiava totalmente nele.  Amigos?
	Bons amigos, espero.
Era um erro. Willow tinha certeza. A atrao entre ambos fora irresistvel desde o primeiro instante, e no diminura naqueles cinco meses. Mas Mike tinha razo quanto a um aspecto. Seus conhecimentos sobre pintura e decorao cabiam em um selo. Em um selo bem pequeno.
E os chals ficavam em um lugar isolado. Seria bom saber que havia mais algum por perto, se o piso comeasse a ranger no meio da noite.
Apertou a mo dele, selando o acordo.  Apenas bons amigos?  No devia ser uma pergunta, e a voz devia ter sado mais firme, repreendeu-se Willow.
Mike prolongava o cumprimento, e ela teve certeza de que a afirmao de que manteriam a relao a nvel platnico no passava de artimanha. Finalmente, ele soltou a mo e olhou ao redor, avaliando o trabalho a ser feito.
	 um tanto espartano  comentou ele. Willow saiu do devaneio e pensou nos belos armrios de cozinha na casa nova, que tanta irritao lhe causaram.  Aquela parede podia ganhar umas prateleiras...
	Tem razo. Conhece um bom carpinteiro?
	Conheo.  Mike voltou-se para ela outra vez.  Acho que no tem clices de vinho aqui, acertei?
	Copos descartveis, apenas.
	Ento, teremos de nos contentar com isso.  Ele tirou um canivete suo do bolso traseiro e destacou a ferramenta
saca-rolhas para abrir a garrafa de vinho.  Pratos?
	De papel.
	Palitinhos?	
	Garfos de plstico.
Mike riu.
	No h perigo de brigarmos na hora de lavar a loua.
	Amigos no brigam, concorda?
	Ser?  Ele sacou a rolha.  Talvez no. Se bem que nunca brigamos.  Serviu a bebida nos dois copos de plstico que Willow providenciara.  Sempre tivemos coisas melhores a fazer.  Viu Willow verificando as caixas de comida no microondas.  Como est a?
Doloroso. Fora to idiota. Deviam estar no apartamento de Mike naquele instante. Ou no dela. Aninhados um ao outro, com nada melhor a fazer do que estar juntos. Se tivesse permanecido na cama naquela noite de domingo, cedendo  vontade do homem que amava... Mas, no, estaria desrespeitando suas prprias regras.
Ela se achava to esperta. Mas no era. Arrogante e estpida, agora pagava o preo.
Mike obviamente nunca quisera se casar, ou no teria fugido da igreja. Apenas deixara-se levar pelo calor do momento.
Mas qual era a desculpa dela? Deixara-se seduzir por um par de olhos cinza que lhe prometiam o paraso? E enviaram...
	Mais alguns minutos para esquentar tudo, acho.  Willow esboou um sorriso, voltou-se e pegou o copo de vinho que ele lhe oferecia.  Ento, qual  o brinde, Mike?  grande fuga?
Ele remexeu o maxilar, mas conseguiu sorrir tambm.
	Claro, por que no?  Sorveu um gole mnimo.  Por que no me mostra tudo enquanto esperamos?
	No h muito para se ver.
O centro de frias fora reformado a partir de uma srie de chals, e todos os quartos se abriam para um nico corredor, com uma escada em cada ponta.
	Embaixo ficam a cozinha, a sala de jantar, a sala de jogos e a sala de descanso.  Willow tomou a frente, abrindo as portas sem se deter, e pegou a escada rpido, para no sentir o hlito quente de Mike na nuca.  Em cima, dois grandes dormitrios com beliches para as crianas  prosseguiu.  Chuveiros e pias. Meninas aqui. Meninos ali. Sanitrios. Dois quartos pequenos para os monitores.
Mike abria as portas e olhava o interior. Viu o saco de dormir de Willow em um dos quartinhos. A bolsa. O local parecia solitrio. O segundo quartinho parecia ainda mais solitrio.
	E trabalho demais para uma pessoa s.
	No sou s eu. Haver mais pessoas. Aposto como o telefone de Emily toca o dia inteiro  declarou Willow, desafiadora.
 Por favor, no se sinta obrigado a ficar.
	No me sinto. No tenho mais nada para fazer. Vou ficar porque quero.
Mike encarou a mulher que desejava a ponto de sentir dor. Para atra-la, para mant-la, comprometera sua vida, fingira ser outra pessoa. E, de algum modo, ela sabia disso. No racionalmente, talvez, mas no corao, onde importava. Willow sabia que havia algo errado.
Desta vez, faria direito. Se ela fugisse novamente, seria por rejeitar o homem que ele era de verdade, no o homem que ele tentara ser.
	Prometo, Willow, que de hoje em diante viverei segundo minhas regras.  Imaginou detectar hesitao no rosto determinado.  Nada mais de falsidade e compromissos. Willow segurou-se na maaneta com fora.
	Nosso relacionamento era isso para voc?  questionou, deixando transparecer a mgoa.  Uma falsidade? Um compromisso?  Quando ele se aproximou, ergueu a mo, guardando distncia.  A verdade, Mike.
A verdade. Mike queria lhe dizer que o relacionamento fora a nica verdade naquela histria toda, mas a pergunta no era essa.
	Sim  admitiu.  Eu estava me comprometendo, fazendo coisas que no queria. E voc?
	Sim, claro que eu tambm estava.  Ento, para no continuarem, ou ela choraria, lembrou:  A comida j deve estar quente.  Voltou-se e desceu a escada apressada para se afastar do ex-novo.
	Est uma delcia!  Sentada de pernas cruzadas no cho do chal, Willow espetou um camaro.  Onde comprou?
	Em Maybridge. H um pequeno restaurante l onde a comida  especial.
Ela ergueu o olhar. Maybridge? O que ele fora fazer em Maybridge? Estaria voltando? Retomando sua vida anterior, aquela que tivera antes de a doena do pai for-lo a assumir o jornal?
	E bonito por l, junto do rio.
	Sempre quis lev-la l...  Mike deu de ombros.  Mas ter toda Londres para explorar quando estiver trabalhando l.
Willow no se importava com Londres. Queria saber sobre Maybridge.
	Voc trabalhava l... antes de seu pai ficar doente?  Depois que Mike confirmou, observou:  Nunca falou sobre isso.  No que ela no se interessasse. Mike sempre dera um jeito de desconversar.  Estava brigado com seu pai, no ? 
	 o que comentam na redao?
	.
	No tnhamos brigado, Willow. Simplesmente, eu no me animava com os balanos financeiros, com os lucros provenientes da propaganda... Precisava de outra coisa. Meu pai no entendia. Sendo assim, eu procurava me manter afastado.
	E encontrou o que procurava, Mike? Em Maybridge?
	Em parte.  Ele ergueu o olhar.  Ento, voltei para casa e encontrei a outra parte.
O olhar dele dizia que ela era o que lhe faltava. Ela no se conformava com o fato de ter sido to desatenciosa, to egosta a ponto de no perceber o que o perturbava.
Recostado na parede, Mike voltou a saborear o jantar.
	Nunca fala de si mesmo, no ?  comentou Willow, em tom de reprimenda.
	E um hbito.
Ele ergueu o sobrolho.
	Fim do interrogatrio?
	E.  Willow percebeu que Mike queria que ela o pressionasse, que insistisse. Mas por que faria isso? J tinha outra vida planejada. Uma que no o inclua.
	Desculpe-me, Mike... por comprometer sua tomada de controle da empresa. Seu pai ainda vai transferir o jornal para voc?
	Temo que sim. As Publicaes Armstrong so mais importantes do que um pequeno constrangimento pblico. Daqui
a uma semana ou duas, ele vai se convencer de que voc foi a culpada.  bom em se iludir.
	No seja cruel! Ele ama voc.
Mike queria sua vida em Maybridge. Willow queria trabalhar no jornal de Londres. Tinha de haver uma maneira de encaixar ambas as realidades dentro de uma vida em comum.
	Quer mais, ou posso acabar? Willow?
	Hum? Oh, v em frente. Pode acabar. No estava com tanta fome quanto imaginei. Na verdade, acho que vou tomar banho e depois tentar dormir.
	Vai ficar bem sozinha l em cima?
	Por que no ficaria?
	Por nada. Grite, se quiser que eu mate aquela aranha no chuveiro.
	Aranha?
	Uma preta, enorme, com patas cabeludas. Estava l quando passamos na rpida excurso.
	Vou usar o chuveiro dos meninos.
	Willow...
	O qu?
	Nada, querida.  Mike sorriu.  Pode deixar que eu tranco tudo aqui embaixo.
Ela subiu a escada ouvindo a risada dele. Que risse, pois ela no gritaria por socorro. Podia lidar com uma aranha. Se precisasse.
Willow ignorou o banheiro feminino e entrou no dos meninos. Abriu o registro do chuveiro, ajustou a temperatura, despiu-se e percebeu que tinha um problema pior do que aranhas.
No tinha sabonete, nem toalhas.
Vestiu uma camiseta limpa tirada da bolsa de roupas e foi at o topo da escada.
	Mike!  Quando o viu ao p dos degraus, pediu:  Pode me jogar aquela barra de sabo da pia da cozinha, por favor?
Em vez de jogar, Mike entregou o sabo em mos.
	E meio rstico.
	Est timo. S preciso de algo que remova a tinta. Por acaso, no trouxe toalhas, trouxe?
	Infelizmente, no, tambm sa correndo. Peguei s um barbeador e algumas roupas. Na verdade, pensava em pernoitar em um hotel.	
	Pode tentar o restaurante. Tambm dispe de quartos.
	Parece convidativo. E voc?
	Estou bem aqui...
	Nesse caso, vou me secar com uma camiseta.  Ele riu.  Pode us-la tambm, se quiser.
	Obrigada, mas tenho a minha.
	A minha  maior.
	No conte vantagem, Mike.  Ela pegou o sabo.  O que est fazendo?  indagou, ao v-lo despir a camiseta e desafivelar o cinto. Ele tirou a cala e entrou debaixo de um dos chuveiros.  Mike, no pode fazer isso!
Ele atirou a cueca na pilha de roupas.
	Quando usa o banheiro dos meninos, querida, tem de estar preparada para partilhar.  Abriu o registro.  Escolha. As aranhas ou eu.
Willow sabia que era tolice, mas no podia aceitar.
	Mike, isso no cabe aqui. Voc rompeu o noivado.
	Outras pessoas deram para trs tambm, mas no estou reclamando. Ningum disse que voc tem de olhar.
	No estou olhando!  Willow bateu o p, mas, sem sapato, podia ter poupado a energia.
	Passe o sabonete, sim?  Ele estendeu a mo, e Willow entregou a barra.  Quando bater o p, na prxima vez, cuidado com o besouro. Ele no fez nada para voc.
	Besouro? Espera que eu caia nessa?  Ento, ela sentiu algo no p, gritou e pulou para junto do ex-noivo debaixo do chuveiro.  De onde veio isso?
	Daqui!  Quando Willow tentou se retirar, Mike bloqueou a sada.
	Seu rato!
	Ningum  perfeito.  Ele ergueu os braos para ensaboar os cabelos, roando o corpo no dela.
	Com licena.  Willow encolhia-se, tentando evitar o contato.  Estas baias no foram feitas para duas pessoas.
Ele a abraou na cintura.
	Cuidado, aquele besouro continua l esperando por voc.
	Por favor, Mike...
	Devia tirar a roupa, sabe. Vai pegar um resfriado.
Ela engoliu em seco, mas no conseguia desviar o olhar, nem se desvencilhar, embora ele no a segurasse com fora.
	Nosso relacionamento acabou.  Embora verbalizasse o pensamento, seu corpo traidor enviava uma mensagem totalmente diferente.
	Srio?  Sem aguardar rplica, Mike a beijou, terno e gentil, dando-lhe a chance de recusar.
A princpio, Willow no resistiu. A gua morna escorria por seus cabelos, ensopava-lhe a camiseta e a calcinha, deixando-a lnguida.
O beijo era como mel em sua boca. Ento, juntando foras, apoiou-se nos ombros musculosos e afastou-se. Mike no a impediu.
	Tem certeza de que nosso relacionamento acabou?  questionou ele, vitorioso.
	Tenho. Quero me dedicar a minha carreira. No sei o que voc quer.
	Quero voc.
Willow no tinha dvida. Conhecia aquele olhar e engoliu em seco, nervosa.
	Ento, como explica almoarmos em um restaurante de beira de estrada, em vez de nos regalarmos com salmo defumado e champanhe?  Bateu o cotovelo no registro e desistiu de dizer algo rude para mascarar a mgoa que sentia.
	Tem razo. Estas baias definitivamente foram projetadas para ocupao individual  concordou Mike, examinando seu brao.
	 bsico. Mas pelo menos as torneiras no tm aquele acabamento dourado horrvel...
Ambos lembraram-se do boxe de chuveiro imenso na casa que ocupariam depois de casados.
	Ainda bem.  Mike a fitou.  Pensei que gostasse delas. Ficou to animada quando meu pai nos mostrou a casa.
	Ele estava nos dando um presente de casamento. O que esperava que eu dissesse?
	No gostou das torneiras douradas?
Willow deu de ombros.
	So um tanto... exageradas para o meu gosto. E voc?
	Prefiro coisas mais simples e funcionais.
	Ento, deveria se contentar com este cubculo. Mas, se j acabou, ficaria grata se sasse e me deixasse tomar banho... sozinha... em paz.
Ao deixar a baia, Willow encontrou Mike j de cala, enxugando os braos com a camiseta. Ela tambm se secou o melhor que pde. Pouco depois, sentindo-se nua s de short e camiseta mida, estremeceu de frio.
	Est esfriando, no?
	No estou sentindo.
Separaram-se  porta do quarto dela.
	At amanh  despediu-se Willow, constrangida.
Parecia errado dormirem separados. Seria to bom adormecer nos braos do ex-noivo, dispersando a sensao de que pulara em um penhasco sem pra-quedas.
	Nunca acordo antes das nove e meia no domingo  alertou ele.  E tomo ch com trs colheres de acar.  Mike sorriu ao inclinar-se e beij-la rapidamente.  Mas voc j sabe disso.
Willow fechou a porta, para no ceder  tentao de pux-lo para dentro do quarto.
Willow sempre acreditara que o campo fosse um lugar calmo. No havia trnsito para incomod-la, era verdade, mas o chal emitia sons  medida que o ar se resfriava, causando a atrofia do madeiramento que se dilatara nas horas mais quentes. No sto, pequenas criaturas se moviam. Ratos. Ou morcegos.
Mas no eram esses seres que a mantinham acordada. Sentia o corpo dolorido devido ao esforo de pintar paredes, mas seu crebro recusava-se a se desligar, relembrando sem parar os eventos daquele dia.
Que desastre.
Pegou o telefone celular e o ligou. O cone que indicava mensagem eletrnica piscava no modo urgente. De hora em hora, a me lhe pedia que entrasse em contato. O pai solicitava apenas que enviasse uma mensagem garantindo estar bem. Devia t-los acalmado havia horas. Havia ainda Crysse, quase incoerente em sua incapacidade de entender o que acontecera.
Willow no imaginava ser possvel sentir-se pior. Pensou em tranquilizar a prima, mas ela no atendia ao telefone. At as secretrias eletrnicas recusavam-se a ouvir suas desculpas.
O pai, entretanto, atendeu ao primeiro toque, como se aguardasse sentado ao lado do telefone. Ele no lhe perguntou onde estava, s como se sentia.
Ele no teve coragem de lhe contar que Mike tambm fugira. Willow quis esclarecer, mas o pai desligou, avisando que a me se aproximava. Mordiscou o lbio. Apesar da preocupao do pai em poup-la, no se sentia melhor. S uma pessoa podia ajud-la, e essa se encontrava no fim do corredor. Olhou ao redor, procurando uma aranha que justificasse abordar para Mike e posicionar seu saco de dormir junto ao dele.
Esse era o problema com as aranhas. Elas nunca apareciam quando se precisava delas.
Willow respirou fundo. No precisava de aranha nenhuma, estava bem. Tinha uma vida para planejar... uma que no inclua Mike. Com vontade de chorar, pegou um leno de papel para enxugar o nariz. No tinha tempo para lamentaes.
Mike ouviu o telefone de Willow emitir o sinal de mensagens gravadas. Ela ligaria para Crysse. Ou para a me. Nenhum dos telefonemas seria agradvel. Devia ter descoberto uma maneira de mant-la junto de si. Willow no devia passar a noite sozinha, no escuro, em um lugar estranho.
Bem, talvez no fosse tarde demais.
Pegou o celular e enviou-lhe uma mensagem eletrnica.
O telefone de Willow tocou novamente. Uma mensagem de texto desta vez. Crysse?
Voc est bem a?
Mike.
Muito bem, digitou, e despachou a mensagem.
Outro toque.
Nenhuma aranha, besouro ou centopeia?
Centopeia? Agh! Aquilo era golpe baixo. Mike sabia que ela detestava aqueles bichos, bem como que estava deitada no cho, no escuro, em um saco de dormir, s com a luz do telefone para aliviar. Era fcil acreditar que qualquer fiapo de tecido roando no calcanhar constitua algo pior. Mordiscou o lbio, convencendo-se de que no^era uma boboca.
S morcegos. Alguma ideia?
Fechar as janelas?
Prefiro me arriscar com os morcegos. Boa noite.
Mike riu.
Ouvi algo na escada. Este prdio  mal-assombrado?
Willow ignorou a provocao. O telefone tocou de novo. Teve de atender.
Grite, se precisar de mim.
Muito engraado. No havia nada ali incomodando-a, exceto o homem no fim do corredor.
Por outro lado, por que sofrer sozinha?
Gritou.
Mike surgiu a sua porta em um instante, sensual, s de calo cinza e cenho franzido.
	O que foi? Algo errado?
Willow considerou inventar que havia algo no saco de dormir, mas no teve coragem.
	Apenas testando  explicou.
Por um momento, Mike permaneceu imvel.
	O sistema funcionou.
	Muito bom.
	E. Boa noite.
	At.  Sorridente, Willow agitou os dedos dos ps fora do saco de dormir. Mike saiu fechando a porta. Vasculhou a bolsa e pegou a barra de chocolate que comprara, prevendo o ataque de ansiedade. Devorou-a.
	Ch, trs colheres de acar.
Mike tirou a mo do saco de dormir e gemeu enquanto verificava o relgio de pulso.
	So seis e meia, mulher. Que atentado  esse?
	Ningum disse que tinha de se voluntariar.  Willow acreditava que sua vida se simplificaria bastante se o ex-noivo fosse embora. Ficaria mais triste, mas mais simples.  O sol est brilhando e tenho uma sala para pintar.  Pousou o copo plstico ao lado dele.
	No ganho caf da manh?
	Se queria servio de quarto, devia ter se hospedado na pousada.
	No posso trabalhar o dia inteiro s com um copo de ch no estmago.  Mike sentou-se, passou a mo nos cabelos e pegou o copo.  Dois ovos.  pedir muito?
	Em absoluto. Vai encontrar ovos na geladeira. E Emily at deixou uma frigideira.
	E voc? J tenho problemas bastante sem voc desmaiar na escada. O caf da manh  a...
	...refeio mais importante do dia. Eu sei.  Willow tentava parecer irritada, mas era difcil. Ver os ombros fortes de Mike causava-lhe desejo. Desistir do casamento no diminura sua atrao por ele.  Confesse, Mike, foi minha me o mandou aqui, no foi?
Evocar o espectro da me devia bastar para quebrar o encanto. Infelizmente, Mike sorriu, afetando-a ainda mais.
	Estou vendo que no adianta conversar com voc. Voc pinta,  eu preparo o caf da manh.
Mike preparou-se para sair do saco de dormir, e Willow retirou-se rpido. Sabia que ele estava nu. Na escada, deteve-se.
Mke devia ter pego seu jornal na mesa do restaurante e deduzido qual seria o destino dela. Mas o saco de dormir dele no era novo. Onde o arranjara?
Em Maybridge. Ele tinha pertences naquela cidade? Ainda mantinha apartamento ou casa l? O que havia em Maybridge, que continuava a ser segredo?
	Ter de preparar seu caf da manh sozinho daqui para a frente  avisou, ao ver o ex-noivo na sala cujas paredes pintava. Ele vestia s a cala jeans, provavelmente porque a camiseta no secara durante a noite.
E continuou:
	No serei mais um transtorno logo cedo.  Percebeu que ele no tinha pressa.  O que vai fazer agora?
	Preparar um sanduche de ovo. Quer tambm?
	No, obrigada. Eu me referia ao trabalho no chal. Onde vai comear a pintar?
	No vou pintar. Vou a uma loja de materiais de construo. Quer vir junto?
Willow ficou boquiaberta.
	E ser vista em pblico com voc aps ontem? Arriscar-me a deparar com algum conhecido? Iramos parar na coluna de fofocas da revista.     ''
	 verdade, mas vou naquela loja mais longe, perto do centro comercial.
	Perto de Maybridge?
Ele riu.
	Essa mesma. Tem certeza de que no quer vir? Podamos passear no parque junto ao rio. Alimentar os patos  sugeriu, tentador.  Almoar em um lugar tranquilo.
Willow tirou o excesso de tinta do pincel.
	Temos um trabalho a fazer.
	Vou comprar madeira para fazer umas estantes na cozinha.
	Voc?
	Eu.
	No acha que devia perguntar a Emily antes de fazer isso?
	Emily?
	 a coordenadora do projeto. Pensei que tivesse lido meu artigo no jornal. No foi assim que descobriu onde eu estava?
	Pensei que tivesse deixado o jornal l justamente para eu ler a reportagem e deduzir.  Ao ver Willow indignada, tentou aplacar:  No se preocupe, no vou cobrar as prateleiras.
	No foi o que eu quis dizer...
	Quer saber se sei usar martelo e talhadeira?
	E sabe?
	S porque nunca me viu usando nada mais perigoso do que uma caneta-tinteiro, Willow, no significa que eu no saiba manejar ferramentas.
	H muito sobre voc que no sei... considerando que amos nos casar.  Por exemplo, por que ele desistiu do casamento?
 Em que pensava ao me esperar no altar da igreja, Mike?

CAPITULO IV
	Willow...
 No!  protestou ela, erguendo a mo.  Esquea o que eu disse. Por favor.  Algumas perguntas ficavam melhor sem resposta.
Por um instante, pareceu-lhe que Mike contaria, de qualquer forma, mas ele deu de ombros e desistiu.
	De que cor ser a cozinha?
	Branca.  Willow irritava-se com a facilidade com que ele mudava de assunto. S porque uma pergunta no devia ser feita, no significava que ela no quisesse saber!
	Estantes vermelhas, ento? Ou amarelas? Ou ficaria muito bvio?
	Roxas, verdeSj azuis, rosa com bolinhas laranja. As estantes so suas, voc decide.
	No precisa ficar agressiva porque a taxa de acar no seu sangue est baixa. No quer mesmo tomar um caf da manh?
	No.
Mas seu estmago roncou quando o aroma dos ovos chegou at a sala de jogos, onde trabalhava. Acabara de pintar um lado do ambiente quando Mike a interrompeu novamente.
	Pois bem, j provou do que  capaz. Agora, faa uma pausa e tome um caf.  Ele lhe estendeu a caneca, e ela aceitou.  Que tal uns biscoitos de chocolate?
	Conhece minhas fraquezas.
	Intimamente  confirmou ele.
Willow tirou um biscoito do pacote.
	Bilhete para o crebro  murmurou.  "Pense antes de abrir a boca."
	No faa isso. Nunca faa isso. Sempre diga o que est no seu corao...  Mas ele tambm pareceu pensar duas vezes, e faltaram-lhe as palavras. Vou  loja. Ficar bem aqui sozinha?
Willow bufou.
	Parece at que sou uma incapaz.
Mike riu, e o momento de tenso passou.
	Recuso-me a comentar porque sou suspeito. At mais.
	Mike!  Ela se arrependeu do grito ao v-lo se voltar.   melhor levar a chave. Pretendo ir  vila comprar umas coisas, como xampu.
De repente, Willow lembrou-se da pilha de toalhas brancas macias que sua tia-av mandara de presente. Estavam em seu apartamento, junto com todos os outros presentes, aguardando a transferncia para a casa nova. Teria de devolv-los com alguma explicao. Uma tarefa que ningum poderia realizar em seu lugar.
	Tem uma cpia na gaveta da cozinha. Quer que eu compre alguma coisa para voc?
	Vou lembr-la da resposta que dei antes  replicou Mike.
Willow recordou o que haviam conversado. Quando identificou o momento em que Mike se recusara a responder sobre si mesmo, ele j partira com sua caminhonete de trao nas quatro rodas.
Willow percorria os corredores do armazm de Hinton Mar-lowe  procura dos itens de primeira necessidade que se esquecera de pegar na hora da fuga. Todos, na verdade, exceto a escova e o creme dental que sempre carregava na bolsa. Sabonete lquido para banho e xampu. Creme para as mos. Luvas de borracha tambm pareciam teis. Voltou-se para um funcionrio que abastecia as prateleiras.
	Por acaso, vocs no vendem toalhas, vendem?
Ele ergueu o olhar, levantou-se e sorriu.
	Acho que temos toalhas de rosto ali, perto do sabo em p...
Willow o seguiu pelos corredores encantada com seu gingar sensual na cala jeans.
	Ser que servem?
Ela apostava como o rapaz estava na lista de compras de todas as mulheres em um raio de trinta quilmetros da vila. As toalhas eram pequenas, porm grossas. Melhor que nada.
	Servem, sim, obrigada.
Willow pegou mais produtos e alimentos suficientes para alguns dias e foi  caixa registradora. O mesmo rapaz veio atend-la.
	Mudou-se para a vila?  indagou, enquanto contabilizava as compras.
Ela abriu a carteira e ergueu o olhar.
	No. Por qu?
	Est pintando a casa.
Willow trocara de camiseta antes de sair.
	So os seus cabelos  esclareceu ele.  Tem respingos azuis.  Sorriu com a confiana de um homem que sabe que
no precisa se esforar muito para agradar.  Mas ficaram bem em voc.
	Obrigada... acho  respondeu ela, lembrando-se de que Mike dissera o mesmo ao limpar a tinta em seu rosto com o polegar.
	E ento, tia Lucy ter o prazer de t-la como cliente? O armazm da vila  o centro da comunidade, e tia Lucy  dona deste aqui.
	Oh, sim. Quero dizer, no.
Ele sorriu, divertido.
	 sempre assim to indecisa?
Oh, por favor! Dispensava flertes nesse momento de sua vida.
	No vou morar aqui, s estou ajudando a pintar os chals de Marlowe Park.
	Ouvi dizer que esto procurando voluntrios. Talvez me candidate.
No pensei que tivesse tempo disponvel.  Willow percebeu que desencorajava o rapaz. Precisavam de ajuda, afinal. Mas no queria dar a entender que estava ansiosa pela companhia dele.
	Por causa da loja? S estou ajudando tia Lucy por alguns dias, carregando caixas, abastecendo as prateleiras durante o dia.  Ele fez pausa, convidando-a a indagar o que ele fazia  noite. Willow ignorou a deixa.  O rapaz que trabalha aqui est de frias. Uma ajuda de meio perodo seria bem-vinda no chal?
	Quanto mais ajuda, menos trabalho para cada um  safou-se ela.  Telefone para Emily Wootton, se quer se tornar voluntrio. Tenho o nmero anotado.  Encontrou a agenda e transcreveu o telefone de Emily em um pedao de papel.
	Obrigado...  Ele ergueu o sobrolho, como se indagasse seu nome.
	Willow. Willow Blake.
	Obrigado, Willow.  Ele estendeu a mo.  Jacob Hallam.
	De nada, Jacob.  Ela o cumprimentou rapidamente, pagou as compras e se retirou apressada, antes que o rapaz se prontificasse a fechar a loja para irem conversar em um bar sobre tcnicas de pintura.
Voltou ao chal, ao mesmo tempo temerosa e ansiosa por reencontrar Mike, saudosa de abra-lo, toc-lo...
Conduziu o veculo para o estacionamento atrs dos chals com o corao disparado em expectativa, mas viu apenas o furgo velho de Emily.
Encontrou-a no andar superior, pintando um dos dormitrios.
	Parece que arranjou companhia  comentou Emily, mergulhando o pincel na tinta.  Mike me telefonou hoje cedo.
	Ah, ?
	Importa-se com a presena dele? Posso dispens-lo, se voc quiser.
	No, sei lidar com ele.
	Que bom. Ele se ofereceu para fazer prateleiras na cozinha e, com certeza, precisamos.
	Espero que ele saiba o que est fazendo.  Willow imaginou Mike sem camisa, serrando tbuas, coberto de suor...  Talvez tenha conseguido um novo recruta. Jacob Hallam. Ele est ajudando a tia no armazm da vila. Passei-lhe o seu telefone.
Emily sorriu animada.
	Agora, entendo meu erro. No devia ter convocado voluntrios apelando ao sentimento de bondade, mas publicado uma foto sua bem grande no jornal com a legenda: "Venham se divertir com Willow Blake". Haveria briga pelo privilgio.  Lembrou-se do motivo de Willow estar ali e mudou de assunto.  Trouxe sanduches. Esto na geladeira, se estiver com fome.
Willow forou-se a comer um sanduche antes de voltar ao trabalho, sempre  espera de Mike. Quando ele finalmente chegou, continuou trabalhando, recusando-se a demonstrar o quanto sentira sua falta. Ele no a procurou imediatamente, tampouco. Ela o ouviu conversar com Emily e, depois, o som de uma serra eltrica manual.
Ainda tentou ignorar as atividades dele, mas, aps algum tempo... com a desculpa de precisar esticar as pernas, olhou pela janela e viu Mike medindo, marcando, cortando a madeira.
Ele realizava o trabalho braal com a mesma familiaridade com que analisava os relatrios contbeis. E parecia  vontade no meio de toda aquela serragem. Ela desejou tocar nos braos musculosos, nas costas...
Queria agrad-lo, cuidar dele, envelhecer com ele, acompanh-lo aonde quer que a vida os levasse. Sendo assim, como, apesar de tudo, podiam ter dispensado o que lhes cara do cu?
Willow continuou observando-o, mas ele no olhou em sua direo nem uma vez.
Mais tarde, ela ouviu Mike entrar na sala de jogos, mas no se levantou. Trabalhava junto ao cho e no se levantaria enquanto no conclusse a tarefa.
Ele no falou nadai ?s pousou as mos em seus ombros delicados. Ela se sobressaltou, mas relaxou quando ele passou a lhe massagear os msculos tensos. Que delcia... Mike parecia saber exatamente onde pressionar, e ela no queria que ele parasse. Nunca.
No era justo.
	Onde esteve o dia todo?  indagou Willow, tentando se esquivar.  No leva tanto tempo comprar algumas tbuas de adeira.
	Sentiu a minha falta?
	Como senti no altar!
	Sei.  Ele se agachou.  Sabe, no  um teste de resistncia, Willow. Pare um pouco. Venha, vamos comer algo.
	S quando tiver vontade.
Mike no discutiu e levantou-se.
	 melhor decidir logo. Est ficando torta.  Desculpou-se com um gesto ante o olhar severo dela.  Est bem, est bem, foi s uma sugesto.
To logo ele se retirou, Willow levantou-se, pousou o pincel sobre a lata aberta e tirou as luvas de borracha. Como ele se atrevia a lhe dizer que estava torta? Por que estaria torta?
Foi  cozinha, pegou a chaleira e a encheu com gua.
	Onde est Emily?
	J foi. Avisou que tentar vir amanh  tarde. Gostaria de jantar comigo no restaurante da pousada esta noite?
	Deste jeito?
Mike controlou-se e no confessou que nunca a vira mais linda. Willow provavelmente lhe atiraria a chaleira, com razo.
	 o restaurante ou sanduches novamente. Voc escolhe.  bom lembrar que s temos uma frigideira aqui. A noite est quente... Podamos nos sentar ao ar livre.
	Com certeza, voc sabe entreter uma garota.
	Fui eu que sugeri aproveitarmos as passagens para Santa Lcia, lembra-se? Mas voc achou que aqui seria mais diverti
do.  Ele se postou bem atrs dela, ansioso para toc-la.  No tem de se punir, querida  afirmou, gentil.  Voc no fez nada de errado.
Ela se voltou e o encarou.
	Conseguiria que minha me assinasse embaixo?
	Ela no foi a nica a errar, sabe.
	Sei. Eu devia ter sido mais firme com relao s damas de honra.  Willow ligou a chaleira ltrica.  E com o bolo.
No era preciso um bolo to grande. O que acha que aconteceu com ele?
Mike no ligava a mnima para a festa abortada. Pensava no pai e na casa infeliz que lhes dera de presente. Mas aquele era seu pesadelo, no dela. Bem, concordaram em que as torneiras douradas eram horrorosas...
	Tenho certeza de que o bufe dar um jeito.
	Mas tinha os nossos nomes e a data na cobertura...  Willow deteve-se.  Que bobagem. Eles raspam e escrevem outra coisa no lugar em dez minutos.  Respirou fundo.  Isso me consola. Detesto desperdcio...  Voltou-se. Mike ainda estava ali. Pousou a cabea em seu trax. Ele a abraou.
Era um abrao amigo. Amigos confortavam-se, no? Ele a amava, e desejava. Se pudesse recuar no tempo,  hora do casamento...
Que bobagem. Ela no aparecera na igreja. Ele podia ter esperado at virar p, e ela nunca teria aparecido. No o quisera como Michael Armstrong, herdeiro das Publicaes Armstrong, uma empresa prspera em uma cidade prspera. Por que o que- , reria como Mike Armstrong, dono de uma pequena marcenaria com lista de espera de dois anos, que nunca produziria mais do que um ou dois mveis por ms?
No tentou segur-la quando ela se afastou enxugando as lgrimas com as costas da mo.
	Vou fazer o ch...
Mike destacou algumas toalhas de papel e enxugou-lhe o rosto.
	 o cheiro da tinta  justificou ela.  Irritam os meus olhos.
Ele no a contrariou.
	Voc precisa de ar fresco, acho. Podamos ir andando at a vila.
	D-me algumas horas para retirar a tinta.  Willow deu outra fungadela, voltando-se para no cair na tentao de se apoiar naquele trax amplo e convidativo.
Ele tinha razo, deviam sair, cercar-se de gente. Afastou os cabelos do rosto.         ''
	Devo estar parecendo uma bret da Idade Mdia.
	Uma bret da Idade Mdia que acaba de tomar aulas de pintura no corpo.  Mike enterneceu-se ao v-la rir como esperara, e nunca foi to difcil se conter.  Tem vinte minutos.
Havia meia dzia de toalhas novas no banheiro. Grandes, macias e cor de cereja. Emily devia ter adivinhado que estavam precisando delas. Willow encostou uma delas no rosto. Cheirava a... madeira. Mike exalara o mesmo odor no dia em que lhe levara aquela linda mesinha. E no se tratava de cheiro de madeira polida. Era como se ele tivesse manuseado a matria-prima bruta.
Mike lhe dera a mesinha na ltima noite que passaram juntos antes do casamento. Estava muito nervosa, desejando externar suas dvidas, desabafar o que sentia. Mas calara-se, atribuindo as dvidas ao nervosismo que toda noiva sofria antes de dar o maior passo de sua vida.
Ficaria tudo bem. Se no titubeasse, ficaria tudo bem.
Mike parecera perturbado tambm, e sara para tratar de alguns assuntos. Ela quase sentira alvio.
Agora, segurava a toalha junto ao rosto, sorvendo o aroma, sentindo-se fraca por desejar que Mike a abraasse, que a amasse com a mesma paixo que os transportara para outra dimenso, onde ambio, carreira e providncias para o casamento no existiam. Quando ele a abraava e sussurrava palavras de amor, nada podia atingi-los.
Largou a toalha bruscamente. No fora Emily quem as trouxera. As toalhas pertenciam a Mike, mas nunca as vira no apartamento dele em Melchester. As toalhas l eram azuis.
E da? No eram mais da sua conta. S que, debaixo do chuveiro, no conseguia parar de pensar nisso. Mike tivera algum tipo de moradia em Maybridge. E, aparentemente, ainda tinha. Talvez a dividisse com algum e por isso no quisesse tocar no assunto...
Zangada, ignorou as toalhas grandes e macias e usou as de rosto, que comprara no armazm. Sem pressa, maquiou-se, pen7 teou-se e, em vez de camiseta, vestiu um suter de linha azul que jogara na bolsa junto com as roupas ntimas na hora da fuga.
Mike, de cabelos midos e braos bronzeados, nunca lhe parecera to relaxado e tranquilo. Ou to sedutor. Mas Willow manteve a distncia.
	Fica longe?  indagou ela.
	A cerca de um quilmetro, ideal para abrir o apetite.
	Fale por si. Trabalhei o dia inteiro, j estou com fome.
Willow sentiu o olhar dele. Sabia que ele franzira o cenho, imaginava as rugas no espao amplo entre os olhos cinza. Sabia tudo sobre ele. Como ele era, como sorria, como reagia quando ela tocava em sua mo, seu ombro, seu rosto.
Mas aquilo era superficial. O que se passava na cabea dele? Percebeu que no sabia. Ela tivera um motivo legtimo para fugir do altar. Mas o que o motivara a mudar de ideia?
E o que o fizera ir atrs dela?
Willow mantinha o olhar na trilha, adiantando-se quando havia espao s para um, mantendo o passo para no terem de conversar.
Mike a deixou avanar. No queria pression-la. Willow sentia-se confusa. Raios, ele se sentia confuso. Racionalmente, sabia que tinham tomado a atitude correta. Mas o corao, que o metera naquela encrenca, recusava-se a abrir mo de Willow. No podia ficar sem Willow.
Ele a alcanou junto ao porto da propriedade junto  estrada.
	Espere, qual  a pressa? Isto devia ser um passeio, no um teste de resistncia.
Willow ultrapassou o porto, voltou-se e empurrou a parte mvel contra ele, bloqueando a passagem.
	Por que est aqui, Mike?
	Bem, pensei que amos jantar.  Ele deu de ombros, mesmo vendo-a empedernida.  Talvez, se me deixar passar...  Reagiu atnito quando ela lhe deu as costas e tomou a estrada.
	Willow!
No era verdade. Sabia que no podia se casar com ela, mas tampouco podia viver sem ela.
	Est bem, est bem. Achei que no devia ficar sozinha neste momento  justificou. Ao menos, estava sendo honesto.
Acreditava que ela no devia ficar sozinha.
Willow voltou-se. 
	Acho que vou ter me acostumar. Embora no tenha certeza de que  a pessoa mais indicada para me ajudar neste momento. Na verdade, acho que seria bem mais fcil se voc fosse embora.
	Quer que eu v embora agora? Esta noite?  Mike apertou o passo atrs de Willow, que no respondia.  Queria acabar as prateleiras agora que comecei.
	Quanto tempo?
Ele disfarou o alvio.
	No posso instal-las enquanto a cozinha no for pintada 	observou.  E Emily perguntou se eu podia fazer umas caixas grandes, para guardar brinquedos-, que ficariam junto  janela na sala de jogos, funcionando como banco extra.  Certo, ele sugerira fazer as caixas, no Emily, mas Willow no precisava conhecer o detalhe!
No restaurante, ocuparam uma mesa na parte externa, junto  trave que separava o estabelecimento da estrada.
	Claro, se quiser que eu v embora, tenho certeza de que ela vai entender.
	Eu gostaria de entender.
Ele tambm. Gostaria de uma resposta. Era perda de tempo tentar ser o homem que Willow desejava. Devia se concentrar em faz-la desejar o homem que ele era. Bem, tinha uma semana para tanto.
	O que vai querer?
Willow apoiou os cotovelos e o queixo nas mos.
	Gim e tnica. E qualquer coisa bem calrica.  Divertida, tentou sorrir.  Estou falando de colesterol, portanto, pode incluir uma boa poro de fritas.
Mike esperou para ter certeza de que ela no mudaria de ideia. Ento, indagou:
	Salada?
	No, obrigada. Quero sentir minhas artrias se enrijecendo.
	Por que no disse? Podamos ter ficado no chal e eu teria feito sanduche de toicinho com molho, e acabaramos com os biscoitos de chocolate, de sobremesa.
	Pensei nisso  confessou ela.  Mas, ento, pensei no que faramos no resto da noite.  Fitou-o com um brilho desafiador no olhar.  Diga-me, Mike, o que "apenas bons amigos" fazem quando a conversa se limita a assuntos impessoais e no se dispe de um baralho para passar  tempo?
Ele prendeu a respirao, mas forou um sorriso.
	Francamente, no sei. Tem certeza de que est contente por jantar aqui?
	No temos escolha. Sua cala jeans est manchada de tinta.
	 antiga. Mike levanto-se.  Bom, prometo no demorar.
Willow passou a observar o movimento de clientes e transeuntes. Como ele podia ser to casual? To descontrado?
Um motociclista passou na estrada, usando roupas de couro e capacete. Executou o retorno e estacionou a mquina possante diante do restaurante. Tirou o capacete.
Oh, no...
	Willow! Achei que era voc. Conhecendo os lugares quentes da vila aps um dia de trabalho rduo?
	Jacob.  Ela esboou um sorriso.  J encerrou por hoje?
	Quase. O armazm fechou h horas, mas tinha de fazer o caixa.
	E isso o que faz quando no est ajudando na loja? Contabilidade?
	Algo assim.  Ele sorriu, e Willow procurou parecer satisfeita em v-lo. Conseguira, porque ele estacionou a motocicleta e aproximou-se.  Est de carro? Posso lhe oferecer um aperitivo?
	Obrigada, mas j pedi.
Mike voltou com dois copos.
	O jantar no demora  avisou. Fitou o recm-chegado e esperou Willow apresent-los.
	Mike, este  Jacob Hallam. A tia dele  dona do armazm. Ele  contador, tambm.
	Desista  aconselhou Mike.  Isso no  vida.
Willow estranhou o comentrio, mas completou a apresentao.
	Jacob, Mike...
	Posso lhe oferecer algo?  indagou Mike, no muito cordial.
	Uma cerveja cairia bem, obrigado. D sede cozinhar os livros.
Mike no achou gyaa. Willow tentou salvar a situao:
	Vamos jantar, Jacob. Voc nos faz companhia?
Mike no queria a companhia do outro, mas ela apreciaria um escudo para aplacar a tenso crescente entre eles. Fora fcil ignorar a sensao enquanto trabalhavam em cmodos distintos, mas a situao se tornava desagradvel. Convidou Jacob a sentar-se no mesmo banco que ela.
	S a cerveja, obrigado. Tia Lucy deve estar me esperando e vai ralhar se eu no limpar meu prato.
Jacob sentou-se ao lado de Willow. Mike quase informou ao invasor que estava sobrando ali, mas perdera qualquer direito em relao a Willow ao fugir da igreja. Assim, em vez de hostilizar o camarada, conteve-se e foi buscar a cerveja.
Se Jacob lesse sua mente, entretanto, teria pego a motocicleta e partido a toda velocidade sem tomar nada.

CAPTULO V

	Voc e Mike...  insinuou Jacob, para que Willow esclarecesse.
	Somos amigos. Apenas bons amigos  adiantou ela, aproveitando para ver como soava a afirmao. No gostou.  Mora com sua tia, Jacob?  indagou, mudando de assunto. Sabia conversar com as pessoas, deix-las  vontade para descobrir sobre suas vidas e, assim, preparar matrias.
Jacob respondeu ansioso, sem perceber que ela no estava realmente interessada:
	Jake, por favor. E no  minha tia de verdade. Todos a chamam de tia Lucy porque  o que ela , uma espcie de tia para todos na vila. Adotou-me quando ningum mais me queria.  Riu sem graa.  Eu era um garoto mau...
Willow riu tambm.
	Aposto que era!
	Devo muito a ela, por isso, venho e fico sempre que ela precisa de mim. Aproveito para ver se ela ainda est dando conta do negcio, se as contas esto equilibradas. Mas nem assim compenso tudo o que fez por mim.
	Ela parece extraordinria.
	Tia Lucy  uma velhinha formidvel. Sabe de todas as fofocas, se algum precisa de ajuda, de uma palavra ou um
afago. A vila no seria a mesma sem ela. Quem sabe o que acontecer quando ela se for...
Willow ouvia atenta. Interesse humano. Uma comunidade sob ameaa. Parecia-lhe matria interessante para a revista... No, bobagem! Em breve, comearia a trabalhar no jornal de Londres, e devia pensar em temas que interessassem a um peridico com uma linha editorial diferente.
	Vai conhec-la quando for ao armazm novamente  prosseguia Jacob.  Ir ao armazm novamente, no?
	Claro que sim. Gostaria muito de conhecer tia Lucy.  No dia seguinte, Willow pretendia pintar a cozinha e retocar a sala de jogos.  Quando no estou com tinta at os cotovelos, sou jornalista. Realmente, gostaria de conversar com ela sobre sua vida, o que o armazm representa para a comunidade. Acha que ela concorda com a entrevista?
	Tia Lucy nasceu para falar. Passe l por volta da uma da tarde, ela vai adorar conhecer voc. Amanh? Na tera?  Jacob notou hesitao, abriu o zper de um bolso, pegou lpis e papel e escreveu um nmero.   o meu celular. Telefone.
Willow guardou o papel na bolsa.
	Deixe comigo.
O rapaz sorriu esperanoso.
	Vou ficar esperando.
Willow ergueu o rosto quando Mike pousou bruscamente a caneca de cerveja diante de Jake Hallam, como se quisesse entornar o lquido na cabea dele.
Cime? Mike estava com cime? "Bons amigos" podiam sentir cime um do outro?
Olhou para Jake. Com certeza, tratava-se de um rapaz bonito, mas Mike a conhecia bem demais para acreditar que ela agarraria o primeiro homem que aparecesse simplesmente porque o relacionamento entre eles terminara, no?
Mas desde quando cime tinha a ver com racionalidade?
Se entrasse em um restaurante e visse Mike conversando com outra mulher, seria capaz de arrancar os olhos dela.
Jake, aparentemente alheio  atmosfera carregada, ergueu a caneca e brindou.
	Sade!  Aps tomar um gole, dirigiu-se a Mike.  Quer dizer que integra esse time de pintura?
	Willow est pintando. Eu estou fazendo prateleiras. 
	Entendo.  Jacob olhou para Willow.  Talvez eu passe l qualquer hora, para dar uma olhada...
Era mais uma pergunta do que uma declarao, concluiu ela. Jake avaliava seu grau de entusiasmo  perspectiva de se reverem.
	Entende alguma coisa de carpintaria?  indagou Mike ao outro, antes que ela respondesse.
	Na verdade, estava mais interessado em pintar...  Jacob Hallam deixava claro em que estava interessado, e Mike segurou o copo com tanta fora que foi um milagre no o ter quebrado.  No conseguiria pregar um prego nem para salvar minha vida.
	Por qu? No  to difcil.
	Apreciamos toda ajuda  interveio Willow, sentindo o corao palpitar. Talvez fosse mais frvola do que pensava. Queria que Mike sentisse cime. Que ficasse verde de cime.  Assim, posso continuar com a cozinha. Quanto antes terminar, mais cedo voc poder ir embora.
Mike lanou-lhe um olhar fulminante. Se olhar matasse, Jake j estaria estendido no cho, precisando de respirao boca a boca. 
	No estou com pressa.  Mike definitivamente estava verde, revelando uma faceta que ela nunca vira antes. De fato, ele nunca tivera de disputar sua ateno com outro homem.
	Naquelas circunstncias, devia estar zangada, porm sentia-se esperanosa. O que era ridculo.  No vou a lugar algum esta semana.  Ele a desafiava a contradiz-lo.
	Bom, at mais, ento.  Jake levantou-se.  Obrigado pela cerveja, Mike. At mais ver, Willow.  Colocou o capacete, montou na motocicleta potente e partiu.
Mike acompanhou o rival com o olhar, presa de um mau pressentimento. Atraente, visual rebelde, Jacob Hallam precisava apenas olhar para uma garota para t-la a seus ps. Jogara charme para cima de Willow, como se soubesse que bastava sorrir e estalar os dedos para conquist-la.
	Oh, timo, a vem o jantar  anunciou Willow, quando o silncio prolongou-se alm do confortvel. A expresso de Mike era azeda. Ela sorriu para a garonete, assegurou que estava tudo em ordem, j que Mike no se manifestava, e pegou o garfo.  Frango cajun! Excelente escolha. Adoro...
	Eu estava errado, sabe.
	Como?  Willow desistiu da comida como tema de conversa e ergueu o olhar. Mike nem pegara o garfo.  Errado quanto a qu?
	Ontem.
Willow prendeu a respirao. Errado em fugir da igreja? Errado em fugir dela?
	No foram cinco meses, duas semanas e quatro dias. Foram cinco... Cinco dias.  ano bissexto. Eu me esqueci.
Willow mal disfarou a decepo. Quatro ou cinco dias, que diferena fazia? O fato era que o amava e, mesmo assim, abrira mo dele.
	Voc se esqueceu?  Ela riu para encobrir o tremor na voz.  No acredito que se esqueceu daquela matria de destaque sobre o dia bissexto, quando convenci seis moas a pedir o namorado em casamento ali, na calada em frente ao jornal.
	Pode ser um choque para voc, Willow, mas no leio a nossa revista de ponta a ponta.
Mike sempre mudava de assunto quando se tratava do jornal. Nem por isso Willow se desanimava com o trabalho, convencida de que ele apenas se aborrecia com as notcias locais, mas no lia nem os destaques? Fora uma falha de percepo sua em relao  importncia que ele dava ao que a motivava. Teria de analisar balanos contbeis para agrad-lo?
	Mesmo que no tenha lido os destaques, deve ter notado a aumento nas vendas de publicidade  alfinetou Willow.  Bufes e lojas de noiva brigaram para ter espao na revista, e chegaram a oferecer descontos para as seis moas corajosas.
Talvez tivesse exagerado no tom ofendido, pois Mike forou um sorriso.
	Desculpe-me, Willow. Se tivesse me esforado mais para ler as suas matrias, teria percebido o quanto  boa no seu trabalho. Mas... quantos desses homens desafortunados aceitaram o inevitvel e cederam ao destino que imps a eles no af de aumentar a circulao e as vendas de publicidade?
	Todos.  Ela o encarou.  Que homem est preparado para fazer papel de cafajeste em pblico?  Arrependida, procurou amenizar e justificar.  Os casais escolhidos j tinham pensado bastante no assunto, Mike. Era uma matria leve, divertida. Um deles j coabitava havia quinze anos, e tinha trs filhos, cus. Ningum pode dizer que ele foi pressionado a subir ao altar.
	Por que elas fariam isso?  indagou Mike.  Viver desse jeito? A mulher no sabe como seria mais difcil conseguir direitos na previdncia? No caso de morte, para conseguir a penso por viuvez...
	Uma vez contador, sempre contador  declarou ela.  Um contador que me convidou a morarmos juntos, pelo que me lembro.
	Isso no  verdade, sabe. Pelo menos, no no meu caso.
	O que no  verdade?
	Quando a convidei para morar comigo... no pretendia que o arranjo fosse permanente.
Bem, maravilha!
	At que o tdio nos separasse?
	No, No pensava to a longo prazo.
	Talvez o meu casal tambm no pensasse  sugeriu Willow.  Talvez apenas tenha se tornado hbito. No sei. Mas talvez eles estejam certos. Talvez o grande casamento seja apenas um show pblico. Talvez um pedao de papel no seja um negcio to bom.
	, Willow  afirmou Mike.  Voc sabe que .
	Sei?  Ela ergueu o olhar.  Sei que, se tivesse me mudado para o seu apartamento, provavelmente estaramos felizes juntos, e eu poderia aceitar o emprego no jornal de Londres sem que isso fosse grande transtorno.
Mike franziu o cenho.
Porque no teria sentido necessidade de discutir isso comigo?
	No, porque eu seria apenas a sua namorada. No a esposa do maioral das Publicaes Armstrong, a postos vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, em uma casa cheia de torneiras douradas precisando de polimento, com inmeros eventos beneficentes aos quais comparecer. Porque morar junto no seria algo to grandioso.
Ela no queria aquilo? Era a vida para a qual fora criada...
	Tem certeza? Ficaria longe cinco noites por semana. Tal 
vez nem sempre conseguisse voltar nos fins de semana. Que tipo de relacionamento seria?
	O tipo no qual voc teria dito: "Aceite o emprego, se isso a faz feliz. Isso tornar o tempo que passamos juntos verdadeiramente especial".
Mike ergueu os ombros e jogou a cabea para trs, como se a tenso no pescoo tivesse desaparecido.
	Tem razo, claro. Eu sabia. Voc teria pedido tempo, mas eu, cego com minhas necessidades egostas, no teria reconhecido isso antes que quase fosse tarde demais.
	Por isso, fugiu da igreja?
Mike endireitou-se e encarou-a.
	Seria confortvel pensar que meus motivos foram totalmente altrustas. Mas no sou o homem que pensa que sou, Willow. No sou o homem que meu pai quer que eu seja. Tentei, de verdade. Achei que ter voc bastaria para suportar ficar atrs da mesa o dia todo, manipulando os nmeros, quando tinha outros sonhos.  Deteve-se.  Ento, vi que voc tinha sonhos, tambm. Um de ns devia ter o corao completamente voltado ao casamento, no acha?
	Acho que o casamento j  difcil se as duas partes se envolvem completamente  concordou Willow, desolada. S porque estavam certos, no significava que ela devia estar feliz.
	Acompanhou-as moas que pediram o namorado em casamento? Sabe quantos casais realmente chegaram ao altar?
Willow engoliu em seco. Mike mudara de assunto sem lhe contar quais eram seus sonhos. Ele no queria revel-los a ela. Nunca quisera.
	Dois se casaram, faltam quatro. Um deles, devo admitir, anda bastante arredio.
	No o casal com trs filhos, espero.
	No, eles se casaram naquela mesma semana. Apenas no civil e sem estardalhao. S precisavam de um empurro. Avaliar os detalhes, cuidar da papelada.  Algum para descobrir o que precisavam fazer. Willow era boa nisso. Informao era seu negcio. Se no conseguia informao de uma fonte, arranjava outra. Se Mike no queria lhe contar seus sonhos, descobriria de outra forma.
	Coma, Mike  incentivou.  O frango vai esfriar.
Saborearam o prato em silncio.
	Satisfeita?  indagou Mike, quando ela finalmente baixou o garfo.
	Bastante  afirmou Willow.  Mas acho que vou precisar de sobremesa para completar. Que tal... mousse de chocolate?
	Parece timo.
Ela se levantou.
	Deixe comigo. Caf? Algo para beber?
	S caf. No queremos nos perder no caminho de volta.
	Oh, acho que nos perdemos bem antes, Mike. Estvamos ocupados demais escolhendo papis de parede para notar.  Willow sentou-se novamente.  O que faremos com a casa?  No dava para devolver com um bilhete de agradecimento e explicao.  Est no nome dos dois, no ?
	No se preocupe com isso. S precisarei da sua assinatura nos documentos, daqui a algum tempo, para podermos devolv-la a meu pai.
	Ele vai ficar chateado. Seu pai adorou aquela casa.
	Sim. To enorme, no?
	Acho que ele tinha esperana de que a preenchssemos.
	Teramos nos divertido tentando.
Willow buscou a mo do ex-noivo. Sem saber o que dizer, levantou-se novamente e foi pedir a sobremesa.
Caminharam devagar na volta para os chals. J estava escuro, e Willow no pretendia ir na frente nem que Mike permitisse. Ao passarem pelo porto, ele .lhe tomou a mo.
	Espere por mim.
Ela esperou. No andaria naquele mato sozinha nem que lhe pagassem.
	O que foi aquilo?
	Um coelho. A doninha vai jantar hoje.
Willow levou a mo  boca.
	Oh,...
	A velha cadeia alimentar em andamento.
Willow escondeu o rosto no ombro forte dele. Coelhos, besouros, qualquer desculpa servia.
Mike abraou-a. Seria to fcil mant-la assim junto a si, beij-la, esquecer o pesadelo dos ltimos dias. E sentia que Willow, reconhecendo ou no, desejava o mesmo. Estavam perto dos chals. Um beijo bastaria para voltarem correndo, despirem-se ansiosos e... o qu?
Ela nunca o perdoaria. Ele nunca se perdoaria. Lutou contra a tentao. Desta vez, prometeu a si mesmo, tomaria a atitude certa. Desta vez, seria diferente.
Desta vez? A quem ele pensava enganar? No haveria nenhuma "desta vez".
Exceto que, de algum modo, precisava criar essa oportunidade.
Mas ainda no sabia como faria isso. Assim, apenas manteve o abrao, e aguardou que ela se acalmasse.
	Desculpe-me  murmurou Willow, afastando-se, ciente de que ele no se aproveitaria de seu momento de fraqueza.  No meu mundo, os coelhos so desenhos engraadinhos em cartes, no o jantar de outro animal...  Recolheu uma lgrima solitria que no tinha nada a ver com o destino dos coelhos.
 Cus, que bobagem...
	No  bobagem.  empatia.  Mike recompensou-se beijando-a na testa. Ento, com o brao em seus ombros, conduziu-a aos chals.
Destrancou a porta e acendeu a luz.
	Pode subir  declarou ele.  S vou dar uma olhada e verificar se est tudo bem aqui embaixo. At amanh, Willow.
Mike sabia que Willow o desejava. Ela cobrira o rosto com as mos e se atirara em seus braos como um patinho na gua. E ele a dispensara.
O constrangimento dela s era suportvel porque no fora to fcil para ele manter-se impassvel. Por que outro motivo decidira verificar o andar trreo, seno afastar-se da tentao?
No se tratava de falta de desejo de um pelo outro. A atrao continuava forte como sempre. Mas existiam problemas fundamentais que no haviam discutido.
Willow ligou o telefone celular para ver se Mike lhe mandara alguma mensagem. Nada. Teclou "Socorro!" Logo em seguida, apagou a frase sem envi-la.
Maybridge. L encontraria as respostas s perguntas que a mantinham acordada  noite. Willow afastou-se para ver melhor a parede que pintara durante toda a manh, mas no pensava na tarefa realizado. Pensava em Maybridge.
	Bom trabalho  elogiou Mike. Ela se voltou.  Caf?
	Obrigada.  Willow pegou a caneca e voltou a fitar a parede. Mike sem camisa era excitante demais para as dez horas da manh de uma segunda-feira.  Est um pouco nu, no acha? A parede, digo...
Willow enrubesceu, mas Mike pareceu no notar sua perturbao, sugerindo:
	Podia fazer algo para quebrar todo esse azul. Algumas nuvens, talvez.
Ela se voltou para ele, pois identificara algo no tom da voz.
	Em todas as vidas deve chover um pouco?
	Parece que funciona assim, embora ache que os garotos que viro aqui provavelmente prefiram um dilvio ao chuveiro.
Talvez prefiram um sol grande e sorridente.
	Com nuvens e sol... pode haver um arco-ris.
	Simbolizando esperana?
	Todos precisamos de muita.  Mas o que exatamente ela esperava?  Uma colina verde com flores ficaria bom tambm.
	Para mantermos os ps no cho?  questionou Mike.
	Acho que somos as pessoas mais "p no cho" em um raio de cem quilmetros.  De que outro modo estaria conversando civilizadamente com o homem que fugira da igreja no instante em que ela o abandonava no altar?  Que tal um balo a ar quente sobrevoando a colina?
	Por que no chama Jacob? Tenho certeza de que ele ficar feliz em prover todo o ar quente de que precisar.
Willow sorriu. Cime era bom. Significava que Mike se importava com ela.
	Acho melhor conversar com Emily antes de me empolgar. J posso comear a cozinha, se voc sair de l.
	No, primeiro, tome o seu caf. V l fora e expire os vapores da tinta  aconselhou ele, j conduzindo-a  porta.  Pode me dizer o que acha das prateleiras. Com tato  alertou, quando ela passou a mo em uma estante acabada.  Foram unidas sem cola nem pregos.
	Eu no imaginava...  comentou Willow.  Pensei que faria uma prateleira pequena para pendurar na parede. Isto vai preencher toda a parede, no ?  Encarou-o.  Adorei a forma como amenizou os cantos virgens.
	As crianas vo brincar por toda parte.
	 tudo to simples, to profissional. No sabia que voc era capaz de fazer isso.
	E eu no sabia que tinha se candidatado a um emprego no jornal de Londres.
Ela se voltou.
	Mas fiz isso antes de conhecer voc.
	Certo.  Mike jogou o resto de caf na grama e largou a caneca.  Vou precisar de mais madeira para fazer as caixas. 
	E eu preciso dar uns telefonemas. A assistente do jornal de Londres disse para eu ligar hoje e falar com Toby Townsend.
	Iria ligar de Santa Lcia?  provocou ele.
	No, claro que no.
	No seja defensiva, Willow. Uma garota de carreira tem de se sacrificar, mesmo na lua-de-mel. Ou talvez j na semana passada tivesse suas dvidas?  Mike deu de ombros, constrangido.  Desculpe-me. No a culpo, de fato. No reagi como um "homem moderno"  sua grande chance, no ?
	No. E, corrija-me se estiver errada, mas no acredito que sua deciso tenha surgido de repente, ao ver os degraus do
altar.
	No propriamente.
Como ele se calara, ela pressionou.
	O nico motivo para Toby esperar um telefonema meu esta manh  porque ele estava fora quando liguei na semana passada. A assistente disse que eu devia ligar hoje e pareceu mais fcil concordar a entrar em detalhes... Ento, escrevi uma
carta.
	E agora tem de telefonar e explicar que foi tudo um erro. Que no queria dizer nada daquilo na carta.
	Na verdade, no mandei a carta. Estava no aparador do vestbulo, selada, esperando que algum fosse ao correio. Eu a peguei quando sa s pressas da casa de meus pais no sbado.
	Pensou rpido sob presso. Estou impressionado.
	Bem, no posso continuar trabalhando na sua empresa, posso?
	Pode fazer o que quiser, Willow, eu no estarei l.
	No? Como no?
	Mas talvez seja bom telefonar e informar a seu superior. Vo precisar de uma substituta para voc.
	E para voc?
	Tambm.
	Substituir um filho e herdeiro  bem diferente de substituir uma reprter, Mike.
	No se pode pedir demisso do papel de filho, Willow. Tentei. Pelo menos, tentei abrir mo da herana. Acho que desta vez convenci meu pai. S lamento que voc tenha sido pega no fogo cruzado.  Mike pegou uma tbua de madeira.  Bem,
o que est esperando? No  melhor seguir seu plano?
	Sim  Willow tinha tantas perguntas, mas Mike deixou sua posio bem clara. No se abriria com ela.  Vou ligar para Toby agora mesmo.
E depois? Se fosse para Londres... se?... precisaria de roupas. Olhou para si mesma. Roupas inadequadas. No podia voltar ao apartamento, escondida dos vizinhos, da me, que provavelmente mantinha o local vigiado.
Talvez Crysse j tivesse se acalmado o bastante para lhe trazer algumas peas. Talvez at a acompanhasse s lojas, para ajudar a escolher um conjunto novo. Alm disso, precisava conversar com a prima, explicar por que mudara de ideia. Digitou o nmero dela, mas no havia ningum em casa, e a secretria eletrnica fora desligada.
Conversar com Toby Townsend, que parecia interessado em conhec-la, no melhorou o humor de Willow. Consolou-se aplicando a tinta branca nas paredes da cozinha.
	Est pegando o jeito  comentou Mike, quando foi lavar as mos na pia.  E uma pena no ter comeado do outro lado, eu poderia ter instalado as prateleiras esta tarde.
	Oh, raios. Nem pensei nisso.  Ou talvez tivesse pensado, mas no revelaria suas motivaes.  Pintarei aquela parede depois, ento.
Mike meneou a cabea.
	No, siga o seu ritmo. Vou comear a fazer as caixas agora.  Enxugou as mos em uma das toalhas cor de cereja que vieram do banheiro.   a sua vez de preparar o almoo, alis. 
	? Quem disse?  Willow percebeu que ele estava certo. At ento, ele e Emily tinham providenciado toda a comida.  Vou abrir algumas latas. Sopa ou feijo com torrada?
Mike recostou-se na pia e cruzou os braos.
	Voc no  muito boa na cozinha, , Willow?
	Depende do que estou fazendo nela.
	Admita, voc odeia cozinhar.
	Est enganado. No odeio cozinhar. S nunca consegui fazer nada direito. Esfregar, bater... Lavar. Oh! Entendi! Foi a perspectiva de ter de cozinhar o seu prprio almoo de domingo que o afugentou da igreja. Admita!  Viu Mike dirigir-se  despensa. ; O que est fazendo?
	Vou preparar o almoo antes que morra de fome. Voc me convenceu.
	Sempre d certo  gabou-se Willow, impertinente.  Vou querer a sopa  adiantou. Largou o pincel na lata de tinta,
descalou as luvas e desceu da escada.  Com torradas. Cinco minutos?
	Cinco minutos.
Ela pegou a bolsa.
	O tempo exato para me lavar e escovar os cabelos.
No andar de cima, ela pegou o telefone celular e teclou.
	Auxlio  lista, em que posso ajudar?
	Estou procurando um nmero em Maybridge. Michael Armstrong.
	Tem o endereo?
	No, tinha esperana de que me fornecesse o endereo.
	Lamento, no podemos fazer isso.
	Oh, bem, o nmero ter de bastar.
Uma gravao entrou na linha e Willow anotou o nmero. No significava nada, claro. Mike podia ter um telefone em Maybridge antes de voltar para Melchester. Mesmo assim, ligou e foi atendida por uma gravao.
	Voc ligou para Michael Armstrong Designs. A oficina est fechada no momento, mas, se deixar seu nome e telefone, retornarei a ligao.  A voz de Michael era uma confirmao.
Desligou, atnita.
CAPITULO VI

Michael Armstrong Designs? Willow sentia-se  confusa, sem saber o que esperara ouvir. Mi-chael Armstrong Contabilidade, talvez. Mas Designs? Uma oficina? O que ele fazia? Sistemas comerciais? Software? Isso exigia uma oficina?
Longe de obter respostas, s tinha mais perguntas. Precisava de uma lista telefnica impressa, precisava ir a Maybridge, precisava...
Bateram na porta, to de repente que ela quase deixou cair o telefone.
	Willow? Voc est bem? Estou chamando faz tempo.
	Estou tima! J vou.  Ela guardou o celular na bolsa, passou a mo nos cabelos e lavou as mos.
Mike a aguardava junto  escada.
	Algum problema?
	No.  Willow sorria tanto que os msculos do rosto doam.  Que problema poderia haver?  A no ser, talvez desconhe cer por completo o homem que quase desposara.
	Voc est um pouco plida. Pode ser por causa dos vapores da tinta. Por que no descansa esta tarde?
	No ia mesmo trabalhar.
Willow desviou-se antes que Mike a tocasse. Estava acostumada com o carinho dele. Adorava quando ele passava a mo em seu brao, quando a fitava, retesando as ruguinhas em torno dos olhos ao sorrir, quando a beijava, espantando todos os aborrecimentos. Quando a beijava e afastava suas dvidas. No desta vez. Descobriria a verdade, exigiria explicaes e se mudaria para a pousada at ele acabar de instalar as malditas prateleiras.
	Vou para Londres amanh, me encontrar com minha nova chefia, e preciso de uma roupa adequada. Decidi fazer compras esta tarde.  Em Maybridge, completou, s em pensamento.
Mike refletiu.
	Precisa de companhia?
	Est se oferecendo para dar sua opinio quanto ao traje mais adequado... o design mais adequado?
	Estava me oferecendo para lev-la de carro  esclareceu ele, tranquilo.  Mas vai entrar sozinha no vestirio.  Sorriu maldoso.  Esquea o que eu disse. Ficaria muito feliz em ajudar voc com o zper e os botes...
	Obrigada, mas voc perdeu o direito de brincar com meus zperes e botes. Alm disso, est bem ocupado aqui. J telefonei para Crysse.  Bem, telefonara. No era mentira. Ento, para que ele no insistisse, inventou:  Ela vai se encontrar comigo.
	Crysse?  questionou Mike, insatisfeito.
	Quem mais?
Aps um momento, ele recuou e deu-lhe passagem.
	Se tem certeza.
	Tenho. E no se preocupe com o jantar  avisou Willow, enquanto descia a escada.  Vou trazer algo. Posso no saber cozinhar direito, mas sei esquentar comida pronta como ningum.
	Willow...  Mike parecia preocupado.  Foram dias difceis. No faa nada que possa...
	O qu?
	Lamentar.
Lamentar? Ela acabara de informar que ia comprar uma roupa nova. Se lamentasse, trocaria a pea. Mas ele parecia to tenso...
	No se preocupe, Mike. Acho que demonstrei meu auto controle no sbado. Ambos demonstramos.  Com isso, riu forado, e o som ecoou pelo chal sem moblia, aumentando o efeito pouco natural.
	No.  Mike foi a seu encontro.  Quero dizer. Eu a magoei, eu sei. Daria tudo para mudar o que aconteceu, para ter feito de outro modo, mas, por favor, no piore as coisas fazendo algo estpido.
Willow meneou a cabea.
	No se preocupe comigo, Mike. Estou precisando de uma terapia de compras, s isso. Se cometer alguma estupidez, ser algo como comprar uma minissaia roxa em vez de um conjunto clssico.
	Mesmo?
	Voc devia dizer: "Vai ficar o mximo em uma minissaia roxa".
	Vai ficar o mximo em uma minissaia roxa  repetiu ele, porm srio.  S no ceda  tentao de comprar alguma pea de couro preto.
	Mas nunca usei...  Ela reteve o flego quando o ex-noivo lhe tomou o rosto nas mos e beijou. Foi como o primeiro beijo. O primeiro toque. Hesitante. Cheio de perguntas. Assim? Ou assim? Como se estivessem na beira de um abismo e um passo em falso...
Foi como o primeiro beijo, mas diferente. Terno e carinhoso, ino urgente, sensual. Mike mostrou-se gentil a ponto de lev-la |s lgrimas.
	O que foi isso?  indagou ela, piscando nervosa, quando Sele interrompeu o beijo, rpido demais, e a fitou como se quisesse imprimir seu rosto na memria.
	Quero que se lembre de que o que tivemos foi especial.
Willow pensou em vrias observaes sarcsticas, porm sentiu que falavam em nveis diferentes. O ponto de contato fora o beijo. No o bastante para mant-la aquecida quando subisse s alturas frias do sucesso. Conteve as palavras de raiva e pousou a mo sobre a dele.
	Sim, Mike. Foi.  Ento, percebeu que falavam no pretrito. Deu meia-volta e saiu. Estava acabado. A viagem a Maybridge seria um desperdcio de tempo, mas precisava saber.
Mike observou Willow se afastar no carro compacto amarelo, sacou o telefone celular e teclou um nmero.
	Cal? Fez o que lhe pedi?  indagou, antes que o amigo falasse.  Eles foram?
	Crysse estava consternada demais para tomar qualquer deciso, mas Sean a convenceu de que viajar seria uma boa ideia. Onde voc est? Como...
 Ligo depois.  Mike desligou. No queria conversar, s confirmar que Willow mentira sobre fazer compras com Crysse. No quisera acreditar, mas era verdade. Quase atirou o telefone contra a parede, enlouquecido, pronto para destruir as prateleiras e as caixas.
Era bom nisso. Acabar com sonhos e esperanas. Desta vez, conseguira arrasar consigo mesmo, e agora sabia como era.
Magoava.
Fora atrs de Willow com a ideia maluca de recomear. De se revelar a ela, de convenc-la de que podiam dar certo, se tentassem. Ainda a desejava muito, e a mentira magoava.
Mas, em vez de declarar tudo isso, permitia que ela fosse passar a tarde nos braos de um homem cuja rotina de seduo girava tanto quanto as engrenagens de sua motocicleta.
E o pior estava por vir. Willow voltaria depois, disfarando o que fizera, fingindo que nada acontecera. A respeito das compras, alegaria no ter encontrado que a agradasse.
Mike passou as mos nos cabelos. Queria retomar o controle de sua vida e dar a 'Willow o controle da dela. Mas ela no esperara, no precisava que ele lhe desse nada. Simplesmente, Willow recuperara sua autonomia. Talvez devesse aceitar os fatos e partir antes que ela voltasse.
Willow parou no armazm da vila. Tia Lucy devia ter uma lista telefnica. Bem que Jake avisara que a mulher nascera para conversar. Aps prometer voltar depois para uma conversa de verdade, finalmente conseguiu a informao de que precisava e tomou o rumo de Maybridge.
Mike enxugou a transpirao na testa com o brao. Durante a ltima meia hora, trabalhara com afinco, determinado a terminar as caixas... qualquer um podia pintar as prateleiras e as caixas... determinado a se esquecer de Willow e do que ela devia estar fazendo. S sabia que ela no podia ter ido s compras com a prima, e no queria estar ali quando ela chegasse, os olhos brilhantes de felicidade.	
Pegou uma garrafa de gua, tomou um gole e despejou o resto na cabea. Conseguiu resfri-la um pouco.
Era loucura. Estava ficando maluco. Julgara e condenara Willow sem um mnimo de evidncia de que ela fora mesmo passar a tarde com Jacob Hallam. Exceto o flerte no restaurante. Exceto o fato de ela ter se trancado no banheiro antes do almoo para dar um telefonema.
Emily contornou os chals com a caminhonete, e Mike foi receb-la.
	Preciso sair  informou.
	Sim, mas...
	Tranque tudo se eu ainda no tiver voltado. Tenho uma chave.
Mike no tinha tempo para explicar. Sabia o que tinha de fazer. Precisava encontrar a noiva fujona e declarar que a amava, que sempre a amaria. Ento, talvez, pudessem comear a construir um futuro no qual ambos conseguissem viver.
A senhora idosa que gerenciava o armazm ergueu o olhar quando Mike entrou apressado.
	Sim, querido? Em que posso servi-lo?
	Jacob Hallam est aqui?
	Oh, no, lamento, mas acabou de sair.
Mike sentiu uma dor no peito.
	Sabe para onde ele foi?
	Londres, Uma reunio. Anda muito ocupado ultimamente, correndo naquela moto dele. Mas me prometeu que no ultrapassaria o limite de velocidade...  A mulher no devia estar lcida se achava que o rapaz manteria os oitenta quilmetros por hora na estrada, mas Mike no a contradisse.  Ele volta mais tarde, para ajudar uma moa bonita a pintar a casa dela.
	Willow?
	Oh, voc a conhece tambm? Eu dizia a ela agora mesmo que Jacob foi um adolescente revoltado, mas eu sabia que ele s precisava de uma oportunidade.  Tia Lucy sorriu carinhosa.
 Hoje em dia, ele  um amor.
	Willow esteve aqui?
	Sim, pretende escrever uma matria sobre o armazm. No sei quem se interessaria, mas ela parece determinada, s que no tinha tempo hoje. Queria s consultar a lista telefnica...
O volume permanecia aberto no balco, e Mike apressou-se para peg-lo antes que a mulher a guardasse. Estava aberto na letra "A", e havia uma pequena marca de tinta onde Willow descansara a caneta. Michael Armstrong Designs.
Maybridge era uma cidade movimentada, graas a seu parque industrial tecnolgico, mas tinha corao bem mais antigo, ligado s origens como mercado de produtos agrcolas.
Willow estacionou o carro nos fundos de um prdio amplo que um dia fora garagem de carruagens, ora reformado e abrigando oficinas de artesos, com acomodaes no andar superior. Era ali?
Leu a longa lista de ocupantes na placa  entrada principal, mas o nome de Mike no constava. Dirigiu-se  recepcionista.
	Estou procurando a empresa Michel Armstrong Designs.
	Fica fora, depois do portal.
	Obrigada.
	Mas ele no se encontra. A oficina est fechada...  completou a moa.
Willow acenou em entendimento. Sabia que Mike no estava l. Mas era s o que sabia. Sentiu o corao disparar enquanto seguia as indicaes.
Viu primeiro as flores. Cestos com flores de vero. No canto, a floricultura se espalhava pelo ptio com mais cestos de lrios e rosas.
Havia uma butique com modelos versteis na vitrine. No centro de aromaterapia, uma placa preta com letras douradas anunciava "Amaryllis Jones". Encontrava-se tambm um ateli de joalheria com peas exclusivas na pequena vitrine.
Willow instantaneamente percebeu que ali fora confeccionado o anel de noivado singular que Mike lhe dera. Uma faixa larga de platina com um diamante no meio. Por que no a levara ali, no a apresentara ao arteso que produzira a jia? O que Mike escondia?
Voltou-se para se confrontar com o mistrio.
O extremo do ptio era totalmente ocupado pela Michael Armstrong Designs, o estbulo que j abrigara carruagens, com celeiro para feno e aposentos para os cavalarios no mezanino.
A entrada se fazia por portas duplas enormes, com uma porta menor, pessoal, na mesma folha. Estava tudo fechado e uma placa informava: "Fechado por tempo indeterminado".
Willow cruzou o ptio e, na ponta dos ps, espiou pelas janelas altas, sentindo-se excluda.
	Posso ajud-la?
Willow voltou-se constrangida e viu uma moa alta de pele clara contrastante com as roupas pretas. Seus olhos verdes reluziam.
	Eu a vi da minha loja. Sou Amaryllis Jones  apresentou-se, indicando o centro de aromaterapia. Ento, talvez acostumada  incredulidade, acrescentou:  As pessoas me chamam de Amy. Est procurando Mike  concluiu.
	Sim, estou.  No o corpo, mas a alma. O esprito.
	No sei quando ele volta. Passei para cumprimentar quando vi as luzes acesas, h poucos dias, mas ele no estava para conversa. Parece que vai fechar a oficina.  Amy meneou a cabea.  Teve de voltar para casa para administrar o negcio da famlia quando o pai adoeceu. E vai se casar. Talvez a esposa espere algo mais imponente do que isto?  Sem perceber, atingiu o corao de Willow, ao dar a impresso de que qualquer mulher que quisesse mais do que aquilo no era digna de Mike. Talvez tivesse razo.  Sarah, a dona da butique, disse que o viu ontem, quando ele passou para pegar umas coisas no apartamento.
	Apartamento? Ele mora aqui?
	No sabia?  Amy fitou a fila de janelas estreitas posicionadas horizontalmente abaixo do telhado.  Era um celeiro quando ele se mudou. Mike fez a reforma sozinho.
	Est para desocupar, voc disse?  Willow cruzou os dedos atrs das costas.  Pode ser exatamente o que estou procurando. Algum tem a chave?
	Deve procurar a imobiliria. Havia uma placa, mas parece que sumiu...
	Mas estou aqui agora  observou Willow.  Para que aborrecer o corretor, se no for o que estou procurando. H uma chave?
	Para todos os efeitos, no.  Amy Jones sorriu, pegou a chave, destrancou a porta e ficou de lado para Willow passar.
 Acho que ficar bem aqui.
Willow franziu o cenho ante a declarao, mas, antes de questionar, adentrou a oficina. Havia um painel de cortia na parede junto  bancada de trabalho, com o esboo de um pro-jeto... da mesinha que Mike lhe dera.
Aproximou-se e tocou no papel, sentindo as linhas traadas.
	Essa foi a ltima pea que Mike fez. Eu a vi quando ele estava fazendo o acabamento. O homem  um poeta da madeira.
	 mesmo.  Willow quase chorou. Como ele podia ter feito aquela obra de arte e lhe dado de presente sem contar que a fizera com as prprias mos?
	Ele tem uma lista de espera com encomendas. Claro, leva semanas para acabar cada pea.
	Sim, deve ser demorado...
O que Mike comentara? Que no era negcio para um homem de famlia. Talvez no. Artesos dedicados assim jamais enriqueceriam. Em contrapartida, nunca seriam pobres, tampouco... no em esprito. Willow olhou ao redor. Aquele era o sonho de Mike, e ele se dispusera a abrir mo dele por ela.
No admirava que ele houvesse se distanciado ao saber que ela recebera uma oferta de emprego. Dera a impresso de que no cedia em nada, s'exigia mais e mais.
Se Mike tivesse lhe contado.
Se ela tivesse percebido.
	Aqui  a oficina, e h um pequeno escritrio no fundo. E um bom espao. Voc precisa de tanto? O que faz?
	O que fao?
	Ela pinta  esclareceu uma terceira voz.
Willow sobressaltou-se.
	Mike?
	No , Willow?
Amy pousou a chave em uma mesa.
	No vou mais precisar disto, no ?  Saiu fechando a porta.
Mike recostou-se no batente, de braos cruzados. Esperava uma resposta, tambm. A diferena era que no ia a lugar algum.
Por um segundo, Willow perdeu a fala, o crebro trabalhando intensamente. Ento, como se uma ficha casse, demonstrou indignao:
	Voc me seguiu?
	Voc mentiu sobre encontrar-se com a sua prima  rebateu ele.  J viu o bastante aqui?  Enquanto ela tentava raciocinar, destrancou a porta que levava ao apartamento no andar superior e deu-lhe passagem.
Willow queria ir. Estava morta de curiosidade, mas permaneceu onde estava.
	Como soube que eu no ia me encontrar com Crysse?
	Sou adivinho.
	Voc me seguiu mesmo.  Willow no acreditava que Mike podia ser to furtivo.  Por qu?
	Porque Crysse e Sean esto em Santa Lcia.
	Como?
	Aps conversarmos no posto de servios na estrada, resolvi no pedir o cancelamento do pacote de viagem. No pareceu tico, naquelas circunstncias. Ele sorriu, para desespero de Willow, que se encantava e no conseguia raciocinar.  Achei que sua prima precisava espairecer. Voc se importa?
Importar? Estava atnita, mas importar-se...
	No. Claro que no. Foi um gesto maravilhoso.
	Ento, por que disse que ia se encontrar com ela?
	Para um adivinho, voc faz muitas perguntas.
	Que tal responder?
	Voc se ofereceu para me levar s compras, mas eu queria...  Willow procurou um sinnimo para "xeretar".
	Fazer uma pequena pesquisa?
Soava melhor, mas no havia como disfarar o que pretendera.
	Acho que xeretar traduz melhor a ao.
	Entendo.  Mike sorriu novamente.  Willow Blake, jornalista investigadora.
	Voc no entende nada  censurou ela.  Eu no devia me rebaixar tanto. Por que no me contou, Mike?
	Podemos subir?  Ela no se mexeu.  A conversa ser meio longa.
	Fico contente que concordemos em alguma coisa  alfinetou ela.   um comeo. Mas no vai me enxotar daqui.
Quero ver tudo. Quero conhecer tudo.  Fitou o projeto preso no painel de cortia, incapaz de manter a atitude distante, se continuasse olhando para Mike. Estava to zangada. To infeliz. To... triste. Como ele pudera esconder isso dela? Fingir?  Fez a mesinha para mim, ou j estava no estoque?  Mal acreditava na prpria voz. Parecia fria e distante.
	No.
Ela se voltou.  No o qu?
	No a fiz para voc. Comecei a pea antes de nos conhecermos. Estava trabalhando nela quando recebi a notcia de que meu pai passara mal.  Mike despregou o projeto do painel e pousou-o na bancada.  Era uma pea prottipo. Um projeto novo. Quando voltei na semana passada para fechar a oficina, encontrei-a s esperando o acabamento final.  Fitou Willow, que permanecia imvel.  Pensei: bem, o que  uma tarde diante de uma vida inteira? Assim, terminei-a. Terminei para no deixar nada inacabado, para no ter nada me prendendo aqui.
	Na semana passada?  Ento, era na oficina que ele estivera quando ela o procurara na redao naquela tarde, buscando afirmao.  Estava atrs de voc. At teclei uma mensagem no telefone, parecida com aquelas que voc me mandava no comeo, lembra-se?
	Claro. Parece que perdi a prtica.
Willow meneou a cabea.
	S voc, no. Ns dois.
	No recebi a mensagem.
	No a mandei, porque no saberia onde encontr-lo.  Ela o encarou.  Teria respondido? Teria me dito onde estava?
	Provavelmente, no.
	Foi o que pensei. Jamais poderia nunca ter adivinhado, no ?  Willow estremeceu e olhou ao redor.  Que mquinas so essas? O que fazem?
	Cortar, aplanam, entalham.  Mike,mostrou a oficina, explicando cada processo, respondendo s perguntas como se Willow fosse uma cliente interessada.
	E os projetos? Se eu quisesse pagar para voc me fazer uma pea?
	Willow...
	Por favor. Quero saber tudo.
	Estou tentando lhe contar.  difcil.
	Eu sei, mas estou ouvindo. Siga o meu raciocnio. Fale-me sobre os projetos.
Mike abriu um armrio e tirou uma pasta com desenhos e fotografias de peas acabadas. Willow analisou o portaflio.
	Voc fez todos estes?
	Fiz.
	E este?  Ela se referia a uma escrivaninha.
	Encomenda de Fergus Kavanagh, aquele que concedeu os chals para a instituio de Emily. Presente  esposa.
Willow ergueu o olhar.
	Quanto custa uma escrivaninha dessas?  Willow prendeu a respirao ao ouvir a cifra.  E um bocado de dinheiro.
	Levou muito tempo. E s posso fazer uma de cada vez.
	Trabalha sozinho? Sem assistentes? Sem aprendizes?
	Nunca quis tanta responsabilidade.  Mike meneou a cabea.  Tinha o pressentimento de que um dia teria de largar tudo, voltar para casa.
	Enganou-se. O jornal nunca poderia competir com isto.  Mas o jornal merecia mais lealdade dele do que uma garota egosta que s colocava as prprias necessidades em primeiro lugar.  Quando percebeu?
	Que no podia desistir disto?
	No, que era isso o que queria fazer?
	Oh, ainda na escola. Cabulava as aulas de latim para ficar na oficina. O cheiro da madeira era como bolo saindo do
forno para mim. Escrevi uma carta em nome de meu pai dando permisso a mim mesmo para trocar de matria. Acho que meu orientador no se deixou enganar, mas aceitou a situao de forma pragmtica, considerando que era melhor eu apren
der algo prtico. Quando acabei meu primeiro projeto, fiquei entusiasmado.
	Mas foi para a universidade estudar contabilidade e administrao? Por qu?
	Porque meu pai me pediu. Eu queria fazer um curso de desenho industrial bem prtico, mas ele achou que eu estava
louco, que a marcenaria deveria ser apenas um hobby. Convenceu-me de que administrao e contabilidade eram mais teis a um empresrio.  Deu de ombros.  Achei que fazia sentido...
	E se ainda quisesse estudar desenho industrial?
	Ele prometeu que me sustentaria.  Mike deu de ombros. 	Enquanto fazia o curso, visitava museus, galerias, trabalha
va com artesos, quando eles me aceitavam. Aprendia o tempo todo. Quando me formei, meu pai me pediu que trabalhasse no jornal por um ano. Era o negcio da famlia, eu tinha um dever para com os colaboradores todos, precisava aprender a administrar o negcio.  Baixou o olhar.  Quando percebi que cada capitulao simplesmente reforava a convico dele de que cedo ou tarde venceria, afastei-me.
	Veio para c?
Mike olhou ao redor.
	Era um lugar tombado, mas ningum o conservava. Comprei financiado, levantei algum dinheiro, negociei a reforma em troca de aluguis baixos para as lojas e escritrios. Aprendi muito sobre marcenaria e carpintaria bsica. Meu pai tinha
razo, afinal, o curso de administrao e contabilidade me ajudou muito.
	Voc  o dono deste lugar? De tudo?
	O banco e eu temos um acordo. Desde que eu pague as prestaes, eles me deixam acreditar que sou dono.  Mike indicou a porta que dava no pavimento superior.  Ainda quer ver onde eu morava antes de nos conhecermos?
	Onde voc mora. Vai voltar, no vai? No vai se enterrar naquele jornal...
	Nunca  um longo tempo. Eu disse isso antes, mas voltei atrs quando meu pai precisou de mim.  Ele refletiu sobre o assunto.  Farei isso novamente, mas s enquanto no encontrar comprador para a empresa.  Notou o- espanto de Willow.
	Acha que estou errado?
As Publicaes Armstrong esto em atividade desde a poca dos tipos mveis.
	Eu sei, e gostaria que as coisas fossem diferentes. Gostaria de ser o filho de que meu pai precisa. O marido que voc merece.
Tentei, de verdade, mas meu corao no est nisso.
	Ento, deve deixar a empresa para trs. Aquele jornal precisa de um corao.
	Comeo a perceber isso agora.  Mike a fitou.  No vai encontrar muito sentimento no jornal de Londres.  Estendeu a mo.  Vamos continuar a excurso?
Willow sabia que no devia subir, que ver o mundo de Mike acabaria despedaando seu corao. Mas nada no mundo a impediria.
CAPTULO VII

Willow subiu a escada em espiral at o piso superior certa de que o apartamento era especial, mas nada a preparara para a elegncia, a simplicidade, a economia do lar que Mike montara a partir de um velho celeiro.
	 lindo, Mike.  Era mais que isso. Era tudo o que ela sempre desejara. Pequeno, tudo ao alcance das mos, organizado, um lugar no qual se viver, no se escravizar. Um contraste total com a manso em Melchester que a sugaria, absorveria, anularia.
O assoalho era de. madeira clara polida, a moblia tinha linhas fluidas e funcionalidade, os acessrios eram cor de cereja, como as toalhas que ele levara ao chal.
Willow sabia que Mike a observava enquanto ela caminhava pelo local que ele construra com as prprias mos. Passou a mo na divisria simples que separava a sala do quarto, em um nvel mais elevado. Subiu os dois degraus que levavam ao colcho espesso sobre uma plataforma, debaixo de um tipo de clarabia ampla que permitia a viso do cu.
	Isto ... lindo.  Willow sentia a boca seca, mas tinha de dizer algo.
	Foi a nica forma de incluir o banheiro.  muito bom se deitar sob o cu estrelado em uma noite fria.
Mike imaginou se ela ficaria se ele a convidasse, se daria a eles uma chance. Willow, por sua vez, imaginava o que diria se ele a convidasse a ficar.
	Deve ser maravilhoso dormir sob um cu estrelado - retrucou ela, por fim, e se voltou para ele.
	 indescritvel. No importa o quanto esteja frio,  quente debaixo das cobertas.  Mike sorriu.  E, quando chove, voc no se molha.
Willow j no pensava em mais nada seno deitar-se ali com Mike e cobrir ambos com o acolchoado, permanecendo assim por uma semana.
Que comodismo. Uma semana ou um ms, os problemas no desapareceriam.
Desceu os degraus e acompanhou a parede curva do banheiro em tons de branco e ao, at a cozinha compacta que parecia sada de uma revista de decorao. Por toda parte, reconhecia o trabalho de Mike. Ele fizera tudo aquilo, e estava lindo.
	Por que no me contou?
	Que eu era marceneiro por vocao e um administrador por dever? A verdade?
Willow achava que ele se menosprezava. Marceneiro era um arteso que produzia janelas, portas e itens de uso cotidiano. Mike era um artista.
	Toda a verdade, Mike  pediu.  No estou interessada em manchetes.
	No vai gostar.
	No espero gostar. Por isso, no me contou sobre isto antes. Mas, se no quer que eu v embora daqui agora mesmo, no tem escolha.
Willow aguardou, prendendo a respirao, at que ele assentiu. Ento, pousou a bolsa, sentou-se sobre as pernas no sof enorme e aguardou.
Mike fitou o lugar ao lado dela e, escolhendo a opo mais sbia, ocupou a poltrona. Estendeu as pernas e passou a mo nos cabelos para ganhar tempo.
	No lhe contei porque sabia que Willow Blake no se interessaria por um homem que ganha a vida com as prprias mos.
	Tem razo.  Willow o viu empalidecer.  No gosto disso. Nem um pouco. De onde tirou essa ideia de mim?  Ento, como ele no replicava, percebeu que no devia ter sido to otimista. A verdade era pior, bem pior.  No foi s isso, no ? No se importou em me contar porque no levava nosso relacionamento a srio. Hoje aqui, amanh... Obrigado pelas lembranas.  Trmula, elevou os joelhos at o queixo e abraou as pernas.
Mike no se defendeu. No havia defesa de verdade. Willow estava basicamente certa.
	Comeou assim  admitiu.  No  assim que todos os relacionamentos comeam? Caa e beijo. Beijo e fuga.
	O nosso acabou assim tambm. Quero saber o que houve entre o comeo e o fim.
	Bem, para minha surpresa, eu me apaixonei por voc...
	No diga isso! Voc no me ama! Mentiu para mim. Mentiu sobre quem voc era!
	E descobri que no podia viver sem voc.
	Pule logo para a parte em que percebeu que podia viver sem mim  rebateu Willow, amarga.  Estava falando a srio quando me pediu em casamento?
	Raios, claro que falava a srio!  Mike inclinou-se para a frente e apoiou os cotovelos nas coxas. Ento, como tambm tinha dvidas, ergueu o olhar.  Voc disse sim. Estava falando a srio?
Willow quis atac-lo, agredi-lo por ser to estpido, mas s havia um final para a histria e bastava um estpido na mesma.
	Acho que aceito uma bebida  declarou, trmula de nervosismo.
	Ch, caf? Ter de ser puro...
	Acho que a situao pede algo mais forte.
Mike no discutiu. Estavam ambos exaltados, mas uma bebida significava que ela ficaria e lhe daria um tempo precioso para se explicar. Abriu o armrio, tirou duas taas bojudas de cristal e serviu boas pores de conhaque. Ao entregar a bebida a Willow, sentiu que ela estava gelada, apesar do calor ambiente.
Segurou a mo dela at ter certeza de que ela conseguiria segurar o clice, e tambm porque o que mais queria no mundo era toc-la, abra-la, dizer que a amava.
No. J declarara seu amor. Agora, precisava prov-lo. Sentou-se ao lado dela e lhe puxou as pernas para seu colo.
	Voc est fria.
	Sim.  Ela tomou um gole de conhaque e estremeceu.
No protestou de verdade quando ele comeou a lhe massagear os ps, imprimindo calor sua alma em uma bandeja.
	Tem razo, claro. No comeo, no pensei que nosso relacionamento fosse durar. No planejava ficar por muito tempo.
	Isso  honesto... quase brutal.
	E ser o presidente, ainda que apenas de enfeite, dava-me vantagem total sobre qualquer oposio dentro da empresa...
	Voc  mesmo um...
	Eu sei  adiantou-se Mike.  Eu sei. Mas isso se voltou contra mim. Voc tinha essa imagem de mim, essa expectativa. O que eu podia dizer? Surpresa! Willow, achou que ia se casar com o presidente de uma empresa rentvel... agora veja o que sou realmente.
	Gostaria que tivesse dito isso mesmo.  A voz saiu trmula, e ela tomou outro gole de conhaque.
	Desculpe-me, Willow. Fiz tudo errado, e lamento de verdade.
	Eu tambm. Estava pronta para confiar em voc pelo resto da minha vida...
Verdade. Ela exigia a verdade, mas ele tambm. 
	S at receber uma oferta melhor  acusou ele, magoado.
	No foi assim to simples.
	No, meu amor, nunca .
	Eu gostaria que tivesse me contado. Desde o comeo. Gostaria que tivesse me trazido aqui.
Mike pensou como seria ter Willow nos braos sem nada a cobri-los, exceto as estrelas e uma camada de vidro.
Eu tambm.
Voc devia ter confiado em mim.  Willow afastou os ps.
Mike sentia-se nauseado com o caos que causara em suas vidas.
	Tirei concluses erradas sobre voc. Totalmente erradas. Cal me alertou. Ele viu... mas pensei que voc s estivesse marcando passo naquele emprego,  espera do homem certo para desposar. - Constrangeu-se quando ela o olhou pasma.  Algum com o nome certo, ou a formao certa. Algum do seu crculo.
	Oh, certo.  Willow estava verdadeiramente ofendida.  E eu me parabenizei ontem mesmo pelo fato de voc no se interessar por loiras burras. Nunca me ocorreu que voc me visse como uma.
	No vejo. Voc no . Exceto...
Willow irritou-se.
	Exceto? Agora que comeou, Mike, por favor, termine. Mal posso esperar para saber exatamente como o convenci de que no tinha nada alm de serragem entre as orelhas.
Ele no dissera isso. No pensara nisso. Ambos sabiam, mas no havia como ele se retratar.
	Sempre que eu a procurava na redao, voc parecia estar cobrindo algum evento beneficente, ou no clube das senhoras, ou no bar do momento... todos aqueles eventos frvolos da sociedade local.  o seu mundo.
	E se fosse? Enviavam-me aos locais porque as pessoas de l me conheciam, ou a minha me, pelo menos. Elas confiavam em mim e conversavam comigo porque me viam desde criana. Mas tambm realizei reportagens sobre crianas que fogem de casa, sobre um abrigo para mulheres vtimas de violncia domstica, sobre ocorrncias policiais no sbado  noite. Talvez estivesse ocupado nesses dias?  Willow no esperou resposta.
 No fao s matrias fceis.
	O Dia dos Namorados no foi fcil?
Ela enrubesceu de raiva.
	Mike,  uma data popular. No acreditei quando disse que nunca lia o jornal. Agora vejo que devia ter levado a srio.
	Pensei que, se estava concentrado na administrao, distante, no devia me intrometer nas...  Mike desistiu de explicar. Como Willow podia comear a entender?  No era o primeiro a se deixar seduzir pelo canto de sereia da tradio familiar.  difcil resistir quando todo mundo acha que voc s est sendo teimoso. Que vai cair em si. Quando sua me liga e diz: "Por favor... preciso que voc cuide disso por mim..."  Fez pausa, na esperana de que ela visse a sinceridade em seu olhar.  Quando no h mais ningum.
	Cus, Mike, voc administraria a empresa pelo resto da vida se tivesse se casado comigo.  isso o que est querendo  dizer? Que ia sacrificar a vida que desejava... no por tradio familiar, nem por sua me, mas por mim?
	Sim.
	Idiota!
	Cal no pensa assim. Ele...
	No estou interessada no que o seu padrinho pensa! Quero saber por que no me contou!
	Tentei. Pensei em trazer voc aqui, contar-lhe tudo. Ento, meu pai nos deu a casa, e vi o quanto voc a adorou, o quanto a queria... Exceto pelas torneiras.
	Isso s est piorando.
Mike conseguiu sorrir.
	Como se fosse possvel.
	Creia, odiei aquela casa, Mike.
	Tambm no precisa exagerar. Eu me lembro como se tivesse acontecido ontem. Quase flutuou de frenesi. Exclamou:
"No acredito! No posso aceitar... No sei o que dizer... Estou sem fala!".  Imitou o timbre que ela usara para mascarar a angstia.  Cada expresso sua, pode acreditar, est gravada na minha memria.
	Devia ter analisado as expresses, descobrir o que realmente significavam.
	Ora, Willow, era s questo de trocar as torneiras...
	As torneiras. O nicho no vestbulo. A reproduo de Ado na lareira, as lanternas de carruagens no jardim... Nada disso est em questo. So detalhes. Eu no estava fugindo de voc.
S no suportava a casa e tudo o que ela representava. No sou mulher de prendas domsticas, e aquela casa... bem, parecia sada de um filme de Doris Day.
	Estava fingindo? Mas por qu?
Willow baixou o clice. No precisava de conhaque, precisava que Mike entendesse seu ponto de vista.
Seu pai nos deu uma manso no valor de meio milho de libras, Mike. O que eu devia dizer? Na verdade, sr. Armstrong, sei que quis agradar, mas tem um pssimo gosto, e eu no moraria nesta casa nem que me pagasse?... Ensinaram-se a ser gentil. A agradecer sempre que ganhasse um presente, nem que fosse um processador de alimentos que me causasse pesadelos. 
Mike teve vontade de rir, mas se controlou.
	O processador tambm?
	Como pde fazer aquilo comigo? Jogar o fardo sobre mim?
No admira voc parecer distante. Estava longe. Estava a quilmetros de mim.  Willow se levantou. Precisava sair dali, ir a algum lugar onde pudesse chorar as lgrimas que vinha represando desde sbado.  No o culpo por ter fugido como fugiu. Devia me odiar... J de p, Mike a abraou.
Querida, por favor. Eu no a odeio. Nunca poderia odi-la.
Tensa e determinada, Willow desvencilhou-se e lhe deu as costas.
	Voc no confiou em mim. No me conhece.
	Eu te amava. S queria que voc fosse feliz.
Amava. Ele falara no pretrito. Willow sentiu o corao se despedaar. Voltou-se. Apesar de tudo, se ele tivesse dito "amo"... no presente... ainda teriam podido resgatar o relacionamento do lixo, antes que os coletores o levassem. Mas "amava"... Bem, agora tinha certeza de era seu lugar na escala de prioridades de Michael Armstrong.
	Felicidade exige segurana. Preciso de um homem em quem possa confiar, em quem possa acreditar... no importa qual seja a ocupao dele. Lamento informar que voc falhou. Em todos os aspectos.  Com isso, dirigiu-se  escada.
	Todos os aspectos?
Willow prendeu a respirao. Como ele pudera reduzi-los
quilo!	/
	Casamento no  s sexo. Casamento  para os bons e maus momentos. Na riqueza e na pobreza, e tudo o mais. Casamento  como o diamante. Eterno.  Abriu a bolsa, pegou o anel de noivado que ele lhe dera e o deixou em um aparador.
 Aprenda a lio, Mike. Na prxima vez, tente ser honesto...
	No haver prxima vez. S gostaria de ter lhe contado tudo antes. Tinha razo, podamos ter tido tudo. Ainda podemos. No v.
Com a mo na maaneta, Willow se voltou devagar. Mike estava a um brao de distncia. Toda a tentao que uma mulher podia desejar. Como na primeira vez que ele lhe pedira para ficar, para morar com ele, para se' casar com ele.
	Eu estava errada, Mike. Ningum pode ter tudo. Sempre h sacrifcios a fazer. Partilhar a vida com algum exige todo o corao que se possui e mais algum. Tem de estar preparado para dar mais do que receber. Talvez por isso Crysse, apesar de tudo, ainda esteja com Sean. Ela o ama o bastante.
	Ento, Sean  um idiota ainda maior do que eu pensava. Se eu pedisse agora, o que diria?
	Pedisse o qu?
	Voc em casamento, Willow. S ns dois, com algumas testemunhas, sem estardalhao, sem afetao. Sem bolo.
Sem "eu te amo"? Sem "desculpe-me pelo caos"? Sem compromisso?
O sol atravessava a clarabia e iluminava o p que flutuava. Ao se refratar no conhaque, produzia arco-ris minsculos. O sof ainda guardava a marca de seus corpos. O cheiro da madeira inebriava.
E havia Mike. Alto, forte, loiro. Ele era tudo o que ela sempre desejara. Se o perdesse, seu corao se despedaaria de forma irreversvel. Tivera tanta certeza de que ele era o homem com quem passaria sua vida... No fundo do corao, surgiu uma esperana. Mas, se aprendera algo na primeira vez que ele a pedira em casamento, era que desejar dizer "sim" no era necessariamente motivo bastante. O relacionamento deles se construra em areia e precisava ser refeito do comeo. Baseado na verdade.
	No, obrigada.
Talvez tivesse levado tempo demais para se decidir, porque ele no pareceu convencido.
	 um "no, obrigada" permanente? Ou um "vou pensar,
no, obrigada"? Ou mesmo um "no seja vulgar, no, obrigada"?
	 um "temos vidas que no convergem, no, obrigada".
	Quer dizer que tenho de me empenhar mais?
Willow queria fazer carreira no jornalismo. Mike queria produzir mveis de arte em Maybridge. Cada um sabia o que queria. Precisavam concluir se eram fortes o bastante para adequar suas ambies em uma vida partilhada. No seria fcil. Provavelmente, era receita de desastre. Sem dvida, seria mais sbio deixar as coisas como estavam.
	Significa que ambos temos de nos empenhar mais.
	Precisamos definir aquilo sem o qual no podemos viver? E do que estamos preparados a abrir mo para ficarmos juntos?  Ele conseguiu. Agora, ambos viam por que era impossvel.
	Preciso mesmo ir, comprar uma roupa para a entrevista com Toby Townsend amanh.
	O emprego em Londres no est aberto a negociao, ento?
	Maybridge est?
J ao questionar, Willow sabia que no era a mesma coisa. No queria que ele abrisse mo de Maybridge, enquanto ele no se conformava com a possibilidade de ela trabalhar em Londres. Se o sacrifcio no fosse equivalente, um dos dois se sentiria trado? Willow desejou que Crysse estivesse em casa, para poderem conversar. A prima chorara, mas no estava preparada para abrir mo de Sean. J estava de sada quando lhe ocorreu algo:
	O que voc tem contra couro preto, exatamente?
Mike mostrou-se constrangido.
	Couro preto?
	Sim, couro preto.
	Gostaria que esquecesse isso. Pensei que voc tivesse sado para se encontrar com Jacob Hallam.  Mike aproximou-se e deteve-se a um milmetro de seus braos.  Foi por isso que a segui.
Cime.
De repente, Willow sentiu ternura por aquele homem que tanto se esforara para mudar a vida por sua causa. Como pudera duvidar de seu amor? O relacionamento no se fundara em areia, mas em rocha macia.
No que fosse ceder. O cime era ruim. Segui-la fora uma pssima ideia de Mike, tambm. Mal conseguiu controlar o riso.
	Para evitar que eu cometesse um "grande erro"?  Enfatizou as palavras abrindo e fechando aspas com os dedos.  O que ia fazer? Arrancar-me das presas da tentao? Bater nele?  Sabia que era injusto perguntar. Sim, ou no, ele no podia vencer.
	Faria tudo isso.
Willow precisava se deter, para no se atirar nos braos dele e iniciar a lua-de-mel sem os votos na igreja.
	Como descobriu que eu vinha para c?
	Parei no armazm  procura de Hallam. Tinha certeza de que estavam juntos.  Mike no conseguia encar-la, constrangido.  Soube ento, por tia Lucy, que ele estava em uma reunio em Londres... um homem que fazia mais o seu estilo, do que isto.  Referia-se a seu apartamento.
	Voc me deixa preocupada com o meu estilo  desdenhou ela, desconsolada. Jake no fazia frente a Mike, mas ele no sabia disso, e ela no o esclareceria.  Mas que encontro?
	Ele no a convidou para sair quando se encontraram no restaurante? Ouvi quando ele lhe disse para telefonar.
	Oh, certo  confirmou Willow.  Sim, ele convidou, e eu queria... Era para combinar uma entrevista com tia Lucy. Eu queria conversar com ela, saber de sua vida na vila, no armazm. A vida no campo  notcia hoje em dia.
	Oh. Parece que eu  que cometi um "grande erro".  Ele imitou o gesto dela com as aspas.  Gigantesco.
	Sem dvida  concordou ela.  Mas no respondeu  minha pergunta, Mike. Como descobriu que eu vinha para c? 
	No foi difcil. Voc deixou uma marca a caneta no meu nome na lista telefnica.
	Michael Armstrong, investigador particular.  Ela imaginou Mike extraindo informaes de tia Lucy e conteve o riso.
	Realmente, tenho de ir... fazer compras... Vai voltar ao chal?
	Preciso instalar as prateleiras. E voc?
Willow assentiu.
	At mais, ento. Quer que eu leve comida?
	No. Eu vou cozinhar.  Ele tomou a frente na escada.
	Ou podamos sair. No samos juntos desde... desde que lhe dei aquela mesinha.
Ela enrubesceu.
	Est bem. Voc pode cozinhar  concordou, severa, mas por dentro derretia-se.
	Tem certeza de que no precisa de ajuda com os zperes e botes?
Amaryllis os chamou quando passaram por seu estabelecimento, e deu um pacote a Willow.
	So velas. Vo precisar delas esta noite.
	Vamos? Como sabe?
	Confie em mim. Sou aromaterapeuta.
Willow olhou para Mike.
	Se ela diz que sim... Na verdade, Amaryllis  uma feiticeira  afirmou ele, quase crdulo. Sempre ficava inquieto perto dela.  Mas ela tem razo, pode confiar. Amy sabe de tudo.
	Velas perfumadas  constatou Willow, ao abrir o pacote.
	Palmarosa  informou Amy.  Para aliviar a desarmonia emocional. E rosa damascena, para amenizar sentimentos negativos.
	Se a luz acabar, vamos precisar  concluiu Mike.  Alguma sugesto quanto ao cardpio?  Olhou para Willow.  Ou podemos sair para jantar.
	Salmo defumado  sugeriu Amy.  Abacate. Pssegos.
 Olhava fixamente para Willow e, aps uma pausa, acrescentou:  Chocolate amargo.
	No vou discutir  declarou Willow, ansiosa com a sugesto de seus pratos favoritos.
	Se faltar luz, Amy, vou procurar no cu para ver se est voando com sua vassoura  provocou Mike.
	Na verdade, geralmente pego nibus.  A vizinha ergueu o sobrolho para Willow e ento se inclinou para pegar um gato preto a seus ps.
Mike deixou Willow com Sarah na butique, foi ao supermercado e voltou ao chal. Azedou ao ver Jacob Hallam no andar superior, com Emily, cumprindo a promessa de ajudar na pintura.
	Ol, Mike  cumprimentou o rival.  Willow no est com voc?
	Ela est fazendo compras. Eu no o esperava aqui hoje.  Tia Lucy disse que voc estava em Londres.
	Estava. Vire as costas por um minuto, e algum j faz fofoca...
Mike arregalou os olhos. Tratava-se do famoso Jake Hallam, magnata dos sistemas computacionais aos vinte e cinco anos? Mas o que era uma fofoca quando crianas carentes precisavam de um lugar como aquele?
	No precisava se apressar, daramos um jeito.
	Verdade? No parece que esto indo, bem de acordo com os jornais...
	O que esto dizendo? No, no me diga...
	Achei melhor contar-lhe os detalhes  declarou Emily.  Que voc e Willow ficariam aqui, at resolver seus problemas.
	Esto resolvendo seus problemas?
	Tentando. Por isso mesmo, sei que entendero porque ficaria grato se fossem embora quando o sol se pusesse.
	Entendido. Na verdade, se fizer a coisa certa, serei o padrinho do seu primeiro filho.
	E se no fizer?
	Talvez eu lhe pea para retribuir o favor.  Jake riu, e Mike reagiu empurrando-o contra a parede.  Opa, cuidado com a tinta...
	Cuidado voc com a tinta. Deixe que eu tomo conta de Willow.
Jake apenas riu.
	Bom reflexo. Pena que seu crebro no funcione na mesma velocidade.
Mike viu horrorizado o estrago na camisa e na parede.
	Como?
	Eu s estava brincando, Mike. Qualquer um que me conhece sabe que no sou do tipo que se estabelece.
Mike o soltou.
	Emily... Jake... Desculpem-me.
Mas Emily tambm sorria.
	No se desculpe. Adoro o homem que no teme demonstrar exatamente como se sente em relao a uma mulher.
	S no se esquea de demonstrar a Willow tambm  observou Jake.  E a oferta de ser padrinho continua de p.
Mike foi trabalhar nas prateleiras na cozinha, j visualizando Willow com um filho de ambos nos braos. Como ela se sentia a respeito da maternidade? Ela precisaria de um ou dois anos para se estabelecer como jornalista em Londres, primeiro.
Ele podia esperar.
Raios, claro que podia!
CAPITULO VIII

	As prateleiras ficaram maravilhosas, Mike.  Willow largou as sacolas com roupas novas e aproximou-se para examinar melhor.  Esto prontas?
	S precisam de pintura. Farei isso amanh, enquanto voc estiver em Londres.
Ela olhou ao redor.
	Onde esto todos? Imaginava que o lugar estivesse em franca atividade.
	Jake Hallam tinha um compromisso.  Provavelmente, era verdade.  E acho que Emily foi embora para nos deixar a ss. Eu me sinto culpado por isso, ela parecia exausta.  Aquilo definitivamente era verdade.  Assim, dei a ela uma de suas barras de chocolate e mandei-a para casa erguer os ps.  Riu da expresso apreensiva dela.  No se preocupe, h mais na geladeira. Voc demorou. Encontrou uma roupa para impressionar seu novo chefe?
	Isso foi fcil. Mas ainda preciso de sapatos, bolsa nova, roupa ntima...
	Roupa ntima? Pensei que j tivesse conseguido o emprego...  Mike recuou quando ela avanou.  Calma, s estava brincando!  Ela continuou a avanar.  De verdade! A primeira coisa que fao quando compro uma roupa nova  procurar cuecas que combinem...
Willow desistiu do cenho franzido e comeou a rir. Mike a abraou como se no quisesse mais solt-la.
	Sarah tinha peas timas e, depois, Amy nos fez ch de camomila com mel. Foi muito relaxante. Gosto dela, Mike. Ela ...  Willow deu de ombros.  No sei. H algo nela...
	Hum. Est com fome?
	No muita. Mas gostaria de um vinho.  Ela abriu a geladeira, tirou uma garrafa de vinho branco e passou-a para Mike. Pegou ainda dois pedaos de chocolate, deu um a Mike e saboreou o outro.  Hum, que delcia.
	Isso devia ser a sobremesa.
	Oh, no se preocupe, pegarei mais depois do jantar.  Willow pegou as sacolas e a bolsa e dirigiu-se  escada.  Por que no abre o vinho enquanto vou pendurar esta roupa? Podemos nos sentar l fora, saborear a bebida vendo as estrelas.
	E acender as velas de Amy?
Velas ao crepsculo eram romnticas, pensou Willow, e precisavam mesmo de luzes, claras e potentes para iluminar cada canto do relacionamento. Deteve-se com a mo na maaneta.
	No acha mesmo que vai faltar luz, no ?  Queria acender as velas.
	Sem chance.  vero, os dias so longos e est fresco o bastante para se dormir ao ar livre. Apages acontecem no meio do inverno, sob nevasca, quando temos s nove horas de dia claro e s se quer uma boa sopa quente.
	Claro. Amy deve ter se enganado.
Mike captou o tom de desapontamento na voz de Willow e interpretou o fato. Lembrou-se do que Amy dissera ao lhe dar o presente: "vai precisar delas". Por isso, haviam concludo que haveria corte de energia eltrica, quando ela apenas dissera que precisariam delas.
Um engano?
	No necessariamente, querida  murmurou, vendo Wil low subir a escada.  No necessariamente.
Willow estendeu o conjunto que comprara para a reunio com Toby Townsend. A saia era curta, o blazer, comprido, o efeito, urbano. Ele ficaria impressionado.
O que era timo.
Tratava-se da oportunidade de sua vida. No era hora de ter ideias. J tivera muitas ideias. A carreira progredia conforme o desejado, o resto de sua vida, sim, sofria uma revoluo.
Tomou banho e enxugou os cabelos diante do espelho, desejando que as mechas douradas a inspirassem, mas a vida no era assim. Se deixasse as coisas simplesmente acontecerem, na dependncia d sonhos, acabaria com pesadelos.
O planejamento tornava os sonhos realidade.
Bem, tinha um plano. No era perfeito, mas talvez Mike estivesse disposto a tentar. Penteou os cabelos e desceu.
A cozinha estava vazia. O vinho sumira tambm.
 Mike?
Nada.
Ela abriu a geladeira. O jantar sumira tambm. At o chocolate. Uma brincadeira de esconde-esconde? Rindo, pegou o telefone celular e digitou: "Onde est voc, Mike?".
No teve de esperar muito.
"Ter a mim, se me encontrar".
Promessas, promessas. "Pistas?"
"Siga o seu nariz".
Nariz? Cheiro? As velas. Olhou ao redor e viu que o pacote de velas tambm sumira. Foi at a porta e saiu. A poucos metros, encontrou uma trilha de velas. Pegou a primeira e sorveu o perfume. Rosa damascerja. Para amenizar sentimentos negativos.
Na verdade, no havia nada de negativo em seus sentimentos por Mike. Tinha certeza de que o queria. Olhou ao redor e avistou outra vela, no fim do ptio, e uma terceira na trilha que levava ao velho orquidrio.
Nunca estivera l, mas Emily lhe indicara o local da janela do chal. Abriu a porta e,  mnima brisa, captou o aroma de grama recm-cortada e algo mais, carregado de uma lembrana antiga e agradvel.
"Estou esquentando?", teclou ao celular.
"Diga-me voc".
Oh, sim. Esquentava-se a cada segundo. Pegou outra vela. Palmarosa, desta vez. Para aliviar a desarmonia emocional. Sentou-se em um tronco tombado e deixou o perfume se desenvolver. Houvera desarmonia. Muita. Agora, tudo parecia bastante claro. O telefone tocou novamente.
"E a?"
Willow sorriu. Mike tornava-se impaciente. Gostava disso, muito.
"Esquentando a cada metro", digitou.
A trilha de velas levava do orquidrio a uma pequena lagoa. Mike estava recostado em um salgueiro-choro imenso, as folhas caractersticas varrendo as guas escuras. Estava de olhos fechados, com o telefone celular na mo.
	Por que demorou tanto?
	A espera  parte do divertimento, Mike. A expectativa.
Mike abriu os olhos cinza-prata que a encantavam tanto.
	Parece promissor.
Sentou-se ao lado dele, pousando o mao de velas entre os dois.
	Tem fsforo?
Ele retirou uma caixa de fsforos do bolso e acendeu um palito.
	Est vendo? Estou preparado para qualquer eventualidade.
Mike pegou uma das velas, acendeu-a e deitou-se de bruos para lan-la na lagoa.
Willow deitou-se ao lado e segurou outra vela para Mike acender. Esperou a chama ganhar fora. A gua estava fria, o ar, doce e parado, enquanto Mike acendia as velas restantes e as lanava na direo do centro do lago.
	 mgico  sussurrou Willow.
	Quer dizer um desejo?
	No.  Ela o fitou.  E voc?
	Prefiro pensar que tenho o controle do meu prprio destino. Pronta para o vinho?
Ele pegou a garrafa e um par de taas de cristal.
	Copos de verdade?  espantou-se Willow.
	Trouxe de casa. Estou cansado do gosto de plstico.
Willow saboreou o gosto rico do vinho e apreciou a chama das velas em destaque  medida que a noite caa.
	A vida no seria simples se pudssemos ficar aqui para sempre?  considerou Willow, rolando de costas no cho.
	A vida  simples. As pessoas  que so complicadas.  Mike a fitou.  Estive pensando...
	Pensar  perigoso de estmago vazio.  Willow no queria complicaes naquele instante. Queria apenas uma noite simples e bonita, sem preocupaes.  Prometeram-me salmo defumado.
Mike deu de ombros e sentou-se.
	Salmo defumado  anunciou, abrindo um pacote.  Po.
 Partiu-o em dois.  Queijo cremoso.  Entregou-lhe uma faca.
	Abacate?
	Sirva-se  instruiu ele, e indicou o pacote.
	Cerejas?  estranhou ela.
	Os pssegos estavam duros.
	Est tudo perfeito.
Jantaram. Depois, Willow aninhou-se junto a Mike, sentindo o calor dele se transferir entre suas costas, do brao musculoso junto a sua cintura enquanto ele lhe oferecia cerejas.
	Voc  perfeita  corrigiu ele.  Por algum tempo, esqueci por que estava preparado a abrir mo de tudo por voc. Hoje...  Lembrava-se exatamente de como se sentira quando Jake Hallam o desafiara, quando reconhecera o que estava prestes a perder,, quando entendera como seria ver Willow com um filho de ambos nos braos.  Hoje, descobri que nada no mundo vale isto.
	Eu sei.  Ela voltou-se para abra-lo.  Est tudo bem, Mike. Entendi.  Sabia que a soluo no era perfeita, mas no queria discutir. Beijou-o com hlito de cerejas doces.
	Willow...	
	Faa amor comigo, Mike  murmurou ela, provocando com a lngua.  Faa amor comigo agora.  Depois de fazerem amor, ele no seria capaz de ir embora, de dizer no.
Mike no queria mais nada naquele momento. S am-la. Por isso, escolhera aquele santurio, sobre a grama verdejante. Tinha uma ideia e, com Willow nos braos, sabia que o mundo estaria perdido...
Em seus braos, havia uma chance de ela concordar com ele. Mas no seria o bastante, queria mais que isso. Queria aquela noite para recordar.
	Willow, querida, espere... precisamos, conversar...
Ela o fitou, os olhos refletindo a luz das velas.
	Mais tarde  pediu, beijando-o no pescoo, ao mesmo tempo que lhe desabotoava a camisa, roando os cabelos nos ombros musculosos.  Conversaremos depois.
Agora. Deviam conversar primeiro, mas no era fcil raciocinar com Willow estimulando-o daquele jeito. Debaixo de tantas carcias e beijos, era perdovel que um homem deixasse de lado as prioridades.
Mike puxou-lhe a bainha da camiseta e acariciou a pele sedosa das costas. Ao deparar com o suti, desprendeu-o habilmente, e a despiu da cintura para cima. Afagou os ombros delicados e desceu aos seios.
Willow sorriu.
Agora... o que estava dizendo?
Ele percebeu que ela estava certa. Tudo o mais podia esperar.
	Est usando roupas demais  resmungou.
	Errado. Mas continue pensando.
	Eu estou usando roupas demais?  Mike sentiu-se frustrado ante o olhar provocante. Perdeu a vontade de conversar. Estava farto daqueles joguinhos. S havia uma coisa que queria dizer e aquele era o momento.
	Eu te amo, Willow. Quero me casar com voc.
Ela engoliu em seco, os olhos brilhantes como se fosse chorar. No era hora de lgrimas...
	Voc est esquentando.
	Acredite, estou pegando fogo...
	Volte uma casa.
Volte uma casa. Que raios... Ento, ele entendeu.
	Quer morar comigo?
	Pronto.  Ela piscou sedutora.  No foi to difcil, foi?
	No.  No fora difcil. Era por onde comeara, afinal.
Agora, entendia a reao dela a sua proposta inicial. Descobrira a necessidade do compromisso. Compromisso Total.  No  repetiu, segurando-a pela cintura. Willow esperou que ele desabotoasse a cala. Impaciente, remexeu-se. Ele apertou as mos para mant-la parada... se ela no ficasse quieta, ele explodiria de desejo.  Acho que no entende, Willow. Eu disse no. Obrigado.
Willow franziu o cenho e parou de excit-lo. Estremeceu.
	Mike,  isso o que quer. Voc disse...
	Voc me convenceu de que eu estava errado. Morar com algum no diz nada. Ao contrrio do casamento,  uma situao irregular. O que temos vale mais que isso. O que temos exige a troca de votos. At que a morte nos separe. Eu a pedi em casamento. O que aconteceu ao "vamos nos empenhar na relao"?
Como ele podia fazer aquilo? Arruinar tudo?
	No v, Mike? Faz sentido. Terei um apartamento em Londres, voc ter o seu em Maybridge. Podamos passar os fins de semana juntos. Voc podia ir a Londres, s vezes. Teramos trs, talvez quatro noites por semana juntos.
	E um conceito interessante. Nota cinco por tentar, mas precisa batalhar mais. Amanh. Agora, podemos voltar  questo das roupas?
	Roupas?
	Voc disse "continue pensando". Estou me contendo, mas no sou de pedra, meu bem...
Willow enrubesceu e se desvencilhou. Mike no tentou impedi-la quando ela vestiu a camiseta. Nunca fora to humilhada na vida. Como ele pudera agir assim com ela?
No. No culpava Mike. Ela mesma provocara a situao!
A seu lado, em algum lugar sobre a grama, o telefone celular comeou a tocar. Vinha evitando os telefonemas, mas, de repente, atender parecia melhor do que enfrentar o olhar de Mike. Ligou o aparelho.
	Sim!	
	Willow?
	Crysse!
	Willow, tenho algo para lhe contar!  A prima chorava.
  to difcil...
	Querida, o que foi? Qual  o problema?
	Nada. Nada mesmo. Est tudo perfeito. Seria perfeito, se estivesse aqui. Estamos em Santa Lcia...
	Eu sei.  maravilhoso. Esto se divertindo?
	Muito. Exceto... no sei como lhe dizer.
	Fale, Crysse. No pense, fale logo.
	Sean me pediu em casamento. Aqui. Vamos nos casar no fim de semana...
Willow ficou boquiaberta, sem saber o que dizer.
	O que foi?  indagou Mike, sentando-se a seu lado.
	Crysse e Sean...  Willow tinha a boca seca.  Eles vo se casar.
	Willow?  sussurrou Crysse.
	Desculpe-me, querida, estava contando a Mike as novidades.
	Mike? Vocs voltaram? Oh, cus! Vocs viro! Vocs dois viro! Sean queria que Mike fosse o padrinho, mas eu disse que no sabia como pedir...
Mike ouviu e tomou o telefone de Willow.
	Crysse, quando ser? Estaremos a... eu ligo para Sean amanh... Claro... E parabns.
Willow estendeu a mo e ele a tomou.
	Obrigada.
	Por qu?
	Por ter feito aquilo. No sei dizer o quanto significa para mim...  Por um segundo, conversar pareceu difcil demais, e apenas acariciou-lhe a mo.  Obrigada.  Estremeceu.  Est esfriando. As velas esto se acabando.
	E voc tem um grande dia amanh.
	Sim.  Grande dia. Grande negcio. Quis recolher a mo, mas Mike a segurou.
	Willow?  Ele a abraou por trs.  Est chorando?
Ela recolheu uma lgrima.
	No, claro que no. Por que estaria chorando?
	De felicidade?  Ele tirou um leno do bolso e enxugou-lhe os olhos.  Ou isso, ou est com vazamento.
Ela sorriu.
	No!
	O qu?  indagou ele inocente.
	No me faa rir.
	Nem sonharia. Venha.  Ele a segurou pelos ombros e aproximou-a.  Chore, se quiser. Vai se sentir melhor.
Por um segundo, Mike pensou que ela sucumbiria  tentao e extravasaria toda a angstia dos ltimos dias. Quis se juntar a ela. Mas, ento, ela recuperou a compostura, o bastante para se levantar. Ele se levantou tambm.
	Tem certeza de que no se importa de fazer isso por Sean?
	Ora, no.  meu dever. E, se ele mudar de ideia no ltimo instante, pode ter certeza de que no vou aconselh-lo a fugir como meu padrinho fez. Eu poderia dizer a ele, por experincia prpria, que o melhor  assumir o compromisso e acertar as diferenas depois.
	Acho que eu faria o mesmo por Crysse. Com o detalhe de que ela no  to burra quanto eu.
	Voc no  burra. Eu sou.  Mike a impediu de replicar, voltando-a na direo do chal.  V. Eu arrumo tudo aqui.
	Percebeu que ela olhou para trs, insegura.  Eu a chamo amanh cedo.
	Precisamos tomar providncias, avisar as pessoas...
	Pode deixar isso tudo comigo  declarou Mike.
	Pelo menos, no teremos de fazer as malas.
	No, no teremos de fazer as malas.  A bagagem j estava pronta, esperando a lua-de-mel que no acontecera.
Willow voltou devagar para o chal. Precisava de Mike, queria-o a seu lado, abraando-a, mas ele tinha razo. Precisavam descobrir exatamente para onde iam. O que queriam. E, principalmente, ela precisava esclarecer alguns pontos com sua famlia. Fazer as pazes com a me. Respirou fundo e fez uma ligao.
	Me? Sou eu. Desculpe-me...
Mike recolheu os restos do piquenique e, ento, recostou-se na rvore, imaginando um modo de resolver o futuro deles, de torn-lo possvel. Aps algum tempo, a escurido aplacou-se um pouco com a luz amarelada no quarto de Willow, no andar superior do chal. Imaginou-a preparando-se para o grande dia, um almoo com Toby Townsend, do jornal londrino. Ela merecia uma chance na cidade grande. No acreditava que ela fosse se satisfazer, que encontraria sentimento l, mas ela teria de descobrir sozinha.
O sentimento era tudo.
Pegou o telefone celular e teclou um nmero.
	Pai? Sou eu. Desculpe-me...
	Como foi l?  Mike telefonara a Willow, e combinaram se encontrar junto ao balco de embarque no aeroporto. Ele levara a bagagem e o passaporte dela.
	 diferente  respondeu ela.  Frentico. Cheio de gente.
	Ainda estava impressionada com a redao cheia de jornalistas, em um ambiente amplo, mas onde no cabia nem mais um gato. Havia um gato na redao do jornal da famlia de Mike, mimado e gordo.   prematura essa viagem, no? O casamento  s no fim de semana. O que Emily far sem nossa ajuda?
	Este  o nico vo que daria certo para ns. Jake vai ajudar.  Mike riu.  E recrutei Cal. Ele vai providenciar mais ajuda. E Jake avisou tia Lucy de que a entrevista ficaria para daqui a algumas semanas.
	Semanas? Pensei que ficaramos s o fim de semana.
	 uma longa viagem para ficar s por um fim de semana, e voc no vai comear a trabalhar seno no ms que vem.
	No...
	Ento, eu disse que voc telefonaria quando voltasse.  Mike deixou as passagens no balco e passou a bagagem para a pesagem.  Isso a far famosa.  Encarou Willow, estranhando a seriedade.  Ou Toby Townsend no se animou com a matria sobre a vida no interior?
Oh, ele se interessara. No pela vida no interior, porm salivara ao pensar em uma srie com as revelaes sensacionais de tia Lucy, meio sculo de fofocas! A viso dele com certeza diferia da sua. Toby queria escndalo, segredos... e ela deveria ser amigvel com a velhinha, ganhar sua confiana e extrair cada detalhe picante. Seria como roubar doce de criana. Infelizmente, no conseguiria se olhar no espelho novamente. Que grande erro.
	A atendente est esperando, Mike.
	Willow, h algo errado?
	No.  Ela olhou para trs. Qualquer coisa, menos o olhar de Mike.  H uma fila.  Mike acompanhou o olhar, deu de ombros e falou com a atendente.
Ela dissera no. Nada errado. Mas ali, parada, imaginara se estava sendo confiante demais. Muito bem, no mencionara o nome da vila, mas, ao conversar com a assistente de Toby durante um caf, comentara sobre os chals, o projeto de Emily. No era preciso ser gnio para somar dois e dois. Ou encontrar algum para fazer o trabalho sujo.
Imaginara estar entrando para um jornal respeitvel, no um capaz de qualquer coisa para aumentar a circulao, capaz de agir sem escrpulos.
Teria de alertar tia Lucy, avis-la. No, era intil, a velha senhora nunca entenderia. Precisava alertar Jake. Ele saberia o que fazer.
	Mike, precisa de mim aqui? Preciso ir ao toalete.
Mike sorriu.
	No admira parecer estressada. Encontro com voc l em cima, na verificao de passaportes.  Mal ela deu as costas, chamou-a:  Willow?
	No se preocupe, querido. No vou fugir. E o casamento de Crysse, no o meu.
	Bem, obrigado. Acho.
Ela apressou-se at o toalete feminino, procurou o pedao de papel com o telefone de Jake e teclou os nmeros, trmula.
	Willow? Pensei que estivesse viajando agora.
	Embarco em vinte minutos. Oua, preciso lhe contar uma coisa...
Ele ouviu sem interromper e ento tranquilizou:
	No se preocupe. Tia Lucy precisa de frias. Vou arranjar algum para tomar conta do armazm por algumas semanas.
Oh, e Willow... boa sorte no grande dia.
	Obrigada.
Ela desligou. Agora, seu nico problema era convencer Mike de que no desistira da "chance de uma vida" por causa dele.
Aps abandon-lo no altar em favor da uma carreira... No, no o abandonara de fato, pois ele no estivera l para ser abandonado, mas por pura sorte e boa sincronizao. De qualquer forma, fugira do casamento, mandando s favas a famlia, trs mil convidados, um bolo suficiente para alimentar cinco mil pessoas. Depois disso tudo, Mike acharia difcil acreditar que ela abrira mo de sua grande oportunidade profissional por uma velhinha com quem s falara uma vez.
De algum modo, teria de convenc-lo de que Toby a fizera mudar de ideia. Que no havia lugar na publicao londrina para uma jornalista cuja imaginao s chegava a uma vila antiga.

CAPITULO IX

	O que voc vai vestir? Crysse falava sem parar havia uma hora. Tagarelou excitada sobre a felicidade que sentia, sobre os planos para o casamento, mas finalmente parou para recuperar o flego e aguardou resposta. Queria conhecer a verso de Willow para o ocorrido no sbado. Todos os detalhes. Incluindo como haviam se juntado outra vez. E, se estavam juntos, por que haviam se hospedado em quartos separados.
A prima teria de perguntar a Mike. Ele Fizera as reservas. Willow imaginava a justificativa dele. Case-se comigo, ou durma sozinha. Talvez esperasse que ela sucumbisse s noites tropicais e se ajoelhasse.
Mas ela j estava de quatro. Tentara abraar o mundo, e teria de viver com as consequncias. Nada de casamento. Nada de grande emprego. E Mike rebatendo seu prprio argumento contra ela.
Mas no choraria no dia do casamento de Crysse, de forma alguma. At porque no podia se arriscar a ter a prima revelando seu segredo a Mike. Da a pergunta repentina, mudando de assunto:
	Comprou um vestido?
	Ainda no  retrucou Crysse.  Preferi esperar voc chegar. Pensei em irmos  cidade amanh cedo.  A noiva entusiasmada permitia-se ser distrada, mas seu olhar dava a entender que era uma concesso temporria.
	Vamos, claro.  Ento, como a conversa pareceu empacar, Willow indagou:  Onde Sean ia levar Mike?  Os dois tinham sado assim que Mike deixara a bagagem no quarto.
	Provavelmente, foram reservar um barco ou algo assim. Sean anda louco para pescar no mar, mas eu no quero nem saber...  Crysse verificou o relgio.  Espero que j estejam no bar agora, esperando por ns.
	E voc tem de me explicar exatamente o que est acontecendo. Quando tia Grace e tio Jack vo chegar?
	Na sexta-feira... H um mirante onde realizam casamentos... no  romntico?
Crysse e Willow encontraram Sean e Mike junto ao bar da piscina.
	Tudo em ordem?  indagou a noiva ao noivo.
Ele a beijou e sussurrou algo que a fez rir.
Willow trocou um olhar com Mike e ento foi se apoiar no corrimo e fitar o mar.
	Cansada?  indagou Mike, prximo.
	Um pouco.  Muito. Willow tentara dormir no avio, mais para evitar as perguntas dele sobre o novo emprego, para no ter de pensar, por isso estava cansada.
	Tente continuar acordada, coma alguma coisa. Isso vai ajud-la a superar a diferena de horrio.
	Eu sei.	
	Por outro lado... Talvez se sinta melhor sozinha.
	No... sim... Talvez. Desculpe-me, Mike. Foi um dia longo.
Ele ergueu a mo, ajeitou-lhe os cabelos e beijou-a na testa.
	No se desculpe. Eu a chamo para nadar ao amanhecer.
	Est bem.  Ela o fitou por um segundo, no querendo que ele se afastasse, desejando que ele a acompanhasse. Mas no sugeriu nada... nenhuma mulher suportaria tanta rejeio. Ele escolhera uma pssima hora para ter ideias elevadas sobre a questo de morarem juntos. Ela precisava tanto dele, mas como podia lhe dizer que agora podia se casar?  Provavelmente,  a nica chance que terei  murmurou, com um sorriso desolado.  Crysse quer que eu a ajude  escolher o vestido amanh.
	Vai ser divertido.
	Claro que vai.  Ela garantiria que nada estragasse o grande dia de Crysse.  E vocs vo passar o dia pescando.
	Pescando?
	No foi o que voc e Sean planejaram para amanh? S tome cuidado para no cair no mar, hein?
	Acho que consigo me manter no barco.  Ele a beijou novamente.  Boa noite, querida.  Antes que ela se afastasse, indagou:  J avisou seus pais de que chegamos bem? Ainda estou com o seu telefone celular.  Os telefones passaram pelo raio-X no aeroporto, e ele ficara com os dois aparelhos depois, guardando-os na bagagem de mo.  Posso ir peg-lo, se quiser. E deix-la na porta do quarto?
	No precisa. Usei o telefone do hotel quando chegamos, ontem.
Talvez o fato de no dormir em uma cama havia dias, talvez seu crebro tivesse se compadecido dela e desligado, mas, assim que encostou a cabea no travesseiro, Willow dormiu.
Despertou com uma batida na porta. O sol ainda no despontara, e sentiu-se feliz. Ento, ouviu outra batida.
	Willow? Est acordada?
Permaneceu imvel, louca para nadar com Mike, pensando em seus corpos juntos, roando-se, calculando se suportaria.
Se no respondesse, ele iria embora. Talvez fosse melhor assim.
Mike aguardou mais um pouco, o punho sobre a porta trancada. Se Willow estivesse dormindo, no insistiria. Mas algo lhe dizia que ela estava deitada, acordada e sentindo-se miservel, porque ele aprontara o caos novamente.
At aquele momento, nunca duvidara de que ela o amava. Embora ela no tivesse aparecido na igreja, nunca se sentira inseguro quanto ao sentimento dela. Durante a viagem a Santa Lcia, optara por se manter afastado, certo de que ela se entusiasmaria de novo com a ideia de casamento, ao assistir a prima Crysse no dela.
Talvez estivesse enganando a si mesmo. No dia anterior, no avio, Willow esquivara-se de falar sobre o emprego novo. Era como se fugisse da proposta que ele lhe fizera. Talvez, ao perceber como seria grande a empreitada, como sua carreira decolaria, ela se enchesse de dvidas.
Estaria Willow apenas esperando at Crysse e Sean estarem bem casados para lhe dizer que no havia futuro para eles?
Decidiu deix-la descansar. Talvez fosse hora de ele mesmo pensar, parar de fazer joguinhos e declarar que ela era mais importante do que tudo no mundo, para ele. Que aceitava todas as condies dela. Desde que ficassem juntos.
Ela no sabe mesmo?
Haviam gasto a manh inteira providenciando a documentao nas reparties locais. Sean j realizara a tarefa uma vez e sabia exatamente o que fazer. Finalmente, pararam para se refrescarem. Mike fez o pedido e s ento respondeu  pergunta.
	No. E no conte nada a Crysse, por favor. Comeo a desconfiar de que  um grande erro. Se tudo der errado, prefiro que Willow nem venha a saber.
	No acha que Willow pode somar dois e dois quando os pas dela chegarem, quando os seus pais chegarem?
	Eles vo ficar em outro hotel.
	J estive em festas-surpresa antes, mas um casamento-surpresa me parece arriscado. Quando pretende contar  noiva que ser um casamento duplo?
Mike pensou que seria fcil quando estivessem no paraso, mas comeava a perceber que talvez fosse preciso mais que sol e umas palmeiras para a mgica funcionar.
	Pensei em esperar Willow se habituar com o horrio local para tocar no assunto.
	Em outras palavras, no  da minha conta.
Mike meneou a cabea.
	Est abrindo mo das suas frias para me ajudar a legalizar a papelada... isso torna a questo da sua conta. E, no momento, estou aberto a sugestes de um homem que parece ter feito a coisa certa.
	Eu tinha um luar e a certeza de que Crysse diria sim.
	Homem de sorte.
	Sim, eu sou. E voc tambm ser. V por mim. Est tudo pronto.  Sean fez pausa.  Falta passarmos na peixaria. Precisamos de exemplares grandes e frescos para convencer as moas de que fomos pescar,
	Precisamos? No podemos apenas dizer que os devolvemos ao mar?
Sean riu.
	Sei que pescadores contam histrias, Mike, mas quem vai acreditar nessa?
	Talvez tenha razo...  O celular tocou.  Deve ser o pai de Willow com os detalhes do vo deles. Al?
Ele pressionou o aparelho ao ouvido antes de perceber que aquele no era o seu celular. Pegara o telefone de Willow por engano. Era uma voz masculina.
	Al? Willow?
Mike reconheceu a voz.
	No, Jake.  Mike Armstrong. Quer me dizer por que...
	Mike! timo. Olhe, diga a Willow que est tudo arranjado. Levei tia Lucy para ficar com amigos por algumas semanas. O pnico acabou.
Pnico? Que pnico?
	Que pnico, Jake?
	Ela no lhe contou?
	Andamos ocupados. Por que no me explica exatamente que pnico acabou? E por que est telefonando para Willow no Caribe s para tranquiliz-la?
	Vai me contar de verdade o que aconteceu?
Fora fcil distrair Crysse durante as compras, mas agora o vestido de noiva dela j estava pendurado no guarda-roupa. Fora, das vistas do noivo, as duas tomavam ch gelado no bar junto  piscina.
Willow tivera tempo suficiente para elaborar seu discurso. J contara em detalhes seu encontro bizarro com Mike no posto de servios na estrada e, depois, a ideia que tiveram, em separado, de se esconderem no mesmo lugar!
A prima ria, apesar de incrdula.
	Pois bem, essa  a verso para consumo pblico. Quando quiser me contar o que realmente aconteceu, sabe que ter um ombro aqui.  Ento, antes que Willow negasse a existncia de qualquer outra verso, exclamou:  O que  aquilo?
Sean saiu de trs de Willow, sorrindo triunfante.
	Um peixe.  Crysse fez careta.  Vamos mandar grelhar para o jantar.
	Pense melhor.
	Onde est Mike?  indagou Willow.
	Foi tomar banho, desce em um minuto. Agora, tendo provado minha habilidade como pescador, vou mandar isto para a cozinha do hotel e seguir o exemplo de Mike.
	Faa isso. Mas, na prxima vez, compre na seo de congelados do supermercado  desdenhou Crysse.  Os peixes l no tm barba.
Willow meneou a cabea.
	Acho que tambm vou tomar um banho. E talvez tire uma soneca antes do jantar.
Crysse no se impressionou.
	Devo avisar Mike? Ou ele vai saber que o est evitando?
	Eu no...
	Por favor, querida. Pode me tratar como idiota, mas no espere que eu faa esse papel.  Crysse a fitou por sobre os culos escuros.  Aprontou no seu prprio casamento, querida, mas, estou avisando, no se atreva a estragar o meu, ou vai virar picadinho.
Willow entrou no quarto, fechou a porta e recostou-se na superfcie de madeira. Quase correra, temerosa de um encontro com Mike. De enfrentar as perguntas que ele guardava. Por enquanto.
O aposento estava fresco, as cortinas bailavam ao sabor da brisa ocenica. Franziu o cenho. No deixara a porta deslizante aberta. Algum podia entrar...
Algum entrara.
	Mike.
	Willow.  Estendido na cama, ele parecia relaxado com as mos na nuca e os tornozelos cruzados.
	Como entrou?
	Isso importa?
	No, acho que no. Pensei que estivesse tomando banho. Que ia descer para um aperitivo.
	Foi o que eu disse a Sean. Na verdade, queria verificar se estava ficando paranico, ou se voc estava mesmo me evitando. Agora, sei. Por que no me contou?
	Contar?
	Esta pode ser uma conversa longa. Ou curta. Vamos optar pela brevidade, j que h muito a fazer?
	Mike...
	Vou facilitar para voc, est bem? Eu fao as perguntas, voc me d as respostas. Fale-me sobre o seu emprego.
	J sabe...
	Talvez deva falar sobre seu no emprego. Contar o que disse a Toby Townsend o que ele devia fazer com o emprego, quando descobriu do que se tratava.
Willow empalideceu. Sentia-se fraca, tonta.
	Com quem andou falando?
	Jake. Peguei o seu telefone celular por engano hoje cedo... Mike quase se desculpou, mas se conteve. De seu ponto de vista, fora um erro afortunado. - Por isso, Jake falou comigo em vez de voc. Ele queria avisar que tia Lucy estava fora de perigo.
	Oh, que alvio.
	Isso nos leva  pergunta nmero dois.  Ele lanou as pernas para fora da cama.  Por que no me contou?  Avanou, e Willow recuou.  Sobre o jornal de Londres...  Ela recuou outro passo.  Sobre tia Lucy...  Ela ficava sem espao para recuar.  Sobre Toby Townsend...
Willow encostou-se na parede, e Mike enganchou uma mecha de seus cabelos na orelha, expondo o rosto. Vulnervel. Willow sentia a pele queimar onde ele a tocava. No havia onde se esconder.
Ela meneou a cabea.
	Eu... no pude.
	No aprendeu a lio, Willow? Segredos so corrosivos. Eles acabam com um relacionamento at a fundao ceder e, de repente, no sobra nada.  Ela murmurou algo que ele no entendeu.  Como? O que voc disse?
	Estava envergonhada  sussurrou ela.
	Envergonhada? Por qu?
	Porque me dispus a jogar tudo para o alto...  Willow estava corada devido ao sol, mas o restante do rosto permanecia plido.  O homem que amava, meu emprego em um bom jornal, um jornal com corao e alma, e tudo pela recompensa barata de subir um degrau na carreira, apoiada em uma base frgil, indigna de receber cascas de batata...
	Willow, por favor...
	Voc me alertou... sem corao, voc disse... mas eu achava que sabia mais. Bem, agora sei... que no sei nada.  Ela recolheu uma lgrima, impedindo-a de rolar pelo rosto. Auto-piedade seria a humilhao final.  E preciso ter orgulho mesmo no fracasso...
	No um fracasso. Tudo menos fracasso. Largar aquilo foi um grande passo, Willow. Eu no esperaria menos de voc.
	Mesmo?  Ela tentou sorrir.  Acha que o jornal de Maybridge vai me aceitar como jornalista jnior? Se eu prometer fazer o ch? Eu podia cavar meu espao e, quando tiver quarenta anos, talvez me levem a srio e me encarreguem de reportagens sobre as vilas locais...
Mike tapou-lhe a boca.
	Eu a levo a srio. De verdade. E acho que voc pode almejar bem mais do que o jornal de Maybridge.
	J fiz isso. Ficaria mais feliz embaixo...
	Vai abrir uma vaga no jornal da Publicaes Armstrong.
Talvez deva se candidatar.
	Candidatar-me a meu velho emprego?  Willow meneou a cabea.  No se pode voltar atrs. Nunca. Alm disso, Julie pleiteia a vaga desde que anunciamos nosso noivado.
	Julie? O que a levou a pensar que haveria uma vaga? Voc no tinha planos de sair. No at...
	Ela concluiu que ao casamento se seguiria a gravidez.
	Oh, certo. Bem, seria mesmo pouco gentil decepcion-la.
Willow ergueu o olhar, esperanosa. Ele queria dizer que havia outra oportunidade?
	H outra vaga, ento?  Idiota! Por que pensara nisso?
Era cruel provoc-la, pensou Mike. Principalmente quando eleja vira tudo o que precisava saber naquele olhar. Vendo seu desconsolo aps ele no confirmar a esperana reluzente em seus olhos como non.
	Claro que h outra vaga no jornal.  Ele lhe acariciou o rosto com a ponta dos dedos.  E um de ns devia ter um emprego decente, no acha?
Willow ignorou o comentrio. No cairia na mesma armadilha duas vezes.
	Que vaga?
	Meu pai ainda est procurando algum para substitu-lo.
Willow ficou tensa e, finalmente, afastou-se da parede.
	Voc, no! No deve fazer isso. Por favor, prometa-me, Mike!
Ele desenhou uma cruz sobre o corao com a mo.
	Dou minha palavra. Mas veja, h outra pessoa que se enquadra.
	Quem? - Willow pensou.  Cal? Ele estaria interessado?
	No Cal, querida. Voc.
Willow o fitou sem compreender.
	Mas... mas eu no sei como administrar um jornal.
	Sabe. Provou isso ontem. A primeira coisa  o corao. Qualquer um pode analisar os nmeros. O resto  detalhe. E meu pai vai ficar feliz em acompanhar at voc pegar o jeito.
	Falou com ele?  Willow mal acreditava.
	H uma hora.
	E ele acha mesmo... Mas, Mike, e a determinao dele de manter o negcio familiar?  Willow maneou a cabea.  No, no. Ele s acha que  outra forma de trazer voc de volta... 
	Talvez ele ache.  Mike reconhecia no pai um otimista incurvel.  Mas ns pensamos diferente. Eu devia ter visto que voc seria o curinga nesse negcio.  Tomou-lhe o rosto e enxugou as lgrimas.  Ele quer um Armstrong no leme, algum que conduza a empresa e a passe s geraes futuras. Se quer o emp rego, amor, temo que ter de se casar comigo primeiro.
Willow fitou o rosto amado. Viu as ruguinhas de divertimento no canto dos olhos, a marca em que se transformara uma covinha infantil.
	Michael Armstrong,  a proposta de casamento mais enrolada que j ouvi.
	Sem dvida.  Ele riu.  E ento? Esse foi o sim mais difcil de obter nos anais do romance?
	Com certeza, pode sofrer uma reviso. Podemos tentar novamente?
	Quer se casar comigo?
	Sim  respondeu Willow.  Por favor.
Mike riu.
	Quanta educao. Sua me ficaria orgulhosa.  Mike espantou-se quando ela replicou com uma palavra que teria arrepiado a me.  Bem, j que entramos em um acordo,  melhor voc pegar isto de volta.  Tirou um anel do bolso da camisa, e o diamante brilhou quando o colocou em seu dedo anular direito.
	Acho que devia me beijar antes que eu chore.
	Pretendo fazer bem mais que isso, meu amor. Mas s h mais uma coisa que devemos acertar. Sobre o casamento.
	Oh, cus  lamentou ela.  No podemos simplesmente fugir para algum lugar?
	Pensei que j tivssemos feito isso. Estava imaginando uma celebrao dupla no sbado.
	Sbado? Com Crysse? Oh, cus... Mas e quanto...
	Seus pais e os meus chegaro amanh cedo. Sua me est trazendo o seu vestido. Sean e eu passamos o dia providenciando os papis.
Willow ficou boquiaberta.
 Oh... Fez isso antes de saber que eu tinha rejeitado o emprego, no ?
	Otimismo  mal de famlia.
	Pois adoro o otimismo. E te amo, Mike. Moraria em uma cabana com voc e comeria algas, sabia?
	Cozinhando como cozinha? Acho que no. Vamos tentar o celeiro reformado, por enquanto.  Ele a beijou com sofreguido.  At que a famlia maior nos obrigue a procurar um lugar maior.
	Famlia maior?
	No comentei? Alm de administrar o jornal, ter de providenciar a prxima gerao da famlia Armstrong.
	Parece que vou ficar bem ocupada.
	Pode acreditar. Mas, no se preocupe, ficarei feliz em ajudar nessa tarefa.
	Parece promissor. Mas, quando disse "procurar um lugar maior..."
	Significa "grande o suficiente"  prometeu ele.  Para ns, a prxima gerao, os peixinhos dourados, os brinquedos...   Desta vez, quando ele a beijou, foi para encerrar a conversa.
Lado a lado, Willow e Mike e Crysse e Sean postaram-se no mirante decorado com flores tropicais ao sol poente. Nenhuma dama de honra, o mnimo de fitas, os nicos convidados eram as famlias e os veranistas que pararam para assistir ao evento especial.
Houve um brinde, mas nenhum discurso. Assim que puderam, Mike e Willow foram passear descalos na praia, ao luar. Ele arregaou a cala de linho creme at os tornozelos, mas Willow preferiu varrer a areia com seu lindo vestido de noiva.
Quando chegaram a um pequeno cais, Mike ajudou-a a entrar em um barco atracado. O proprietrio ergueu o olhar e sorriu antes de ligar o motor.
	Podemos ir?  indagou Mike.
	Ir?  repetiu Willow, confusa.  Para onde?
Ele riu, inclinou-se para beij-la na pele sensvel atrs da orelha e ento a ergueu nos braos.
	Casamento duplo, sem problemas, querida, mas no pretendo partilhar minha lua-de-mel com os parentes. Aluguei um chal na costa para as prximas duas semanas.
	Mas...  Ela olhou para a praia.
	Alguma objeo?
	No, s que... bem, vou precisar de roupas.
	Vai?  Mike sorriu e a colocou de p no convs.  De onde tirou essa ideia?
Willow meneou a cabea e riu ao ver a bagagem na cabine.
	Est ficando bom nesse negcio de fugir.
	Sempre me aprimorando  concordou ele.  Desta vez, o noivo e a noiva vo fugir juntos.
Alvo de um olhar intenso, Willow prendeu a respirao. Estendeu o brao e tocou o rosto amado.
	Juntos  a melhor palavra que conheo  murmurou, beijando-o.  No pode ficar melhor que isto.
FIM

